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"A Filha da Empregada Quebrou a Regra Mais Temida do Chefe da Máfia" Capítulo 10 — A Empregada Que Todos Acusaram

正文开头

Marcelo Ferraz entrou na Mansão Montenegro às seis e quarenta da tarde.

Não estava algemado.

Ainda.

Dois policiais civis aguardavam discretamente do lado de fora da propriedade, depois de receberem parte do material entregue por Bruno.

Dante não queria que Marcelo soubesse.

Não antes de falar.

Isabela permaneceu no escritório.

"Você não precisa ficar", disse Dante.

"Preciso."

"Ele quer provocar você."

"Ele matou meu marido."

"É exatamente por isso."

Isabela olhou para Dante.

"Passei três anos sem poder fazer uma pergunta a ele. Hoje eu vou fazer."

Dante assentiu.

Dessa vez, não tentou impedi-la.

Sofia estava com Dona Teresa no andar superior.

Ricardo e Bruno permaneceram na sala.

Marcos esperava em outro cômodo.

Marcelo entrou sorrindo.

Seu terno estava impecável.

O anel vermelho continuava na mão direita.

"Que reunião."

Ninguém respondeu.

Ele olhou para Isabela.

"Você se meteu numa confusão grande para uma empregada."

Dante deu um passo.

Isabela ergueu a mão.

"Não."

Dante parou.

Ela queria responder.

"Meu nome é Isabela."

Marcelo sorriu.

"Eu sei."

"Claro que sabe."

Ela colocou sobre a mesa a fotografia de Rafael.

O sorriso dele diminuiu.

"Você conhecia meu marido."

"Conhecia muita gente."

"Você mandou matá-lo?"

Ricardo prendeu a respiração.

Marcelo olhou para Dante.

"Vai deixar sua funcionária me interrogar?"

Dante respondeu:

"Hoje, sim."

Marcelo voltou os olhos para Isabela.

"Rafael morreu num acidente."

"Mentira."

"Consegue provar?"

Isabela colocou uma cópia da transcrição do áudio sobre a mesa.

Marcelo não tocou.

Mas seus olhos mudaram.

"Marcos", murmurou.

Dante percebeu.

"Então reconhece."

"Reconheço a obsessão de Rafael."

Isabela avançou.

"Ele descobriu que você roubava."

"Seu marido descobriu coisas que não entendia."

"Explique para mim."

Marcelo riu.

"Você acha que um império como o Montenegro é construído só com prédios bonitos e reuniões na Faria Lima?"

Dante ficou frio.

"Não use meu nome para justificar seus crimes."

"Seus crimes?"

Marcelo olhou para ele.

"Você sempre gostou de fingir que não via a sujeira."

Dante não reagiu.

Marcelo continuou:

"Eu resolvia problemas. Contratos. Sindicatos. Terrenos. Gente que precisava mudar de ideia."

"Você roubou da empresa."

"Eu recebi pelo trabalho."

"Quatro milhões e oitocentos mil?"

"Uma parte."

Isabela sentiu náusea.

"Rafael descobriu."

"Rafael era idealista."

"Era honesto."

"Foi o problema dele."

A sala inteira ficou em silêncio.

Isabela apertou as mãos.

"Então foi você."

Marcelo percebeu tarde demais.

A frase tinha saído fácil demais.

Ele tentou corrigir.

"Não disse isso."

"Disse o suficiente."

Dante olhou para Bruno.

Bruno permaneceu imóvel.

A gravação escondida continuava funcionando.

Marcelo percebeu.

Seu rosto endureceu.

"Você está gravando."

Dante não respondeu.

Marcelo riu.

"Aprendeu com Rafael."

Isabela sentiu o peito apertar.

"Por que ele precisava morrer?"

Marcelo olhou diretamente para ela.

"Porque não queria apenas denunciar os desvios."

"Então?"

"Ele descobriu como o dinheiro era movimentado."

"Você já disse isso."

"Não todo."

Marcelo aproximou-se da mesa.

"Rafael encontrou a lista das empresas. Contas. Intermediários. Nomes."

Ricardo ficou tenso.

"Que nomes?"

Marcelo sorriu.

"Homens que não gostam de aparecer em planilhas."

正文1

Dante respondeu:

"Isso não explica por que matou Rafael."

"Ele ia entregar tudo."

"Para mim."

"Exatamente."

Dante entendeu.

"Você sabia que eu investigaria."

"Sabia que destruiria metade da operação para proteger o sobrenome Montenegro."

Dante deu um passo.

"E você decidiu destruir Rafael primeiro."

Marcelo não respondeu.

Não precisava.

Isabela sentiu as lágrimas chegarem.

"Ele implorou?"

Marcelo olhou para ela.

Dante interferiu.

"Isabela."

"Eu preciso saber."

