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"O Chefe da Máfia Provou Minha Comida… E Mandou Trancar o Restaurante" Capítulo 2 — A Carta Que Minha Mãe Escondeu

正文开头

Dante entrou na cozinha antes que alguém pudesse falar.

"Repete."

O velho não se moveu.

"Você ouviu."

Dante caminhou até ele.

"Augusto Montenegro morreu há vinte e dois anos."

O homem sorriu.

"Foi o que disseram para você."

Bruno apareceu atrás de Dante.

Sua mão foi instintivamente para dentro do paletó.

Dante fez um gesto.

"Não."

Isabela olhava de um para o outro.

"Alguém pode me explicar o que está acontecendo?"

Augusto finalmente a encarou.

"Pergunte à sua mãe."

"Minha mãe está doente."

"Eu sei."

Isabela endureceu.

"Como você sabe?"

Marcelo interrompeu.

"Augusto, isso não fazia parte..."

Dante virou-se para ele.

"Você conhece esse homem?"

Marcelo calou.

Foi resposta suficiente.

Dante aproximou-se.

"Há quanto tempo?"

"Senhor Montenegro..."

"Há quanto tempo?"

"Alguns meses."

Dante agarrou a frente do dólmã dele.

Bruno fechou a porta da cozinha.

"Você colocou esse homem no meu caminho?"

"Eu não coloquei ninguém."

"Então por que ele está aqui?"

Marcelo respirava rápido.

"Porque Rosa começou isso."

Isabela avançou.

"Não coloque minha mãe nisso."

Marcelo levantou o envelope.

"Foi ela que colocou."

Isabela arrancou-o de sua mão.

Rasgou a aba.

Dante observou.

Não havia carta.

Uma chave pequena caiu sobre a bancada.

Depois uma fotografia.

Isabela pegou a foto.

Era antiga.

Mostrava a fachada da Padaria Santa Rosa.

Dona Rosa devia ter pouco mais de quarenta anos.

Atrás dela havia um rapaz magro.

Isabela reconheceu Dante apenas pelos olhos.

Dezessete anos.

No verso, uma frase.

Isabela leu.

"Isabela, se Dante Montenegro aparecer, não confie em ninguém."

Ela parou.

Havia mais.

"Nem nele."

Todos olharam para Dante.

Ele não demonstrou surpresa.

Apenas estendeu a mão.

"Posso?"

Isabela entregou a fotografia.

Dante releu.

"Ela sabia que eu apareceria."

"Como?"

Augusto bateu a bengala no chão.

"Essa é a pergunta certa."

Dante ergueu o rosto.

"Por que você está vivo?"

Augusto sorriu sem humor.

"Porque sua família sempre foi melhor em enterrar verdades do que pessoas."

Dante avançou.

Augusto não recuou.

"Seu pai disse que você morreu."

"Seu pai dizia muitas coisas."

"E você deixou que eu acreditasse."

"Era necessário."

"Para quem?"

"Para você."

Dante soltou uma risada seca.

"Não use essa palavra."

Isabela percebeu que havia raiva, mas também algo mais profundo.

Dante não estava apenas diante de um inimigo.

Estava diante de um fantasma.

Augusto olhou para a chave.

"Rosa guardou aquilo por vinte e cinco anos."

"O quê?", perguntou Isabela.

"Se ela ainda não contou, não cabe a mim."

"Você aparece no meu trabalho, conhece minha mãe, sabe meu nome e agora decide ser discreto?"

Augusto sorriu.

"Você é mesmo filha dela."

"Não fale como se conhecesse minha família."

"Conheci Rosa antes de você entender o que era uma família."

Isabela deu um passo à frente.

Dante segurou seu braço.

Ela olhou imediatamente para a mão dele.

Dante soltou.

"Desculpa."

Augusto observou a cena com atenção demais.

Depois se virou.

"Perguntem a Rosa sobre o armário."

"Que armário?", Dante perguntou.

正文1

"Ela vai saber."

Augusto caminhou até a saída.

Bruno bloqueou seu caminho.

"Chefe?"

Dante encarou o tio.

Tinha vinte e dois anos de perguntas diante dele.

Mesmo assim, respondeu:

"Deixa."

Bruno abriu passagem.

Augusto parou antes de sair.

Olhou para Isabela.

"Se eu fosse você, não demoraria para voltar para casa."

O sangue dela gelou.

"Por quê?"

Mas ele já havia saído.

Isabela tirou o avental.

"Eu vou embora."

Marcelo tentou segurá-la.

