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"A Filha da Empregada Quebrou a Regra Mais Temida do Chefe da Máfia" Capítulo 8 — O Segredo de Ricardo

正文开头

"Isso é impossível."

Dante falou primeiro.

Ricardo não desviou o olhar.

"Eu vi a gravação."

"Eu não estava naquela obra."

"Eu sei."

Isabela olhou para os dois.

"Como você pode saber?"

Ricardo respondeu:

"Porque Dante estava comigo."

Dante franziu a testa.

"Onde?"

"No Hospital Santa Cecília."

Dante lembrou.

Naquele dia, Teresa sofrera uma queda.

Ele e Ricardo haviam passado parte da manhã no hospital.

"Então o vídeo era falso."

"Sim."

Isabela não entendia.

"Se sabia que era falso, por que apagou?"

Ricardo sentou-se.

Pela primeira vez, parecia cansado.

"Porque eu entrei em pânico."

Dante riu sem humor.

"Você sempre teve uma forma peculiar de proteger a família."

"Eu tinha trinta anos."

"Rafael morreu!"

"Eu sei!"

Ricardo bateu a mão na mesa.

Sofia, que estava com Teresa no andar superior, não podia ouvir.

Ainda assim, todos diminuíram a voz.

Ricardo respirou fundo.

"Quando cheguei à obra, Rafael já estava morto. Marcelo estava lá."

Isabela ficou rígida.

"Marcelo viu meu marido morrer?"

"Sim."

"E não disse nada?"

"Disse que foi acidente."

"Você acreditou?"

"Durante dez minutos."

Ricardo encarou Dante.

"Então encontrei o servidor das câmeras."

Havia um arquivo de vídeo.

Dante aparecia entrando no canteiro às 9h11.

Às 9h34, a estrutura caiu.

"Marcelo disse que, se aquele vídeo chegasse à polícia, Dante seria investigado."

"Então você apagou."

"Sim."

"Sem falar comigo."

"Eu pensei que estava salvando você."

"Você salvou Marcelo."

Ricardo abaixou a cabeça.

Isabela sentia raiva demais para chorar.

"Três anos."

Ela se aproximou.

"Durante três anos, você sabia que alguma coisa estava errada."

"Sim."

"E nunca me procurou."

"Eu tentei descobrir sozinho."

"Não perguntei isso."

Ricardo não respondeu.

Isabela balançou a cabeça.

"Homens como vocês sempre acham que podem decidir quem merece saber a verdade."

Dante recebeu o golpe sem reagir.

Ricardo também.

"Rafael confiou em vocês."

Ela apontou para os dois.

"E um morreu. O outro apagou provas. E o terceiro..."

Olhou para Dante.

"O terceiro esqueceu."

"Eu não esqueci."

"Então o que fez durante três anos?"

Dante não encontrou resposta que fosse suficiente.

Ricardo tirou um telefone antigo do bolso.

"Foi por isso que procurei Marcos."

Isabela virou-se.

"O quê?"

"Marcos trabalhava com Rafael."

"Eu sei."

"Ele tinha uma cópia."

Dante se aproximou.

"Do vídeo?"

"Não. De uma gravação de áudio."

"Que gravação?"

"Rafael gravava reuniões escondido."

Isabela sentiu um arrepio.

"Marcos está vivo?"

Ricardo assentiu.

"Está."

"Onde?"

"Eu não sei exatamente."

Dante bateu na mesa.

"Pare de mentir."

"Não estou mentindo."

"Você disse que procurou Marcos."

"Encontrei uma forma de mandar mensagens. Ele muda de lugar constantemente."

"Por causa de Marcelo?"

"Por causa de todo mundo."

Ricardo abriu o telefone.

Havia uma mensagem recebida naquela manhã.

**ESTOU PRONTO.**

Abaixo havia um endereço.

Vila Madalena.

Dante chamou Bruno.

"Vamos."

Isabela imediatamente respondeu:

"Eu também."

"Não."

Ela o encarou.

Dante suspirou.

"Você vai dizer que não posso decidir por você."

"Finalmente aprendeu."

Apesar da tensão, Ricardo quase sorriu.

Dante lançou um olhar que apagou a reação.

正文1

---

O endereço levava a uma oficina fechada.

Bruno entrou primeiro.

Depois Dante.

Isabela e Ricardo vieram atrás.

"Marcos?"

Nenhuma resposta.

No fundo do imóvel, uma luz estava acesa.

