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"A Enfermeira Que Mandou o Chefe da Máfia Sentar… E Descobriu Por Que Ele Nunca Deixava Ninguém Tocá-lo" Capítulo 6 — A Mentira no Sangue

正文开头

"Não."

Isabela disse a palavra antes que Dante conseguisse reagir.

Lúcia encarou a filha.

"Eu queria contar de outra maneira."

"Quinze anos seriam suficientes para encontrar uma maneira."

Dante saiu do quarto. Isabela o seguiu até a escada de emergência.

Ele apoiou as mãos no corrimão, de costas para ela.

"Olhe para mim."

"Não."

"Dante."

"Você queria que eu deixasse alguém ajudar. Agora deixe que eu faça isso sozinho."

Isabela parou no degrau acima.

"A fita foi manipulada. O teste foi roubado. Não sabemos nada."

"Sua mãe sabe."

"Minha mãe passou quinze anos sob controle de Otávio. Pode estar repetindo o que ele colocou na cabeça dela."

Dante finalmente se virou.

"E se for verdade?"

Ela pensou na cozinha, na proximidade, no sentimento que começara antes de qualquer prova.

"Então enfrentaremos a verdade. Mas não vou permitir que uma mentira decida antes dela."

Camila recolheu novas amostras na presença de um perito judicial e de dois advogados. O material de Augusto veio de uma lâmina histológica guardada após uma cirurgia.

O resultado preliminar saiu seis horas depois.

Camila reuniu todos na sala reservada.

"Augusto Montenegro não é o pai biológico de Isabela."

Helena levou a mão ao peito. Dante fechou os olhos por um instante.

Isabela não sentiu alegria imediata. Sentiu raiva.

"Por que minha mãe disse que era?"

Camila colocou dois relatórios na mesa.

"Porque alguém aplicou nela, durante meses, um medicamento capaz de provocar confusão e falsas memórias quando combinado com privação de sono. Encontramos os resíduos."

Lúcia começou a chorar.

"Eu via Augusto entrar. Ele dizia que precisava lembrar."

"Era Otávio", concluiu Dante. "Ele usava a semelhança de idade, a voz nas gravações e fotografias antigas."

Bruno apresentou o segundo resultado.

As mechas do cofre não eram de Lúcia e Augusto. Uma pertencia a Augusto. A outra, a uma meia-irmã falecida dele. A combinação fora escolhida para simular parentesco.

"E Rafael?", perguntou Isabela.

Camila mostrou uma ficha de doação antiga.

"O hospital preservou uma amostra de sangue dele por causa de uma cirurgia. A compatibilidade é de paternidade. Rafael Oliveira era seu pai biológico."

Isabela cobriu o rosto.

Dante não a abraçou sem pedir. Apenas abriu a mão sobre a mesa.

Ela colocou a sua ali.

"Otávio quis separar vocês", disse Helena. "Se acreditassem ser irmãos, Dante manteria distância e Isabela talvez lutasse pela herança. O grupo se partiria."

"E ele venceria qualquer lado", completou Bruno.

Lúcia pediu para falar a sós com a filha. Contou que escapara por alguns meses, mas voltara ao cativeiro ao descobrir que um homem seguia Isabela até a escola. Depois fora transferida entre clínicas clandestinas.

"Eu escolhi sua segurança e perdi sua vida inteira."

Isabela sentiu a dor da menina que esperara a mãe voltar.

"Não consigo perdoar hoje."

"Eu sei."

"Mas também não vou embora."

Lúcia segurou a mão dela.

Era um começo menor do que um abraço e mais verdadeiro do que uma promessa.

Dante esperava no corredor.

"O que acontece agora?", perguntou Isabela.

"Otávio ainda tem apoio no conselho, policiais comprados e o livro-caixa original."

"Minha mãe disse que Rafael fez cópias."

Lúcia ouviu e chamou os dois.

"Rafael não confiava em bancos. Escondeu o livro no lugar que Otávio nunca destruiria sem chamar atenção."

"Onde?"

"No Instituto Montenegro. Dentro da parede com os nomes das crianças atendidas no primeiro ano."

Helena empalideceu.

"Amanhã é o aniversário do instituto. Haverá imprensa, conselho e mais de quatrocentos convidados."

Dante entendeu.

"Otávio também sabe."

O celular de Helena recebeu uma mensagem com a planta do prédio e uma fotografia da parede já marcada com tinta vermelha.

Embaixo, havia uma frase:

"À meia-noite, não restará parede, livro nem testemunha."

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