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"A Enfermeira Que Mandou o Chefe da Máfia Sentar… E Descobriu Por Que Ele Nunca Deixava Ninguém Tocá-lo" Capítulo 9 — O Império Sem Dono

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Às oito da manhã, manifestantes e repórteres cercavam a sede do Grupo Montenegro no Itaim Bibi.

As manchetes chamavam Dante de ladrão de crianças. Otávio dera entrevistas afirmando estar devastado pela traição do homem que tratara como filho.

"Os extratos são falsos", disse Helena.

"Até provarmos, são mais fortes do que a verdade", respondeu Dante.

Os conselheiros votaram pelo afastamento temporário. Otávio assumiu a presidência e ordenou que a segurança retirasse Dante do prédio.

Bruno deu um passo à frente, mas Dante levantou a mão.

"Não transformaremos uma fraude em guerra diante das câmeras."

Do lado de fora, um repórter perguntou se o chefe da família Montenegro roubara crianças doentes.

Dante parou.

"Passei anos acreditando que o meu nome me dava o direito de resolver tudo sozinho. Não dá. Por isso entregarei minhas contas, meu patrimônio e cada decisão do instituto a uma auditoria independente."

Otávio observava da janela, esperando raiva. Recebeu responsabilidade.

Na mansão, o grupo comparou os extratos falsos ao livro de Rafael. Isabela percebeu que as transferências usavam números de prontuários como códigos.

"Otávio monitorava meu sangue pelo hospital", disse ela. "Talvez tenha usado pacientes inexistentes para lavar dinheiro."

Camila acessou arquivos históricos autorizados pela direção. Trinta e sete crianças listadas nos pagamentos nunca haviam sido atendidas.

Uma, porém, aparecia repetidamente: Ana Clara Mendes, o nome da placa que escondia o livro.

Ana Clara existira. Morrera aos nove anos, quinze anos antes. Sua mãe, Sônia Mendes, assinara como testemunha num formulário de transporte de material biológico.

Isabela e Dante foram encontrá-la em Vila Mariana.

Sônia guardava uma caixa com documentos da filha. Entre desenhos e receitas, havia uma fotografia de Rafael ao lado de um caminhão do instituto.

"Ele me pediu que escondesse isto", disse ela, entregando uma chave de depósito. "Falou que homens importantes roubavam dinheiro das crianças."

No depósito da Barra Funda, encontraram prontuários originais, notas fiscais e uma pasta com a assinatura de Otávio autorizando empresas de fachada.

Também encontraram um vídeo gravado por Rafael.

"Se algo acontecer comigo, Otávio Ferraz é responsável. Augusto Montenegro sabe dos desvios, mas não dos assassinatos. Lúcia e minha filha não têm ligação com o dinheiro."

Isabela chorou em silêncio.

Dante sentou ao lado dela e esperou.

"Pode me abraçar", pediu.

Ele a envolveu com cuidado.

"Seu pai foi mais corajoso do que todos nós."

"Ele teve medo. Dá para ouvir."

"Coragem só existe quando existe medo."

Bruno ligou antes que levassem as provas à polícia.

Helena desaparecera da mansão.

Desta vez não havia sinais de luta. Havia uma mensagem escrita por ela:

"Preciso terminar o que comecei aos dezesseis anos. Não me sigam."

Minutos depois, Otávio anunciou uma coletiva para o conselho. Helena Montenegro apareceria como testemunha contra o irmão.

O vídeo promocional mostrava Helena entrando voluntariamente no carro de Otávio.

Dante esmagou o telefone contra a mesa.

Isabela segurou seu pulso antes do segundo golpe.

"Ela não foi levada. Escolheu entrar."

"Isso é pior."

"Ou é exatamente o que ela quer que Otávio acredite."

Na tela quebrada, Helena apareceu ao lado do inimigo e declarou:

"Amanhã contarei quem Dante Montenegro realmente é."

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