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"O Chefe da Máfia Provou Minha Comida… E Mandou Trancar o Restaurante" Capítulo 7 — Sua Mãe Não Morreu Naquele Dia

正文开头

A Padaria Santa Rosa estava fechada havia dezenove anos.

A placa ainda permanecia na fachada.

Desbotada.

Uma letra quase caída.

Isabela chegou poucos minutos depois de Dante.

Quando desceu do carro, ele franziu a testa.

"Como você soube?"

"Hospital."

"Você deixou Sofia?"

"Com Lúcia, que voltou mais cedo."

Dante assentiu.

Não perguntou mais.

Isabela percebeu.

"Você não vai dizer que eu deveria ter ficado?"

"Você teria vindo mesmo."

"Sim."

"Então economizei uma discussão."

Ela olhou para ele.

"Está aprendendo."

"Devagar."

Bruno abriu a porta da padaria.

O cheiro era de poeira e madeira velha.

Dona Rosa estava sentada numa cadeira no fundo.

Isabela correu.

"Mãe."

"Estou bem."

"Você saiu do hospital com Marcelo!"

"Eu precisava."

"Não precisava de nada."

Rosa segurou o rosto da filha.

"Precisava terminar uma coisa que comecei antes de você nascer."

Dante aproximou-se.

"Minha mãe estava viva."

Rosa fechou os olhos.

"Você viu a gravação."

"Vi."

"Então chegou a hora."

Isabela sentou-se ao lado dela.

"Hora de quê?"

"Da verdade."

Rosa respirou fundo.

"Helena Montenegro descobriu que empresas da família estavam sendo usadas para esconder dinheiro de atividades ilegais."

Dante não reagiu.

Aquilo não o surpreendia.

"Meu pai?"

"Seu pai sabia de uma parte."

"E Augusto?"

"Augusto comandava a maior parte."

Dante apertou a mandíbula.

"Minha mãe descobriu."

"Sim."

"Então fingiram a morte dela."

"Helena precisava desaparecer."

"Meu pai sabia?"

Rosa hesitou.

"Sabia."

Dante virou o rosto.

"Ele deixou dois filhos acreditarem que a mãe estava morta."

"Para manter vocês vivos."

"Todo mundo usa essa desculpa."

Rosa olhou para ele.

"Eu sei."

Isabela observou Dante.

A frase dela voltava por outra boca.

Controle.

Proteção.

Segredos.

Tudo naquela família parecia ser feito em nome do amor.

E quase sempre destruía alguém.

"Para onde Helena foi?", perguntou Isabela.

"Paraná. Depois Uruguai."

"E morreu quando?"

Rosa ficou quieta.

Dante percebeu.

"Quando?"

"Seis anos depois."

Ele fechou os olhos.

Tivera vinte e três.

Durante seis anos, sua mãe estivera viva.

"Ela tentou falar comigo?"

Rosa começou a chorar.

"Todos os dias."

Dante virou-se.

Caminhou até a janela coberta de poeira.

Ninguém tentou tocá-lo.

Depois de alguns minutos, perguntou:

"A caixa."

Rosa enxugou o rosto.

"Helena me entregou documentos, gravações e um livro-caixa."

"Por que você?"

"Porque eu era invisível."

Isabela franziu a testa.

"Como assim?"

"Eu limpava a padaria. Limpava escritórios. Servia café. Pessoas poderosas falam na frente de mulheres como eu porque acreditam que a gente não existe."

Dante olhou para ela.

Rosa sorriu tristemente.

"Foi o erro deles."

"Armário 17", disse Isabela.

Rosa assentiu.

"A caixa que levaram da minha casa era uma distração."

"Então não havia nada importante?"

"Receitas velhas."

Isabela quase riu de nervoso.

"Você deixou alguém invadir sua casa por receitas?"

"Minhas receitas são importantes."

"Mãe."

"Mas não para Augusto."

Dante se aproximou.

"Onde está o verdadeiro material?"

Rosa apontou para o fundo.