Um homem saiu das sombras.

Barba longa.

Rosto cansado.

Isabela o reconheceu.

"Marcos."

Ele olhou para ela.

Os olhos se encheram.

"Você está igual."

"Você desapareceu."

"Eu precisava."

"Rafael confiava em você."

"Foi por isso que precisei desaparecer."

Isabela avançou.

"Você deixou Sofia e eu sozinhas."

Marcos baixou a cabeça.

"Eu sei."

"Então me dê uma razão para não odiar você."

Ele tirou um gravador pequeno do bolso.

"Porque eu guardei isso."

Colocou sobre uma mesa.

"Rafael me entregou na noite anterior à morte."

Isabela não tocou.

"O que tem aí?"

"A razão pela qual ele morreu."

Dante aproximou-se.

"Ouça."

Marcos apertou o botão.

Chiado.

Depois a voz de Rafael.

Isabela levou a mão à boca.

Três anos.

Fazia três anos que não ouvia aquela voz.

"Se alguém encontrar esta gravação, é porque eu não consegui entregar os documentos."

Pausa.

"Os desvios começaram pequenos. Depois vieram as empresas fantasmas, os contratos falsos e o material adulterado."

Outro ruído.

"Mas não é só dinheiro."

Dante olhou para Marcos.

A gravação continuou.

"Marcelo está usando obras do Grupo Montenegro para esconder dinheiro de operações que Dante não autorizou."

Ricardo ficou pálido.

"Eu tentei falar com Ricardo. Ele está com medo."

Isabela fechou os olhos.

Então veio a frase seguinte.

"Se eu morrer, não foi acidente."

Silêncio.

Respiração.

Rafael voltou a falar.

"Quem está por trás disso é Marcelo Ferraz."

Isabela começou a chorar.

Mas a gravação ainda não havia terminado.

"Existe alguém dentro do Grupo ajudando Marcelo. Eu ainda não sei quem."

Dante olhou para Ricardo.

Ricardo balançou a cabeça.

"Não sou eu."

A voz de Rafael voltou.

"Tenho uma cópia de tudo. Marcos sabe onde."

A gravação terminou.

Ninguém falou.

Isabela enxugou o rosto.

"Cadê a cópia?"

Marcos apontou para uma pequena caixa metálica.

"Ali."

Bruno abriu.

Havia um disco rígido.

Dante pegou.

"Isso acaba hoje."

Marcos balançou a cabeça.

"Não."

Dante olhou para ele.

"Por quê?"

"Porque você ainda não entendeu."

"O quê?"

"Marcelo não estava roubando só de você."

"De quem?"

Marcos respondeu:

"De gente que não aceita perder dinheiro."

Dante não demonstrou medo.

"Problema dele."

Marcos encarou Isabela.

"Não. Agora é problema de todos vocês."

O celular de Dante tocou.

Era a central de segurança do Grupo Montenegro.

Ele atendeu.

"Fale."

O funcionário estava desesperado.

"Senhor Montenegro, alguém entrou no sistema."

"Qual sistema?"

"Todos."

Dante ficou imóvel.

"Explique."

"Os arquivos do projeto Morumbi estão sendo apagados."

"Bloqueie o acesso."

"Não conseguimos."

"Quem está logado?"

Houve uma pausa.

Dante olhou para Isabela.

"O nome."

A resposta veio.

Dante não disse nada por alguns segundos.

Isabela percebeu.

"Quem?"

Ele abaixou o telefone.

"O acesso está registrado no seu usuário."

Isabela ficou branca.

"Eu nem tenho acesso ao sistema."

Dante continuou olhando para ela.

Marcos fechou os olhos.

Ricardo murmurou:

"Marcelo."

Isabela entendeu.

Não bastava apagar as provas.

Marcelo estava preparando alguém para levar a culpa.

Ela.

A empregada.

A viúva.

A mulher que entrara escondendo suas verdadeiras intenções.

A pessoa perfeita para ser acusada.

O telefone de Bruno vibrou.

Ele leu a mensagem.

"Dante."

"O quê?"

Bruno virou a tela.

Uma notícia acabara de aparecer em um portal de São Paulo.

FUNCIONÁRIA DO GRUPO MONTENEGRO É INVESTIGADA POR ROUBO DE DOCUMENTOS E FRAUDE MILIONÁRIA.

Abaixo estava uma fotografia.

Isabela usando seu uniforme de empregada.

E ao lado dela, Sofia.

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