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"O Chefe da Máfia Provou Minha Comida… E Mandou Trancar o Restaurante" Capítulo 9 — A Dívida de Dante Montenegro

正文开头

Dante ouviu a gravação sozinho.

Ou tentou.

Ficou sentado no antigo porão da Padaria Santa Rosa, com a pequena fita digitalizada diante dele e os fones sobre a mesa.

Não conseguiu apertar o botão.

Isabela permaneceu perto da escada.

Não disse nada.

Augusto e Marcelo já tinham sido levados para prestar depoimento.

Bruno acompanhava tudo.

Dona Rosa voltara ao hospital.

Sofia estava segura.

Mesmo assim, Dante parecia um homem que acabara de perder alguma coisa.

"Quer que eu vá embora?", perguntou Isabela.

"Não."

Ela se aproximou.

"Quer que eu fique quieta?"

"Também não."

"Está dificultando."

Ele soltou um riso curto.

"Você é boa em falar quando ninguém quer ouvir."

"Posso começar."

Dante finalmente olhou para ela.

"Meu pai entregou minha mãe."

"Ainda não sabemos exatamente o que aconteceu."

"Rosa confirmou."

"Rosa confirmou que ele entregou alguma coisa. Não sabemos por quê."

"Existe algum motivo que melhoraria isso?"

"Não sei."

Dante passou a mão pelo rosto.

"Meu pai me ensinou uma coisa desde criança: família não se entrega."

"E cumpriu?"

"Não."

"Então talvez você tenha aprendido a regra errada."

Ele ficou em silêncio.

Isabela apontou para a gravação.

"Escuta."

Dante olhou para ela.

"Se for verdade, vai continuar sendo verdade depois que você ouvir."

"E se eu não quiser saber?"

"Então passa o resto da vida imaginando uma coisa pior."

Ele respirou fundo.

Apertou o botão.

Primeiro veio um chiado.

Depois uma voz jovem.

Rafael.

"Dona Rosa, se alguma coisa acontecer comigo, entregue isso ao Dante."

Dante fechou os olhos.

A voz continuou.

"Augusto não começou tudo. Meu pai começou."

Dante segurou a borda da mesa.

"Quando mamãe descobriu as contas, papai tentou convencer ela a ficar calada. Ela recusou."

Outro ruído.

"Ele contou para Augusto onde ela estava."

Isabela olhou para Dante.

O rosto dele não se moveu.

"Augusto mandou homens atrás dela. Papai se arrependeu depois. Foi por isso que ajudou a fingir a morte."

Rafael respirou fundo na gravação.

"Mas ele nunca contou para nós."

Dante murmurou:

"Covarde."

A fita continuou.

"Eu descobri porque Augusto começou a me seguir depois que soube da Camila."

Isabela ficou rígida.

"Ele sabe que ela está grávida."

A voz de Rafael ficou mais baixa.

"Eu quero tirar Camila disso. Minha filha não vai crescer no meio dessa família."

Isabela levou a mão à boca.

Rafael sabia.

Não apenas da gravidez.

Da filha.

"Se eu conseguir sair de São Paulo, vou contar tudo ao Dante."

Houve uma pausa.

"Se eu não conseguir..."

A gravação chiou.

"...não deixem Augusto chegar perto da minha filha."

Dante não se mexeu.

Isabela retirou os fones.

"Ele estava tentando proteger Sofia."

"Meu irmão morreu por isso."

"Talvez."

"Não é talvez."

Dante levantou-se.

"Augusto descobriu. Rafael morreu uma semana depois."

Isabela segurou seu braço.

"Não faz nada agora."

Ele olhou para a mão dela.

"Você acha que vou matar meu tio?"

"Eu acho que você está com raiva."

"Isso não respondeu."

正文1

"Porque não conheço todos os limites de Dante Montenegro."

Ele ficou muito quieto.

Depois perguntou:

"Você tem medo de mim?"

Isabela pensou antes de responder.

"Às vezes."

A resposta doeu mais do que uma mentira teria doído.

Dante assentiu.

"Obrigado."

"Por quê?"

"Por não mentir."

Na manhã seguinte, Isabela entrou no Hospital Santa Cecília com Sofia.

Dona Rosa estava acordada.

Sofia correu para a cama.

"Vó!"

Rosa a abraçou.

"Minha menina."

"Você assustou todo mundo."

"Eu sei."

"Não pode mais fugir do hospital."

Rosa sorriu.

"Sim, senhora."

Sofia apontou para si mesma.

"Eu sou uma Montenegro?"

Rosa perdeu o sorriso.

Isabela fechou os olhos.

"Sofia..."

"Todo mundo sabe menos eu."

Rosa segurou as mãos da menina.

"Seu pai era Rafael Montenegro."

"Ele sabia que eu existia?"