"Debaixo da padaria existe um depósito."

Bruno encontrou a escada.

Desceram.

O porão estava cheio de estantes enferrujadas.

正文1

Na parede havia antigos armários de funcionários.

12.

13.

14.

15.

16.

17.

Isabela retirou a chave do envelope.

Encaixou.

A fechadura girou.

Dante abriu a porta.

Dentro havia uma caixa metálica.

A verdadeira.

Fotografias.

Fitas.

Documentos.

Um livro-caixa grosso.

E cartas.

Dante pegou uma.

Seu nome estava escrito.

"Dante."

A letra era de Helena.

As mãos dele começaram a tremer.

Isabela percebeu.

Não falou nada.

Ele abriu.

Leu apenas as primeiras linhas.

Depois fechou.

"Não consigo."

Isabela se aproximou.

"Não precisa agora."

"Esperei vinte e cinco anos."

"Então mais uma hora não vai matar você."

Ele olhou para ela.

Havia algo diferente naquele olhar.

Sem ordem.

Sem armadura.

"Como você faz isso?"

"O quê?"

"Fala comigo como se eu fosse normal."

"Você quer que eu trate você como chefe da máfia?"

"Não."

"Então pronto."

Dante soltou uma pequena risada.

Depois ficou sério.

"Isabela."

"Hum?"

"Sobre o que você disse."

"Qual parte? Eu disse muitas coisas desagradáveis."

"Controle."

Ela esperou.

"Você estava certa."

Isabela não respondeu.

Dante continuou:

"Eu não sei proteger alguém sem tentar controlar tudo."

"Então aprende."

"Você ensina?"

"Não."

Ele ergueu uma sobrancelha.

"Não?"

"Você tem quarenta e dois anos. Se vira."

Dante riu.

Dessa vez de verdade.

Isabela também.

Por um instante, o porão, as cartas e os vinte e cinco anos de segredos desapareceram.

Dante deu um passo mais perto.

Isabela não recuou.

O olhar dele desceu para a boca dela.

Ela percebeu.

O coração acelerou.

"Isso é uma péssima ideia", sussurrou.

"Provavelmente."

"Estamos num porão."

"Eu percebi."

"Minha mãe está lá em cima."

"Também percebi."

"Então..."

Um rangido interrompeu.

Passos.

Bruno apagou o sorriso imediatamente.

"Chefe."

Dante virou.

Uma sombra apareceu no topo da escada.

Depois outra.

Marcelo desceu primeiro.

Sem uniforme de chef.

Terno escuro.

Atrás dele vinha Augusto Montenegro.

Dante se colocou imediatamente diante de Isabela.

Ela tocou seu braço.

"Não faz isso."

"O quê?"

"Me colocar atrás de você."

Ele olhou para ela.

Então se moveu meio passo para o lado.

Ficaram lado a lado.

Augusto sorriu.

"Finalmente aprendeu alguma coisa."

Dante fechou a mão.

"O que você quer?"

Augusto olhou para o armário aberto.

"Exatamente o que sua mãe roubou de mim."

Rosa apareceu no alto da escada.

"Eu não roubei nada."

Augusto levantou os olhos.

Rosa continuou:

"Helena me entregou."

Augusto sorriu.

"Você sempre gostou de se imaginar heroína."

"Não."

Rosa segurou o corrimão.

"Eu só era a mulher que vocês nunca notavam."

Marcelo olhou para a caixa.

"Chega."

Isabela encarou-o.

"Você estava procurando isso desde o começo."

"Sim."

"O restaurante."

"Sim."

"A receita."

Marcelo sorriu.

"Também."

Dante virou-se lentamente.

"Você me levou até a Casa Rosália."

"Eu precisava que você provasse aquele prato."

Isabela sentiu um frio na barriga.

"Por quê?"

Marcelo respondeu:

"Porque Dona Rosa sabia que o único jeito de fazer Dante Montenegro abrir uma porta fechada havia vinte e cinco anos..."

Ele apontou para ela.

"...era colocar você na frente dele."

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