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"A Empregada Que Tocou o Piano do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — O Dinheiro do Meu Pai

正文开头

"Não toque em mim."

Dante parou.

Helena segurava a pasta contra o peito.

"Helena, escute."

"Eu escutei Marcelo durante anos."

"Eu não sou Marcelo."

"Ainda não sei quem você é."

A frase atingiu Dante.

Valentina observava os dois.

Satisfeita.

Dante virou para ela.

"Saia."

"Como?"

"Da minha casa."

Valentina endureceu.

"Eu trouxe a verdade."

"Você trouxe documentos que não sabe interpretar."

"Mas a assinatura..."

"É falsa."

Dante chamou Bruno.

"Leve dona Valentina até o portão."

Valentina olhou para Helena.

"Quando descobrir o resto, não diga que ninguém avisou."

Ela saiu.

Helena colocou os documentos sobre a mesa.

"Quero saber tudo."

"Vai saber."

"Hoje."

Dante pegou o telefone.

"Bruno."

O segurança reapareceu.

"Chame Ricardo."

Menos de uma hora depois, Ricardo Montenegro entrou no escritório.

Aos quarenta e três anos, ele tinha a mesma segurança arrogante que muitos confundiam com elegância.

Quando viu Helena, parou.

"O que a empregada está fazendo aqui?"

Dante fechou a porta.

"O nome dela é Helena."

Ricardo sorriu.

"Perdão."

Dante colocou o documento diante dele.

"O que é isso?"

Ricardo leu.

Nada mudou em seu rosto.

"Uma transferência antiga."

"Com minha assinatura falsificada."

"Está dizendo que fui eu?"

"Estou perguntando."

Ricardo olhou para Helena.

"Isso tem relação com Antônio Duarte?"

Helena sentiu um arrepio.

Ela não mencionara o nome do pai.

Dante também percebeu.

"Interessante."

Ricardo entendeu o erro.

"Ele prestou serviços para a família."

"Há muitos anos."

"Tenho boa memória."

Dante se aproximou.

"Então deve lembrar da RM Participações."

Ricardo ficou calado.

"Também deve lembrar por que o dinheiro destinado ao tratamento de Antônio passou por ela."

"Isso é absurdo."

"Responda."

Ricardo riu.

"Desde quando você interroga a própria família por causa de uma funcionária?"

Helena endureceu.

Dante não.

"Desde que minha família começou a falsificar minha assinatura."

Ricardo levantou.

"Tenha cuidado."

"Isso foi uma ameaça?"

"Um conselho."

Ricardo passou por Helena.

Antes de sair, parou.

"Seu pai deveria ter aprendido uma coisa."

Helena virou.

"O quê?"

Ricardo sorriu.

"Algumas portas devem permanecer fechadas."

Dante agarrou o braço do primo.

"Repita."

Ricardo olhou para a mão.

"Solte."

Dante soltou.

"Você não chega perto dela."

Ricardo ajeitou o paletó.

"Está cometendo um erro."

"Então me deixe cometer."

Ricardo saiu.

Helena estava pálida.

"Ele conhecia meu pai."

"Sim."

"E sabe alguma coisa."

"Sim."

"Você acredita em mim agora?"

Dante olhou para ela.

"Eu acreditei antes."

Helena não respondeu.

Naquela tarde, Dante levou Helena à Vila Mariana.

O endereço ficava numa rua tranquila.

Uma placa antiga permanecia sobre a fachada:

**Pianos Duarte — Afinação e Restauro.**

Helena parou na calçada.

"Como encontrou isso?"

"Registros antigos."

"Fechou depois que meu pai morreu."

A porta abriu.

Um homem idoso apareceu.

Seu Joaquim reconheceu Helena imediatamente.

"Meu Deus."

"Seu Joaquim."

Ele a abraçou.

"Você sumiu, menina."

"Eu não conseguia voltar."

"Eu sei."

Então Joaquim viu Dante.

Seu rosto mudou.

"Montenegro."

Dante estranhou.

"Nos conhecemos?"

"Não."

Joaquim abriu mais a porta.

"Mas Antônio sabia que um dia alguém da sua família apareceria."

正文1

Helena congelou.

"O quê?"

O velho caminhou até os fundos.

Havia dezenas de peças de piano cobertas por lençóis.

No canto estava um instrumento pequeno, antigo, com madeira escura.

Helena levou a mão à boca.

"O piano do meu pai."

"Guardei."

Ela se aproximou.

Passou os dedos pela madeira.

Dante permaneceu atrás.

Joaquim abriu uma gaveta e tirou uma pequena caixa.

"Antônio me entregou isso três semanas antes de morrer."

Helena virou.

"Por que nunca me contou?"

"Ele me proibiu."

"Meu pai morreu."

"Eu sei."

"Então por quê?"

Joaquim olhou para Dante.

"Porque ele disse que eu só poderia entregar quando um Montenegro viesse procurar respostas."

Dante se aproximou.

Joaquim abriu a caixa.

Dentro havia uma chave pequena.

Antiga.

Helena pegou.

"Do que é?"

Joaquim apontou para o piano.

"Seu pai instalou um compartimento ali."

Helena se ajoelhou.

Dante a ajudou a mover o instrumento.

Na parte inferior havia uma fechadura quase invisível.

Helena inseriu a chave.

Girou.

Um pequeno compartimento se abriu.

Dentro havia um envelope, um caderno de capa preta e uma fotografia.

Helena pegou a fotografia primeiro.

Antônio estava nela.

Muito mais jovem.

Ao lado dele havia uma mulher elegante.

Helena não a reconheceu.

Dante, sim.

Seu rosto perdeu toda a cor.

"Quem é?"

Ele não respondeu imediatamente.

Helena levantou-se.

"Dante."

Ele pegou a fotografia.

No verso, Antônio escrevera uma data.

Vinte e nove anos antes.

Dante finalmente olhou para Helena.

"Essa mulher é minha mãe."

"Teresa?"

"Sim."

Helena voltou a olhar para a fotografia.

Antônio e Teresa estavam diante daquele mesmo piano.

Muito próximos.

Próximos demais para parecer uma simples fotografia entre cliente e afinador.

Helena abriu o envelope.

Havia apenas uma frase escrita pela mão do pai:

**"Helena, se um Montenegro encontrou isto, significa que finalmente chegou a hora de você saber por que eu tive tanto medo."**

Abaixo havia outro nome.

**Ricardo Montenegro.**

E Dante percebeu que o segredo de Antônio Duarte não começara quatro anos antes.

Começara muito antes de Helena nascer.

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