localização atual: Novela Mágica A Empregada Que Tocou o Piano do Chefe da Máfia Capítulo 8 — A Carta de Antônio
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"A Empregada Que Tocou o Piano do Chefe da Máfia" Capítulo 8 — A Carta de Antônio

正文开头

Helena não abriu o restante da carta na Sala São Paulo.

Não conseguiu.

Levou o envelope para casa.

Colocou sobre a mesa.

Ficou olhando durante quase uma hora.

Finalmente sentou.

As mãos tremiam.

A carta começava:

"Minha filha, se você está lendo isto, significa que falhei em manter você longe de um problema que nunca deveria ter sido seu."

Helena respirou.

Continuou.

Antônio explicava que havia descoberto as movimentações de Ricardo por acidente.

No começo, acreditara que fossem irregularidades pequenas.

Depois percebeu que empresas falsas estavam sendo usadas para retirar dinheiro do Grupo Montenegro.

Havia pagamentos a intermediários.

Documentos adulterados.

Assinaturas falsificadas.

A de Dante não fora a primeira.

Antônio copiou o que pôde.

Ricardo descobriu.

A carta mudava então.

Deixava de parecer uma declaração.

Voltava a ser um pai escrevendo para a filha.

"Eu sei que Marcelo tirou o dinheiro."

Helena parou.

As lágrimas vieram imediatamente.

Ela continuou.

"Também sei por que ele fez isso."

Antônio dizia que Marcelo escolhera ambição.

Que aceitara trabalhar para Ricardo.

Que mentira.

Que traíra Helena.

Mas Antônio também escrevera:

"Não transforme a covardia dele numa prisão para você."

Helena cobriu a boca.

Mais abaixo:

"Se meu tratamento não acontecer, você vai acreditar que não fez o suficiente. Isso será mentira."

Ela chorou.

"Você me deu mais anos de felicidade do que qualquer tratamento poderia prometer."

Helena precisou parar.

Levantou.

Foi até a janela.

Durante quatro anos, carregara uma culpa silenciosa.

Se tivesse trabalhado mais.

Se tivesse percebido Marcelo antes.

Se tivesse encontrado outro hospital.

Se tivesse vendido mais coisas.

Se.

Se.

Se.

Agora Antônio respondia de dentro de uma carta.

**Não foi você.**

Helena voltou.

A última parte falava de música.

"Não abandone o piano por minha causa."

"Se fizer isso, Ricardo terá roubado mais do que dinheiro."

Helena encostou a testa no papel.

"Pai..."

Ficou assim por muito tempo.

Alguém bateu à porta.

Era Dante.

Helena quase não abriu.

Quando abriu, seus olhos estavam vermelhos.

Dante viu a carta.

"Teresa entregou."

"Eu sei."

"Você mandou?"

"Não."

Helena deixou que entrasse.

"Meu pai sabia de tudo."

Dante ficou em silêncio.

"Sabia de Marcelo. Sabia de Ricardo. Sabia que talvez não conseguisse fazer o tratamento."

Ela começou a chorar novamente.

"Ele sabia que eu ia me culpar."

Dante se aproximou.

Dessa vez, não tocou nela.

Esperou.

Helena foi quem deu o último passo.

Encostou o rosto no peito dele.

Dante a abraçou.

Sem palavras.

Sem promessas.

Ela chorou até não conseguir mais.

Depois se afastou.

"Desculpe."

"Por quê?"

"Molhei sua camisa."

Dante olhou.

"Tenho outras."

Helena riu entre lágrimas.

"Idiota."

"Primeira vez que me chamam assim hoje."

"Já é noite."

"Foi um bom dia."

Helena sorriu.

Então ficou séria.

"Meu pai tinha provas."

"Temos parte delas."

"Não todas."

"Eu sei."

"Ricardo sabe?"

"Agora sabe."

Dante explicou que Ricardo havia deixado de comparecer às reuniões.

Algumas contas estavam sendo esvaziadas.

Empresas fechadas.

"Ele está fugindo?"

正文1

"Está apagando rastros."

"Você vai atrás dele?"

"Sim."

Helena segurou a carta.

"Não faça nada por mim."

Dante olhou para ela.

"Não é só por você."

"Então por quem?"

"Pelo meu pai. Pela minha mãe. Pela empresa."

Ele fez uma pausa.

"E pelo homem que teve coragem de fazer o que minha família deveria ter feito."

Antônio.

Helena entendeu.

Dois dias depois, Teresa convocou Dante para conversar.

Na mansão, ela fechou a biblioteca.

"Você precisa se afastar de Helena."

Dante quase riu.

"Não."

"Ricardo vai usar essa mulher contra você."

"Já tentou."

"Vai destruir sua reputação."

"Minha reputação sobrevive."

"Dante."

Teresa perdeu a calma.

"Você é um Montenegro."

Ele a encarou.

"Esse é exatamente o problema."

"Não diga isso."

"Por quê?"

"Seu nome sustenta centenas de pessoas."

"Então talvez seja hora de esse nome significar outra coisa."

Teresa percebeu.

"Você a ama?"

Dante ficou em silêncio.

Foi resposta suficiente.

"Ela pode destruir você."

"Não."

Dante caminhou até a porta.

"Meu nome eu reconstruo."

Parou.

"Ela, não."

Teresa ficou sozinha.

Naquela noite, Dante chamou Bruno ao escritório.

"Quero todos os documentos originais."

"Estão no cofre."

"E o caderno de Antônio?"

"Helena trouxe hoje. Augusto pediu uma cópia para o advogado."

"Guarde tudo."

Bruno assentiu.

Uma hora depois, o alarme silencioso do escritório disparou.

Dante estava no andar superior.

Desceu imediatamente.

A porta do escritório estava aberta.

O cofre também.

"Bruno!"

Os seguranças chegaram.

O caderno desaparecera.

As cópias dos documentos também.

Dante correu até a central de segurança.

"Mostre as câmeras."

Bruno voltou a gravação.

21h07.

Uma pessoa entrou no corredor.

Dante se inclinou.

O homem usava terno escuro.

21h09.

O rosto apareceu claramente.

Helena, que acabara de chegar à mansão, entrou na sala de segurança.

"O que aconteceu?"

Ninguém respondeu.

Ela olhou para a tela.

E ficou imóvel.

O homem que entrara no escritório de Dante era Marcelo Ferraz.

Helena perdeu a cor.

"Não."

Bruno pausou a imagem.

Dante não desviou os olhos.

Helena aproximou-se.

"Ele levou o caderno?"

"Sim."

"E os documentos?"

"Também."

Ela fechou os olhos.

Marcelo.

Outra vez.

Quatro anos antes, ele levara o dinheiro.

Agora levara a única coisa que poderia provar o que Ricardo fizera.

Helena abriu os olhos.

A tristeza havia desaparecido.

No lugar dela havia raiva.

"Encontre ele."

Dante olhou para Helena.

Ela encarou a imagem congelada de Marcelo.

E repetiu:

"Antes que Ricardo encontre."

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