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"A Enfermeira Que Mandou o Chefe da Máfia Sentar… E Descobriu Por Que Ele Nunca Deixava Ninguém Tocá-lo" Capítulo 5 — A Mulher Que Voltou dos Mortos

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O endereço levava a uma fábrica desativada na Mooca.

Isabela vestiu um colete sob a blusa. Bruno prendeu um microfone junto ao colarinho, enquanto Dante observava com o rosto imóvel.

"Se perdermos o sinal, você sai."

"Se eu sair antes de encontrar as duas, Otávio mata Helena."

"Não repita o que já sei."

"Então pare de fingir que pode controlar tudo."

Dante afastou Bruno e se aproximou.

"Não controlo nada quando você está lá dentro. Esse é o problema."

Isabela compreendeu que ele não falava apenas da operação.

Ela tomou a mão dele e a colocou sobre o microfone.

"Vai ouvir cada palavra. Confie em mim."

"Eu confio. Não confio no mundo ao seu redor."

"É um começo."

Isabela entrou com a chave, a fita e uma cópia do papel. O galpão cheirava a óleo e umidade. Helena estava amarrada no centro. Lúcia permanecia atrás de uma grade.

Otávio Ferraz surgiu de um escritório elevado. Tinha cabelos brancos, terno impecável e a expressão tranquila de um homem acostumado a transformar crimes em reuniões.

"A filha obediente chegou."

"Solte Helena."

"Primeiro, a chave."

Isabela mostrou o metal sem entregá-lo.

"O cofre estava vazio. Você já levou o que havia dentro."

"Seu pai escondeu cópias."

"Rafael?"

Otávio sorriu.

"Qual deles?"

Lúcia agarrou as grades.

"Não escute. Ele vive de trocar nomes por dúvidas."

Isabela olhou para a mãe. Quinze anos haviam cavado linhas profundas em seu rosto, mas a voz era a mesma que cantava enquanto costurava.

"Por que me deixou enterrá-la?"

"Porque a mulher naquele caixão morreu tentando me ajudar. Otávio ameaçou você. Eu aceitei desaparecer para mantê-la viva."

"Mantida presa por quinze anos?"

"Nem sempre. Fugi duas vezes. Na segunda, consegui entregar a fotografia ao homem do museu. Não sabia que ele trabalhava para Otávio."

Otávio desceu a escada.

"Histórias emocionantes não mudam documentos. Entregue a chave."

Isabela jogou-a no chão, distante dele.

Quando um capanga se abaixou, ela correu até Helena. Outro homem segurou Isabela pelos cabelos.

A voz de Dante explodiu no alto-falante escondido.

"Tire a mão dela."

O homem parou por reflexo.

As portas laterais foram arrombadas. Bruno entrou com policiais da Divisão Antissequestro. Tiros atingiram as lâmpadas. O galpão mergulhou em sombras e fachos de lanternas.

Otávio puxou Helena e encostou uma arma em seu pescoço.

"Mande seus homens recuarem, Dante."

Dante apareceu entre as máquinas.

"Solte minha irmã."

"Você sempre protegeu a pessoa errada."

Lúcia gritou para Isabela:

"A trava está embaixo!"

Isabela alcançou a alavanca da grade. A estrutura de metal deslizou e atingiu o braço de Otávio. Helena se jogou no chão.

Dante avançou, mas Otávio escapou por uma passagem de serviço enquanto os homens protegiam as mulheres.

Bruno algemou dois capangas. A polícia encontrou documentos queimados e medicamentos usados para manter Lúcia confusa.

Isabela abriu a cela.

Por um segundo, mãe e filha apenas se olharam.

"Eu devia ter voltado", disse Lúcia. "Mesmo que isso custasse minha vida."

"Custou a minha também. Todos os dias."

Lúcia chorou.

Isabela queria abraçá-la, mas quinze anos não desapareciam por ordem do coração. Ainda assim, quando a mãe perdeu as forças, ela a segurou.

Do outro lado do galpão, Helena tremia nos braços de Dante.

Ele verificou o rosto, os pulsos e a respiração da irmã. Depois encontrou Isabela com os olhos.

Não havia vitória naquele olhar. Apenas alívio.

No hospital, Lúcia recusou sedativo até falar.

Dante, Isabela, Helena e Bruno permaneceram no quarto.

"Rafael descobriu empresas de fachada ligadas a Otávio", começou Lúcia. "Augusto queria afastá-lo, mas temia uma guerra. Quando Rafael reuniu provas, Otávio mandou matá-lo."

Isabela sentiu a mão de Dante tocar discretamente a sua.

"E a fita?", perguntou ele.

"Gravamos para proteger Isabela. Augusto incluiu a cláusula da herança porque a prova ficaria sob responsabilidade dela ao completar trinta anos. Não porque fosse filha dele."

Todos respiraram, mas Lúcia ainda não terminara.

"Otávio roubou a fita e mudou a gravação. Porém, existe um documento verdadeiro sobre a paternidade de Isabela."

Ela olhou para Dante.

"Sua mãe encontrou Augusto comigo e acreditou que éramos amantes. Otávio alimentou a mentira durante anos."

"Quem é meu pai?", perguntou Isabela.

Lúcia fechou os olhos.

"Rafael criou você e amou você. Mas seu pai biológico é Augusto Montenegro."

A mão de Dante soltou a de Isabela.

Helena ficou de pé, chocada.

Lúcia continuou, chorando:

"Você é irmã deles. E, se o exame confirmar, metade do império Montenegro pertence a você."

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