"Seu turno..."

Ela olhou para ele.

"Você escondeu uma carta da minha mãe por três meses."

"Eu posso explicar."

"Então explica para o meu advogado."

"Você não tem advogado."

"Vou arrumar um."

Dante falou atrás dela:

"Eu tenho."

Isabela virou.

"Eu não pedi."

"Eu sei."

"Não venha comigo."

"Também sei."

Ela pegou a bolsa.

Dante olhou para Bruno.

Não precisou dizer nada.

O apartamento de Dona Rosa ficava numa rua tranquila da Vila Mariana.

Isabela dirigiu depressa demais.

Ligou três vezes para a mãe.

Nada.

Ligou para Sofia.

A menina atendeu na segunda chamada.

"Tia?"

Isabela respirou.

"Você está bem?"

"Estou fazendo matemática."

"E a vovó?"

"Dormiu cedo."

"Tranca a porta."

"Já está trancada."

"Confere."

"Tia..."

"Sofia."

A menina percebeu o tom.

"Tá."

Isabela ouviu passos.

Depois silêncio.

"Tia."

"O quê?"

"A porta não está trancada."

Isabela apertou o volante.

"Sofia, vai para o seu quarto."

"Mas..."

"Agora."

Desligou.

Quando virou a esquina, viu um carro preto atrás.

Dante.

"Maldito."

Ela estacionou torto.

Subiu correndo.

A porta do apartamento estava aberta.

"Sofia!"

"Tia!"

A menina saiu do corredor e correu para seus braços.

Isabela a apertou.

"Você está bem?"

"Estou. O que aconteceu?"

Dante entrou logo depois com Bruno.

Sofia olhou para ele.

"Quem é?"

"Ninguém."

Dante ergueu uma sobrancelha.

"Essa doeu."

Isabela ignorou.

"Mãe?"

Foi até o quarto.

Rosa dormia.

Respirava normalmente.

Isabela tocou seu rosto.

"Mãe."

Rosa abriu os olhos.

"Isa?"

"Alguém entrou aqui?"

"Entrou?"

"A porta estava aberta."

Rosa pareceu confusa.

"Eu fechei."

Dante ficou no corredor.

Não entrou.

Isabela percebeu.

Talvez pela primeira vez naquela noite, ele estava respeitando um limite sem ser obrigado.

Bruno verificou o apartamento.

"Não levaram televisão. Computador está aqui. Carteira também."

Isabela olhou ao redor.

Então correu até a cozinha.

Abriu o armário inferior.

Parou.

"Não."

Dante se aproximou.

"O quê?"

"Havia uma caixa aqui."

"Que caixa?"

"De ferro. Minha mãe tinha desde que eu era criança."

"Conteúdo?"

"Não sei. Ela nunca deixava ninguém abrir."

Dante olhou para a chave que Isabela ainda segurava.

"Essa chave?"

"Talvez."

Rosa apareceu no corredor.

Usava camisola e segurava a parede para se equilibrar.

Quando viu Dante, ficou imóvel.

Ele também.

Vinte e cinco anos desapareceram do rosto dele.

"Rosa."

Ela apertou os olhos.

Por alguns segundos, pareceu procurar alguma coisa dentro da própria memória.

Então sorriu.

"Menino da chuva."

Dante não conseguiu responder.

Rosa aproximou-se lentamente.

Tocou o rosto dele.

"Você cresceu."

Dante engoliu em seco.

"Demorou."

"Eu sabia que você voltaria."

Isabela se aproximou.

"Mãe, onde está a caixa de ferro?"

O sorriso de Rosa desapareceu.

"Caixa?"

"Aquela que ficava no armário."

Rosa olhou para a porta aberta.

Depois para a fotografia na mão de Dante.

A expressão dela mudou completamente.

"Quem entrou aqui?"

"Não sabemos."

Rosa agarrou a mão da filha.

"Isabela."

"O quê?"

"Escuta."

A voz da idosa tremia.

"Eles não vieram buscar dinheiro."

"Eu sei."

"Vieram buscar o que pode destruir os Montenegro."

Dante ficou imóvel.

Rosa olhou diretamente para ele.

"E se encontrarem antes de você..."

Ela perdeu o fôlego.

"Mãe?"

Rosa levou a mão ao peito.

"Mãe!"

Dante a segurou antes que caísse.

"Bruno, chama uma ambulância."

Rosa agarrou o paletó de Dante.

"Armário..."

"Que armário?"

"Dezessete."

Os olhos dela se fecharam.

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