"Sabia."

"Ele queria me conhecer?"

Rosa começou a chorar.

"Mais do que qualquer coisa."

Sofia também chorou.

"Então por que não conheceu?"

Rosa olhou para Isabela.

Depois respondeu:

"Porque morreu antes de conseguir."

Sofia baixou a cabeça.

"Ele era ruim?"

"Não."

Dante respondeu da porta.

Todos olharam.

Ele entrou.

"Seu pai era teimoso, barulhento e roubava minhas camisas."

Sofia enxugou o rosto.

"Isso é ruim."

"Era muito ruim."

Ela quase sorriu.

Dante aproximou-se.

"Mas ele era corajoso."

"Mais que você?"

Dante pensou.

"Em algumas coisas."

Sofia olhou para ele.

"Eu pareço com ele?"

Dante tirou do bolso uma fotografia.

Entregou.

Rafael sorria para a câmera.

Sofia ficou olhando.

"Os olhos."

"Sim."

Ela abraçou a fotografia.

Dante desviou o rosto.

Isabela viu.

Rosa também.

Naquela tarde, um advogado do Grupo Montenegro chegou à mansão.

Explicou tudo.

Rafael criara um instrumento sucessório.

Se um descendente biológico fosse comprovado, vinte e dois por cento da participação pessoal dele passaria ao herdeiro.

Sofia era a única.

"Então ela fica rica?", perguntou Isabela.

O advogado ajeitou os óculos.

"Ela já é."

Isabela odiou a frase.

"Ela tem doze anos."

"Por isso os ativos serão administrados..."

"Por mim", disse Dante.

Isabela virou imediatamente.

Ele corrigiu:

"Se Isabela concordar."

Ela o observou.

Dante continuou:

"Ou por um administrador independente."

O advogado pareceu surpreso.

"Senhor Montenegro..."

"Não estou pedindo opinião."

Isabela ergueu uma sobrancelha.

Dante percebeu.

"Velhos hábitos."

"Percebi."

Sofia, sentada no sofá, perguntou:

"Posso não querer?"

Todos olharam para ela.

"O quê?", perguntou Isabela.

"Ser rica."

Dante sentou-se diante dela.

"Dinheiro não pergunta."

"Isso é uma frase muito estranha."

"Eu sei."

"Eu quero continuar na minha escola."

"Pode."

"Quero morar com minha tia."

"Vai."

"E não quero um monte de segurança me seguindo."

Dante olhou para Isabela.

Ela esperou.

"Vamos negociar essa parte."

Sofia suspirou.

"Você é mesmo meu tio."

Mais tarde, Isabela encontrou Dante no jardim.

"Obrigada."

"Por quê?"

"Por não tentar levar Sofia."

Ele pareceu ofendido.

"Você achou que eu faria isso?"

"Há três dias eu não sabia o que você faria."

"E agora?"

"Agora sei um pouco mais."

Dante olhou para ela.

"Isso é bom?"

"Não se anima."

Ele sorriu.

Isabela se aproximou.

"Tem outra coisa."

"O quê?"

"Marcelo."

Dante ficou sério.

"Ele quer negociar."

"Com quem?"

"Com a promotoria."

"Vai entregar Augusto?"

"Provavelmente."

"E Rafael?"

"Também."

Isabela respirou fundo.

"Então acabou."

Dante olhou para a mansão.

"Não."

"Não?"

"Tem alguma coisa errada."

"Com o quê?"

"Rafael disse na gravação que Augusto sabia sobre Camila."

"Sim."

"Mas Augusto passou treze anos procurando Sofia."

Isabela entendeu.

"Se ele sabia que Camila estava grávida..."

"Por que não sabia onde a criança estava?"

Os dois ficaram em silêncio.

Dante continuou:

"Alguém escondeu Sofia dele."

"Minha mãe?"

"Talvez."

Isabela balançou a cabeça.

"Ela teria contado."

"Tem certeza?"

Não.

Depois de tudo, não tinha.

O telefone de Dante tocou.

Bruno.

"Fala."

Ele ouviu.

Seu rosto mudou.

"Repete."

Isabela se aproximou.

Dante colocou no viva-voz.

Bruno falou:

"Encontramos o prontuário do acidente de Rafael."

"E?"

"O homem que morreu no carro foi identificado como Rafael Montenegro."

"Eu sei."

"Mas Rafael não estava sozinho."

Isabela sentiu o coração acelerar.

"Havia uma mulher no carro."

Dante perguntou:

"Quem?"

"Camila Oliveira."

Isabela ficou branca.

"Minha irmã?"

Bruno continuou:

"Ela sobreviveu."

Isabela quase deixou o telefone cair.

"O quê?"

"Camila não desapareceu antes do acidente."

Bruno respirou.

"Ela desapareceu depois."

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