Marcelo ficou em silêncio.

Ela repetiu:

"Rafael sabia que ia morrer?"

Pela primeira vez, Marcelo perdeu a arrogância.

"Ele sabia que estava em perigo."

Isabela levou a mão à boca.

"Ele falou de mim?"

Marcelo desviou os olhos.

Isso foi suficiente.

"Falou."

"Isabela..."

"FALA!"

Marcelo respirou fundo.

"Ele pediu para deixar você e Sofia fora disso."

Isabela chorou.

Dante se aproximou.

Desta vez ela não recuou quando ele colocou a mão em seu ombro.

Marcelo observou.

"Bonito."

Dante virou-se.

"Acabou."

"Você acha?"

Marcelo apontou para Isabela.

"Ela continua sendo a mulher que entrou na sua casa mentindo."

"Eu sei."

"Copiou informações."

"Não copiou."

"Seu usuário apagou arquivos."

"Um usuário criado por você."

Marcelo ficou imóvel.

Dante colocou a prova sobre a mesa.

"Quatro meses atrás."

Ricardo colocou outro documento.

"IP da sua diretoria."

Bruno acrescentou:

"E temos a recuperação parcial dos registros excluídos."

Marcelo olhou para os três.

Depois riu.

"Então vão entregar tudo à polícia?"

"Já entregamos", respondeu Dante.

O sorriso desapareceu.

"Você não faria isso."

"Já fiz."

"Vai expor o Grupo Montenegro."

"Se for necessário."

"Vai expor Ricardo."

Dante olhou para o primo.

"Se Ricardo cometeu crime, responde pelo que fez."

Ricardo abaixou a cabeça.

Marcelo não parecia acreditar.

"Você vai destruir seu próprio nome por uma empregada?"

Dante olhou para Isabela.

Depois respondeu:

"Não."

Marcelo sorriu.

Até Dante completar:

"Vou limpar meu nome por causa da verdade que uma empregada teve coragem de procurar quando todos nós escolhemos ignorar."

Isabela ficou imóvel.

Marcelo recuou.

Passos surgiram no corredor.

Dois investigadores entraram acompanhados por Bruno.

O rosto de Marcelo finalmente mudou.

"Você armou isso."

Dante respondeu:

"Não. Rafael armou há três anos."

Os policiais se aproximaram.

Marcelo olhou para Isabela.

"Você acha que venceu?"

Ela enxugou o rosto.

"Não."

Ele sorriu.

"Finalmente entendeu."

Isabela pegou a fotografia de Rafael.

"Eu não queria vencer."

A voz dela ficou firme.

"Eu queria que minha filha soubesse que o pai dela não morreu porque cometeu um erro."

Marcelo ficou calado.

"Agora ela vai saber."

Os policiais o levaram.

O anel vermelho desapareceu pelo corredor.

Isabela permaneceu imóvel.

Dante se aproximou.

"Acabou."

Ela balançou a cabeça.

"Ainda não."

Na manhã seguinte, o conselho do Grupo Montenegro se reuniu.

Onze diretores.

Advogados.

Auditores.

Ricardo.

Dante.

E Isabela.

Quando ela entrou usando o uniforme de empregada, alguns homens se entreolharam.

Um deles falou:

"Senhor Montenegro, não vejo motivo para uma funcionária doméstica estar presente."

Dante permaneceu sentado.

"Eu vejo."

Outro diretor colocou uma pasta sobre a mesa.

"A imprensa está destruindo a reputação do Grupo. Precisamos divulgar que Isabela Martins agiu sozinha."

Isabela sentiu o velho medo voltar.

Era exatamente o que Marcelo previra.

A pessoa mais fácil de sacrificar.

Dante perguntou:

"Mesmo sabendo que é mentira?"

"Precisamos proteger milhares de funcionários."

"Mentindo sobre uma?"

"É uma questão empresarial."

Dante levantou-se.

"Então escutem como empresário."

A sala silenciou.

"Isabela Oliveira Martins não roubou documentos. Não desviou dinheiro. Não invadiu nossos sistemas."

Ele colocou as provas diante deles.

"Ela foi usada como bode expiatório por pessoas que trabalharam nesta empresa durante anos."

Um diretor protestou.

"Dante..."

"Não terminei."

Dante apontou para Isabela.

"Se alguém nesta sala pretende salvar o Grupo Montenegro destruindo o nome dela, pode entregar sua carta de demissão agora."

Ninguém falou.

Isabela sentiu os olhos arderem.

Pela primeira vez em três anos, um homem poderoso não estava pedindo que ela ficasse calada para proteger uma empresa.

Estava obrigando a empresa a escutá-la.

Dante olhou para todos.

"Ela não trouxe vergonha para esta casa."

Depois olhou para Isabela.

"Ela trouxe a verdade."

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