"O Chefe da Máfia Provou Minha Comida… E Mandou Trancar o Restaurante" Capítulo 3 — Minha Mãe Conhecia o Chefe da Máfia
Dante Montenegro não saiu do Hospital Santa Cecília durante toda a madrugada.
Isabela percebeu isso às quatro e vinte da manhã.
Ele permanecia no fim do corredor, sentado numa cadeira pequena demais para seu tamanho, com os cotovelos sobre os joelhos.
Bruno trouxera café.
Dante não tocara.
Sofia dormia com a cabeça no colo de Isabela.
"Ele ainda está aí?", perguntou a menina, sonolenta.
"Está."
"Ele é seu namorado?"
Isabela quase derrubou o copo.
"Claro que não."
Sofia olhou para Dante.
"Ele parece rico."
"Isso não transforma ninguém em namorado."
"E parece bravo."
"Isso ajuda menos ainda."
Sofia voltou a fechar os olhos.
A porta abriu.
O cardiologista saiu.
Isabela levantou-se imediatamente.
"Como ela está?"
"Estável."
Ela soltou o ar.
"O episódio foi provocado por estresse, mas conseguimos controlar. Quero mantê-la em observação."
"Posso entrar?"
"Uma pessoa."
Isabela olhou para Sofia.
Dante já estava de pé.
"Eu fico com ela."
Isabela hesitou.
"Bruno também está aqui."
Sofia abriu os olhos.
"Eu fico."
"Tem certeza?"
"Tenho."
Dante puxou uma cadeira e sentou-se a uma distância respeitosa.
"Eu não mordo."
Sofia analisou.
"Minha tia disse que você é perigoso."
Isabela fechou os olhos.
"Sofia."
Dante respondeu:
"Sua tia parece inteligente."
Sofia sorriu.
Isabela entrou no quarto.
Rosa estava acordada.
"Mãe."
"Isa."
Ela beijou sua testa.
"Você me assustou."
"Desculpa."
"Não pede desculpa por ficar doente."
Rosa olhou para a porta.
"Ele está aí?"
"Dante?"
A mãe assentiu.
"Está."
"Chama."
Isabela ficou séria.
"Tem certeza?"
"Tenho."
Minutos depois, Dante entrou sozinho.
Parou perto da porta.
Rosa fez um gesto.
"Chega mais perto, menino."
Isabela quase sorriu.
Pouquíssimas pessoas chamariam Dante Montenegro de menino e continuariam respirando tranquilamente.
Ele aproximou a cadeira.
Rosa olhou demoradamente para ele.
"Você ficou parecido com seu pai."
O rosto de Dante fechou.
"Espero que não."
"Por fora."
"Isso já é ruim."
"Seu pai não nasceu ruim."
"Não vim falar dele."
Rosa suspirou.
"Você continua fugindo."
"Eu vim porque você escreveu para sua filha."
"Então a carta chegou."
"Três meses atrasada."
Rosa olhou para Isabela.
"Marcelo."
"Você conhece ele?", perguntou Isabela.
"Conheço o suficiente."
"Por que entregou uma carta no restaurante?"
"Porque eu sabia que estavam me observando."
Dante inclinou-se.
"Quem?"
Rosa encarou-o.
"Augusto."
O quarto ficou silencioso.
"Ele apareceu ontem", disse Dante.
Rosa fechou os olhos.
"Então acabou o tempo."
"Por que meu tio está vivo?"
"Porque ele nunca morreu."
"Isso eu já descobri."
"Dante."
"Eu passei vinte e dois anos acreditando que ele estava morto."
"Era melhor assim."
Ele se levantou.
"Todo mundo adora decidir o que é melhor para mim."
Rosa não se intimidou.
"Você tinha vinte anos."
"Eu tinha idade suficiente."
"Não para sobreviver ao que estava acontecendo."
Dante ficou de costas.
Isabela observou.
Aquele homem controlava empresas, seguranças, políticos e criminosos.
Mas Rosa conseguia fazê-lo parecer novamente o garoto da fotografia.
"Mãe", disse Isabela, "o que havia na caixa?"
Rosa ficou quieta.
"Mãe."
"Provas."
"De quê?"
