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"A Empregada Que Tocou o Piano do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — O Homem Que Roubou Seu Futuro

正文开头

A pergunta de Dante ficou suspensa no salão.

Marcelo Ferraz não respondeu.

Valentina foi quem reagiu primeiro.

"Você foi noivo da empregada?"

"Valentina..."

"Não me chama assim."

Ela arrancou a mão da dele.

Helena sentiu dezenas de olhares sobre seu rosto.

Não queria explicar sua vida.

Não queria explicar Antônio.

Muito menos Marcelo.

"Com licença."

Ela começou a caminhar em direção à área de serviço.

Dante segurou seu braço.

Não com força.

Apenas o suficiente para fazê-la parar.

"Helena."

Ela olhou para a mão dele.

Dante a soltou imediatamente.

"Eu preciso voltar ao trabalho."

"Depois disso?"

"Principalmente depois disso."

Valentina soltou uma risada amarga.

"Claro. É o lugar dela."

Helena virou.

"Meu trabalho nunca me envergonhou."

Valentina ficou calada.

"Outras coisas me envergonharam."

Os olhos de Helena passaram por Marcelo.

"Mas trabalhar nunca."

Ela saiu.

Na cozinha, Helena apoiou as duas mãos numa bancada.

Respirou uma vez.

Duas.

Na terceira, os olhos encheram de lágrimas.

Quatro anos.

Ela acreditara que quatro anos fossem suficientes.

Não eram.

Antônio Duarte adoecera quando Helena tinha vinte e quatro anos.

No começo, ele escondia as dores.

Continuava saindo de casa com sua caixa de ferramentas.

"É só cansaço."

Não era.

Quando o diagnóstico chegou, Helena vendeu tudo que podia.

Depois começou a trabalhar em dois empregos.

Marcelo ainda era seu noivo.

Naquela época, ele prometia:

"Nós vamos passar por isso juntos."

Helena acreditou.

Havia um tratamento experimental.

Caro.

Talvez não funcionasse.

Mas era uma chance.

Helena guardou dinheiro durante meses.

Alguns amigos de Antônio ajudaram.

Um antigo cliente fez uma doação anônima.

O valor finalmente entrou na conta que Helena compartilhava com Marcelo.

Na manhã em que deveria pagar o hospital, o saldo estava quase zerado.

Marcelo desaparecera.

Telefone desligado.

Apartamento vazio.

Helena procurou por ele durante três dias.

Onze semanas depois, Antônio morreu.

Marcelo não apareceu no funeral.

Helena abandonou a música.

Precisava pagar aluguel.

Precisava comer.

Precisava sobreviver.

"Helena?"

Ela abriu os olhos.

Teresa Montenegro estava na porta da cozinha.

A mãe de Dante tinha sessenta e dois anos e uma elegância que fazia qualquer ambiente parecer menor.

"Está bem?"

"Sim, dona Teresa."

"Não está."

Helena limpou discretamente uma lágrima.

"Vou terminar meu turno."

Teresa observou o cartão aparecendo no bolso do avental.

"Augusto Valença deu isso a você?"

Helena assentiu.

"Não jogue fora."

Helena estranhou o tom.

"Conhece ele?"

"Conheço o suficiente para saber que Augusto não oferece ajuda por educação."

Teresa se afastou.

Antes de sair, olhou novamente para Helena.

Dessa vez, demorou alguns segundos a mais.

Como se tentasse reconhecer alguma coisa.

No salão, a situação era diferente.

Dante fechou as portas do escritório.

Marcelo estava diante dele.

"Quanto?"

Marcelo franziu a testa.

"Quanto o quê?"

"Dinheiro."

Dante apoiou as mãos na mesa.

"Você não abandona uma mulher como Helena e aparece quatro anos depois noivo de uma Albuquerque sem dinheiro envolvido."

Marcelo permaneceu calado.

Dante se aproximou.

"Quanto você tirou dela?"

正文1

Marcelo empalideceu.

"Quem contou?"

"Ninguém."

"Então não sabe do que está falando."

