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"A Enfermeira Que Mandou o Chefe da Máfia Sentar… E Descobriu Por Que Ele Nunca Deixava Ninguém Tocá-lo" Capítulo 3 — A Voz Dentro da Fita

正文开头

Ao amanhecer, Isabela descobriu que seu apartamento fora revirado.

Não levaram televisão, notebook ou dinheiro. Abriram costuras de almofadas, quebraram fundos de gavetas e arrancaram o forro da velha máquina de costura de Lúcia.

Dante entrou atrás dela com Bruno.

"Você não fica aqui."

"Não pedi permissão para morar na minha casa."

"Também não pedi para alguém invadir enquanto estava sob minha proteção."

"Eu não estou sob sua proteção."

"Agora está."

Isabela virou-se, furiosa.

"Seu problema é achar que dar uma ordem transforma vontade em realidade."

"Meu problema é que um homem tentou coletar seu sangue e outro destruiu sua casa."

"E meu problema é o senhor entrar na minha vida como se fosse dono dela."

Dante aproximou-se, mas parou a um braço de distância.

"Não sou dono de você. Quero mantê-la viva o suficiente para continuar me dizendo não."

A resposta desmontou parte da raiva dela.

Bruno encontrou uma pequena chave presa sob o pedal da máquina.

O metal trazia o número 214 e o nome de uma agência bancária antiga na Rua Boa Vista.

No cofre, havia uma caixa de sapatos, uma fita cassete e um envelope com duas mechas de cabelo presas por barbante.

Isabela reconheceu a voz da mãe assim que Bruno ligou um gravador portátil.

"Se Isabela estiver ouvindo, falhei em voltar. Rafael descobriu que Otávio desviava doações e comprava policiais. Augusto tentou impedir que o matassem, mas era tarde. Não confie em documentos sobre a paternidade dela. Foram feitos para separar duas pessoas que um dia precisarão uma da outra."

Houve ruído. Depois, entrou a voz de Augusto Montenegro.

"A menina deve receber metade de tudo. Se Dante descobrir quem ela é, vai cumprir minha palavra."

A fita terminou.

Isabela olhou para Dante.

"Metade de tudo?"

Ele parecia ter sido atingido outra vez.

"Meu pai deixou o controle das empresas para mim e uma cláusula reservando metade das ações a um herdeiro não identificado."

"Está dizendo que sou filha dele?"

"Estou dizendo que alguém quer que acreditemos nisso."

Os dois fios de cabelo foram enviados ao laboratório particular da Dra. Camila. Enquanto aguardavam, Dante levou Isabela à mansão no Jardim Europa.

Ela esperava ostentação. Encontrou uma casa silenciosa, com retratos virados para a parede e móveis grandes demais para parecerem acolhedores.

No escritório, Isabela viu uma fotografia de Dante aos quinze anos. Ele estava ao lado do pai, alto e magro, com um braço imobilizado.

"O que aconteceu?"

Dante retirou a fotografia de sua mão.

"Caí de um cavalo."

Helena, parada na porta, respondeu:

"Papai quebrou o braço dele por tentar me defender."

Dante lançou um olhar duro à irmã.

"Não é assunto dela."

"É por isso que você odeia ser tocado?", perguntou Isabela.

"Não odeio."

"Seu corpo discorda."

Ele ficou em silêncio.

Mais tarde, Isabela encontrou Dante na cozinha, tentando trocar sozinho o curativo.

"Vai infeccionar."

"Consigo fazer."

"Eu sei. Mesmo assim, deixe alguém ajudar."

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Ele não respondeu, mas tirou a camisa.

Além do ferimento recente, havia cicatrizes antigas nas costas e no ombro. Isabela não perguntou quantas pertenciam ao pai dele.

Ela limpou a pele com movimentos firmes e delicados.

"Quando eu era menino, meu pai dizia que gente como nós não podia demonstrar dor", contou Dante. "Depois dizia que eu assustava os outros. Aprendi a ocupar menos espaço e a nunca dar a ninguém a chance de fingir carinho."

