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"A Enfermeira Que Mandou o Chefe da Máfia Sentar… E Descobriu Por Que Ele Nunca Deixava Ninguém Tocá-lo" Capítulo 8 — O Homem Que Parecia Ter Traído

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Dante assistiu ao vídeo três vezes.

Bruno trabalhava para ele havia doze anos. Salvara Helena de um sequestro, levara um tiro por Dante e conhecia cada rota da família.

"Pode ser montagem", disse Isabela.

"Reconheço a forma como ele anda."

"Reconhecer não explica o que aconteceu."

Dante ligou. O telefone estava desligado.

Helena queria chamar a polícia. Lúcia pediu que esperassem.

"Rafael confiava no pai de Bruno", revelou ela. "Foi ele quem tentou retirar a prova da cidade."

Antes que terminasse, as portas da mansão se abriram. Bruno entrou desarmado e deixou o revólver no chão.

Dante o atingiu antes que alguém falasse.

Bruno caiu, limpou o sangue da boca e não reagiu.

"A câmera", disse Dante.

"Está com Otávio."

Dante o ergueu pela camisa.

Isabela tocou seu braço.

"Deixe-o explicar."

"Ele entregou a única prova."

Bruno retirou do bolso um receptor minúsculo.

"Entreguei uma câmera com um rastreador e filme vazio. O original está no laboratório da Polícia Científica."

Dante soltou-o.

"Por que não me contou?"

"Porque Otávio tem alguém dentro desta casa. Se sua reação parecesse ensaiada, ele descobriria."

Helena apontou para o rosto ferido de Bruno.

"Parece convincente."

O rastreador mostrava Otávio num prédio comercial na Avenida Paulista. A polícia cercou o local, mas encontrou apenas a câmera e um notebook programado para transmitir arquivos.

O filme verdadeiro revelou fotografias de Rafael entregando pastas a Augusto. Outras mostravam Otávio reunido com o delegado responsável pela suposta morte de Lúcia.

A última imagem era a mais importante: Otávio colocava uma arma no porta-malas do carro de Rafael na noite do desaparecimento.

"Isso liga Otávio ao crime", disse Bruno. "Mas a defesa dirá que a fotografia não prova que ele matou Rafael."

Lúcia reconheceu ao fundo uma placa de estrada.

"Era a antiga pedreira da família Ferraz, em Mairiporã."

Uma equipe encontrou restos humanos no local. O exame odontológico preliminar correspondia a Rafael.

Isabela recebeu a notícia ao lado da mãe.

Ela não conhecera o pai, mas chorou pelo homem que arriscara tudo para que crianças doentes não fossem roubadas.

Dante permaneceu perto, sem invadir o luto. Quando Isabela estendeu a mão, ele se sentou ao lado dela.

"Meu pai sabia", disse ele. "E continuou fazendo negócios com Otávio."

Lúcia negou.

"Augusto demorou, mas tentou reparar. A cláusula da herança não entregava metade das empresas a Isabela. Entregava metade dos votos do instituto ao portador das provas de Rafael. Ele queria impedir que qualquer Montenegro controlasse sozinho o dinheiro das doações."

Dante absorveu o golpe.

O pai não fora inocente, mas tentara construir um freio para a própria família.

Naquela noite, Dante encontrou Isabela no jardim.

"Bruno poderia ter morrido porque bati antes de ouvir."

"Ele sabia o risco."

"Isso não torna certo."

"Não. Mas reconhecer torna possível mudar."

Ele olhou para a própria mão.

"Passei a vida acreditando que força era nunca hesitar."

Isabela entrelaçou os dedos nos dele.

"Força também é parar quando alguém que você respeita diz que está errado."

Dante beijou a testa dela.

O telefone de Helena interrompeu o momento.

Otávio convocara uma reunião extraordinária do conselho para a manhã seguinte. Anexara extratos bancários que mostravam Dante desviando trinta e dois milhões de reais do Instituto Montenegro.

A imprensa já estava publicando os documentos.

E três conselheiros haviam solicitado o afastamento imediato de Dante, a prisão de Bruno e uma auditoria contra Helena.

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