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"A Filha da Empregada Quebrou a Regra Mais Temida do Chefe da Máfia" Capítulo 1 — A Cadeira Vazia

正文开头

Às oito e dezessete de uma quinta-feira, Sofia Martins entrou na sala de jantar da Mansão Montenegro segurando um pedaço de papel amassado.

Tinha três anos.

E nenhuma ideia de que acabara de entrar no lugar mais perigoso da casa.

Quatro homens de terno escuro estavam distribuídos entre as portas. Outros dois permaneciam perto das enormes janelas que davam para o jardim.

No centro da mesa, Dante Montenegro jantava sozinho.

Aos trinta e oito anos, ele era um dos empresários mais poderosos de São Paulo.

Nos jornais, aparecia como presidente do Grupo Montenegro.

Nos lugares onde jornalistas não entravam, seu nome significava outra coisa.

Ninguém se aproximava de Dante sem ser chamado.

Ninguém, exceto Sofia.

A menina atravessou a sala com seus sapatinhos pretos, parou ao lado dele e apontou para a cadeira vazia.

"Moço..."

Dante ergueu os olhos.

"Posso jantar com você?"

Um dos seguranças prendeu a respiração.

A cadeira ao lado de Dante estava vazia havia doze anos.

Ninguém recebera ordem para não se sentar ali.

Não era necessário.

Todos sabiam.

Aquele lugar pertencia à pessoa em quem Dante mais confiava.

Havia doze anos, não pertencia a ninguém.

"Sofia!"

Isabela Oliveira Martins surgiu na porta carregando uma bandeja de café.

Seu rosto perdeu a cor.

Ela usava o uniforme tradicional das funcionárias da mansão, vestido preto de mangas compridas e avental branco.

"Desculpe, senhor Montenegro."

Ela colocou a bandeja sobre um aparador.

"Sofia, venha aqui."

Dante levantou dois dedos.

Isabela parou.

"Deixe."

"Senhor Montenegro..."

"Eu disse que pode ficar."

Sofia subiu na cadeira.

Dante observou a menina.

"Você não deveria estar jantando lá embaixo?"

"Minha mãe fez macarrão."

"Então por que está aqui?"

Sofia olhou para ele com absoluta seriedade.

"Porque você estava sozinho."

Um dos homens desviou o rosto para esconder a reação.

Dante percebeu.

"Algum problema, Bruno?"

"Não, senhor."

Sofia olhou a mesa.

"Você tem muita comida."

"Tenho."

"Mas não tem ninguém."

Dessa vez, ninguém ousou reagir.

Dante olhou para Isabela.

"Ela sempre fala assim?"

"Ela tem três anos."

"Não foi isso que perguntei."

Isabela apertou as mãos.

"Quase sempre."

Dante fez um gesto para a funcionária próxima à cozinha.

"Traga um prato para ela."

"Senhor Montenegro, não precisa."

"Eu sei."

Pouco depois, Sofia recebeu frango, purê e legumes.

Ela franziu o nariz.

"Cadê o macarrão?"

Dante virou lentamente o rosto para a cozinha.

Cinco minutos depois, uma pequena tigela de macarrão apareceu.

Sofia sorriu.

"Obrigada."

Pela primeira vez naquela noite, o canto da boca de Dante quase se moveu.

Isabela percebeu.

E aquilo a assustou mais do que a frieza dele.

Sofia começou a comer.

Por alguns minutos, houve silêncio.

Até que ela perguntou:

"Você é rei?"

"Não."

"Tem casa grande."

"Isso não me transforma em rei."

"Tem guardas."

"Bancos também têm."

"Você é banco?"

"Não."

"Então o que você é?"

Isabela quase deixou cair a jarra que segurava.

Dante limpou a boca com o guardanapo.

正文1

"Empresário."

Sofia aceitou.

"Meu papai também trabalhava."

Dante olhou para ela.

"O que ele fazia?"

"Construía prédios."

Isabela ficou imóvel.

Dante percebeu.

"Qual empresa?"

"Não é importante."

A resposta veio rápida demais.

Dante virou-se para ela.

"Perguntei à Sofia."

A menina tentou enrolar o macarrão.

"Ferraz..."

Isabela fechou os olhos.

"Ferraz e Montenegro", completou Sofia.

Dante parou.

Na entrada lateral da sala, Ricardo Montenegro acabava de chegar.

Ele também parou.

Dante percebeu.

"Quando?"

Isabela respirou fundo.

"Três anos atrás."

"O nome dele."

"Rafael Martins."

Ricardo desviou os olhos.

Dante viu novamente.

Antes que pudesse perguntar, Sofia colocou sobre a mesa o papel que carregava.

Era o verso de um comprovante de supermercado.

Havia datas.

Valores.

Duas placas de carro.

Um número de telefone.

E três palavras:

MARCOS SABE DE TUDO.

Dante ergueu o papel.

"O que é isso?"

"Os números da mamãe."

Isabela avançou.

"Sofia."

"Ela escreve quando chora."

"Sofia, chega."

Dante levantou a mão.

"Quem é Marcos?"

Isabela ficou em silêncio.

Sofia respondeu:

"Amigo da mamãe."

"Que tipo de amigo?"

"Ele traz papéis."

Isabela puxou a filha pela mão.

"Chega."

Dante se levantou.

A sala inteira pareceu encolher.

"Isabela."

Ela finalmente o encarou.

"Esses números têm relação com a morte do seu marido?"

Os olhos dela se encheram de medo.

Mas Dante conhecia o medo que provocava nas pessoas.

Aquele não era medo dele.

Era medo de outra pessoa.

Sofia abraçou a cintura da mãe.

"O homem ruim voltou ontem."

Dante abaixou os olhos para ela.

"Que homem?"

"O do anel."

Ricardo ficou rígido.

Dante percebeu.

"Que anel, Sofia?"

"Vermelho."

Dante virou-se.

"Ricardo."

O primo permaneceu calado.

"Quem usa um anel com pedra vermelha?"

Ricardo respondeu quase num sussurro:

"Marcelo Ferraz."

Isabela empalideceu.

Marcelo era diretor da divisão imobiliária do Grupo Montenegro.

Também administrava os antigos contratos da Construtora Ferraz & Montenegro.

Inclusive o empreendimento onde Rafael havia morrido.

Dante dobrou o papel.

"Bruno."

"Senhor?"

"Tranque a mansão."

Isabela arregalou os olhos.

"O quê?"

"Ninguém entra. Ninguém sai."

"Você não pode nos prender aqui."

"Alguém ligado à minha empresa ameaçou uma funcionária dentro da minha propriedade. Posso descobrir quem."

Ele encarou Ricardo.

"Encontre Marcos."

"Não!"

Todos olharam para Isabela.

Ela respirava depressa.

"Não procure por ele."

"Por quê?"

"Porque, se você encontrar Marcos, eles também encontram."

"Eles quem?"

Isabela percebeu tarde demais.

Dante deu um passo em sua direção.

"Quem são eles?"

Antes que ela respondesse, três batidas vieram do corredor de serviço.

Tum.

Tum.

Tum.

Ricardo ficou branco.

"Esse corredor está trancado pelo lado de fora."

Outra batida.

Então uma voz masculina atravessou a porta.

"Dante?"

Sofia apertou a mão da mãe.

A voz continuou:

"Você está procurando Marcos."

Dante caminhou até a porta.

Quando estendeu a mão para a maçaneta, ela começou a girar sozinha.

Alguém estava abrindo a porta do outro lado.

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