"Seu rosto sabe."

Marcelo desviou os olhos.

"Era dinheiro para o tratamento do pai dela."

Dante ficou imóvel.

"Quanto?"

Marcelo disse o valor.

Dante não demonstrou reação.

"Você roubou o tratamento de um homem doente?"

"Sim."

A resposta direta surpreendeu até Dante.

Marcelo continuou:

"Eu era ambicioso. Covarde. Queria sair daquela vida."

"E conseguiu."

"Consegui."

"Valeu a pena?"

Marcelo riu sem humor.

"Você viu meu rosto quando Helena sentou ao piano?"

Dante não respondeu.

"Então já sabe."

Marcelo caminhou até a janela.

"Mas o dinheiro não é a pior parte."

Dante estreitou os olhos.

"O que é?"

Marcelo olhou para ele.

"O pai dela."

"Antônio Duarte?"

Marcelo assentiu.

"Ele não era apenas um afinador."

"Continue."

"Durante anos, Antônio trabalhou para famílias importantes. Albuquerque. Sampaio. Vasconcelos."

Marcelo hesitou.

"E Montenegro."

Dante ficou sério.

"Meu pai?"

"Talvez."

"Talvez não é resposta."

"Antônio ouviu coisas."

"Que coisas?"

Marcelo respirou fundo.

"Coisas que alguém da sua família não queria que fossem ouvidas."

Dante se aproximou.

"Quem?"

Marcelo não respondeu.

Dante falou mais baixo.

"Se Helena perdeu o pai por causa de alguém da minha família, você vai me contar agora."

Marcelo olhou para a porta.

"Eu não tenho medo de você."

Dante quase sorriu.

"Tem."

Marcelo fechou a mão.

"Eu tenho medo do homem que você deveria estar procurando."

Dante permaneceu imóvel.

"Nome."

Marcelo respirou.

Mas antes de responder, alguém bateu à porta.

Bruno, chefe da segurança, entrou.

"Dante."

"O quê?"

"Encontramos uma coisa."

Bruno colocou uma folha sobre a mesa.

Era um extrato bancário antigo.

Dante examinou.

O dinheiro retirado da conta de Helena passara por três contas.

A última pertencia a uma empresa.

**RM Participações Ltda.**

Dante conhecia aquelas iniciais.

Levantou os olhos.

Marcelo percebeu.

"Agora entende?"

Dante dobrou o papel.

"Ricardo Montenegro."

Marcelo não confirmou.

Não precisava.

Dante saiu do escritório.

Encontrou Helena perto da escada de serviço.

Ela já havia trocado o avental.

"Helena."

Ela parou.

"Seu turno acabou?"

"Acabou."

"Então posso perguntar novamente."

Helena demorou um instante para entender.

Dante continuou:

"Jante comigo."

Apesar de tudo, ela quase sorriu.

"Você realmente esperou."

"Eu disse que esperaria."

"Por quê?"

"Porque quando eu dou minha palavra, tento não repetir os erros dos homens que você conheceu."

O sorriso desapareceu.

"Dante..."

"Não precisa responder hoje."

Helena segurou a bolsa.

"Boa noite."

Ela passou por ele.

Dante não a impediu.

Quando Helena chegou ao portão, ouviu passos.

Marcelo.

"Helena."

Ela virou.

"Não."

"Preciso explicar."

"Você teve quatro anos."

"Seu pai descobriu uma coisa."

Helena congelou.

Marcelo continuou:

"Foi por isso que Ricardo se aproximou de mim."

"O que você está dizendo?"

"Que eu roubei você."

A voz dele falhou.

"E vou carregar isso até morrer."

Helena sentiu raiva subir pelo peito.

"Então carregue."

"Mas eu não fui o único responsável pelo que aconteceu com Antônio."

Helena ficou branca.

"Não use meu pai para aliviar sua consciência."

"Helena..."

Ela se aproximou.

"O que meu pai descobriu?"

Marcelo olhou para a mansão.

Depois para ela.

E sussurrou:

"Uma coisa sobre os Montenegro."

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