"Nem todo carinho é fingimento."

"O seu é profissional."

Isabela terminou o curativo e pousou a mão aberta nas costas dele.

"Isso não é."

Dante virou-se devagar.

A distância entre eles desapareceu, mas o telefone tocou antes que qualquer um se movesse.

Camila falava do laboratório.

"O primeiro fio pertence a Augusto Montenegro. O segundo pertence à mãe de Isabela. A compatibilidade indica que a filha biológica dos dois herdaria exatamente o perfil de Isabela."

Isabela quase deixou o aparelho cair.

Dante ficou pálido.

"Então somos irmãos?"

Camila hesitou.

"A amostra de Isabela sumiu antes da conclusão. Alguém invadiu o laboratório."

Bruno entrou correndo com outro objeto encontrado dentro da caixa: um envelope selado por Augusto.

Dante abriu.

Havia apenas uma linha.

"Se a fita disser que Isabela é minha filha, a fita foi cortada. Procurem a parte que Otávio roubou."

Bruno levou o envelope para perícia. A cola e o papel tinham mais de dez anos, eliminando a possibilidade de alguém ter escrito o aviso naquela semana.

Mesmo assim, Dante não relaxou.

"Meu pai mentia com antecedência. Era uma das habilidades dele."

Isabela guardou a fita na caixa.

"Você fala de Augusto como inimigo, mas ainda vive na casa dele."

"Vivo aqui porque Helena se recusou a sair depois que nossa mãe morreu. Cada cômodo que mantive foi uma forma de protegê-la."

"E quem protegeu você?"

Dante não respondeu.

Naquela tarde, Camila telefonou dizendo que o invasor do laboratório usara luvas e não deixara impressões. Entretanto, esquecera uma gota de sangue no vidro quebrado. O perfil pertencia a uma mulher.

Bruno cruzou o DNA com bancos autorizados pela investigação e encontrou parentesco distante com Otávio Ferraz.

"A sobrinha dele, Vitória Ferraz, dirige o laboratório terceirizado do instituto", disse Helena. "Ela tinha acesso às amostras antigas."

Vitória negara estar em São Paulo, mas pedágios registraram seu carro entrando na capital duas horas antes da invasão.

Dante quis buscá-la imediatamente. Isabela o impediu de sair.

"Se ela trabalha para Otávio, vai esperar você agir com violência. Depois usará isso para destruir sua credibilidade."

"Minha credibilidade não mantém ninguém vivo."

"Mas a falta dela pode manter Otávio livre."

Helena apoiou Isabela. Pela primeira vez, Dante foi voto vencido dentro da própria casa.

Eles entregaram o material ao Ministério Público e pediram preservação judicial das amostras. Vitória desapareceu antes de ser intimada, confirmando o medo sem oferecer uma confissão.

À noite, Isabela voltou ao quarto de hóspedes e encontrou uma caixa sobre a cama. Dentro havia roupas novas, um telefone e um cartão bancário.

Ela levou tudo ao escritório.

"Não sou uma mulher que você instala numa suíte e compra silêncio."

Dante levantou-se devagar.

"As roupas são porque sua casa foi destruída. O telefone não pode ser rastreado. O cartão é para emergências."

"Você poderia ter perguntado do que preciso."

Ele passou a mão pelo rosto.

"Não sei fazer isso."

"Aprenda."

Isabela ficou com o telefone, devolveu o cartão e escolheu apenas duas peças. Dante aceitou sem insistir.

Quando ela saiu, encontrou Helena no corredor.

"Ele nunca devolve controle a ninguém", disse Helena. "Com você, está tentando."

"Não quero consertá-lo."

"Ainda bem. Ele precisa decidir mudar sozinho."

Pouco antes da meia-noite, Bruno encontrou no envelope uma impressão em relevo: o brasão de uma clínica psiquiátrica fechada em Atibaia.

O nome da clínica constava nos recibos pessoais de Otávio durante os quinze anos em que Lúcia estivera morta.

Uma paciente sem documentos vivera ali sob o nome de Marta.

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