"De coisas que começaram antes de vocês dois se conhecerem."
Dante virou.
"Que coisas?"
Rosa fitou-o.
"Sua mãe não morreu quando disseram."
Ele parou.
Isabela sentiu o ar do quarto mudar.
"O quê?"
"Helena estava viva."
Dante se aproximou da cama.
"Não brinca comigo."
"Eu nunca brincaria com isso."
"Eu vi o caixão."
"Fechado."
"Meu pai identificou o corpo."
"Seu pai mentiu."
Dante apertou a mandíbula.
"Por quê?"
"Para proteger vocês."
"De quem?"
Rosa abriu a boca.
Mas os olhos perderam foco.
"Rosa?"
Ela olhou para Dante como se não soubesse quem ele era.
"Desculpa."
Dante congelou.
"Rosa."
"Você é amigo da Isabela?"
Isabela sentiu o peito apertar.
A memória da mãe tinha ido embora outra vez.
"Mãe, sou eu."
"Isa?"
"Sim."
Rosa sorriu.
"Você precisa buscar Sofia na escola."
"Ela está aqui."
"Não, hoje é terça."
Era sábado.
Isabela segurou sua mão.
"Tudo bem."
Rosa começou a murmurar.
"A menina não pode ficar sozinha."
Dante voltou a sentar.
"Que menina?"
Rosa piscou.
Por um instante, a lucidez retornou.
Ela apertou os dedos de Isabela.
"Não deixe Augusto encontrar a menina."
Isabela sentiu um arrepio.
"Que menina?"
Rosa olhou para ela.
"Sofia."
Isabela levantou-se tão rápido que a cadeira caiu.
Dante já estava na porta.
Sofia estava no corredor com Bruno.
Segura.
Isabela a abraçou com força.
"Tia, eu não consigo respirar."
"Desculpa."
Dante olhou para Bruno.
"Ninguém chega perto dela."
"Entendido."
Isabela virou-se.
"Não dá ordens sobre minha sobrinha."
"Acabamos de ouvir sua mãe dizer que Augusto está atrás dela."
"Isso não transforma você em responsável."
"Não."
Dante se aproximou.
"Transforma você em responsável por ouvir quando alguém sabe mais do que você."
Isabela ficou furiosa.
"Você não sabe nada sobre minha família."
"Eu sei que alguém entrou no apartamento."
"E eu sei que sua família trouxe isso até nós."
Dante parou.
Ela continuou:
"Antes de você aparecer, ninguém estava entrando na minha casa. Ninguém sabia o nome da Sofia."
"Augusto já sabia."
"Por sua causa."
"Talvez."
A resposta desarmou Isabela por um instante.
Dante não tentou se defender.
"É exatamente por isso que vocês não podem voltar para aquele apartamento."
"E para onde você acha que vamos?"
"Minha casa."
Isabela riu.
"Nem morta."
"Prefiro evitar essa opção."
"Não."
"Jardim Europa. Portaria. Câmeras. Segurança vinte e quatro horas."
"Não."
"Isabela."
"Eu disse não."
Sofia ergueu a mão.
Os dois olharam.
"Eu posso falar?"
Isabela suspirou.
"Pode."
"Se tem um velho assustador procurando por mim, talvez a casa com segurança seja uma boa ideia."
Dante olhou para Isabela.
Ela apontou o dedo.
"Nem pense em sorrir."
"Não estou."
"Está por dentro."
"Talvez."
Sofia sorriu.
Mas Bruno se aproximou.
"Chefe."
O rosto dele estava sério.
Entregou o celular.
Dante olhou para a tela.
Toda leveza desapareceu.
"O que foi?", perguntou Isabela.
Dante não respondeu.
Ela arrancou o aparelho da mão dele.
Era uma fotografia.
Sofia saindo da escola dois dias antes.
Tirada à distância.
No verso digital da imagem havia uma mensagem.
Dante leu em voz baixa:
"A menina pertence aos Montenegro."
Isabela sentiu as pernas perderem força.
Olhou para Sofia.
Depois para Dante.
"O que isso significa?"
Dante encarou a menina.
Pela primeira vez desde que Isabela o conhecera, ele não tinha resposta.
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