"A Enfermeira Que Mandou o Chefe da Máfia Sentar… E Descobriu Por Que Ele Nunca Deixava Ninguém Tocá-lo" Capítulo 2 — A Mão Que Ele Confundiu com Piedade
Às três da manhã, o hospital parecia uma fortaleza.
Dois homens de Dante guardavam o elevador. Uma viatura permanecia na entrada. Jornalistas esperavam do outro lado da rua, embora a assessoria do Instituto Montenegro tivesse chamado o ataque de tentativa de roubo.
Isabela estava na copa da enfermagem, olhando um café frio.
Sua mãe fora enterrada em Campinas. Ela mesma escolhera o vestido azul, fechara o caixão e acompanhara o enterro sob chuva.
Agora um desconhecido afirmava que o sangue do cadáver não era o de Lúcia.
Dante apareceu na porta com uma camisa preta emprestada e o curativo escondido por baixo.
"Deveria estar deitado."
"Você também."
"Eu trabalho aqui."
"Está encarando café há dez minutos."
Isabela apontou para a cadeira.
"Já sobreviveu uma vez quando mandei sentar."
Ele sentou.
Dante colocou a fotografia entre os dois.
"Reconhece o homem de óculos?"
"Rafael Oliveira. Meu pai."
"Rafael foi contador do Grupo Montenegro. Desapareceu no mesmo mês em que sua mãe supostamente morreu."
Isabela apertou o copo.
"Ela me disse que ele morreu antes de eu nascer."
"Ele assinou documentos da empresa até você completar dezessete anos."
"Está me chamando de mentirosa?"
"Estou dizendo que sua mãe mentiu."
Isabela levantou-se.
"Minha mãe costurava uniformes para pagar aluguel. Criou uma filha sozinha. Não use seu sobrenome para falar dela como criminosa."
Dante se levantou também, mas não avançou.
"Meu pai acusou Rafael de desviar oito milhões de reais do Instituto Montenegro. Depois disso, os dois sumiram."
"E o senhor acredita nele?"
"Não acredito em mortos. Acredito em prova."
Helena entrou usando um casaco sobre a roupa do hospital.
"Então comece acreditando em mim."
Dante franziu a testa.
"Você deveria estar no quarto."
"E você deveria parar de decidir onde todas as mulheres devem estar."
Ela pegou a fotografia.
"Ouvi papai discutir com Lúcia quando eu tinha dezesseis anos. Ela dizia que Otávio Ferraz estava desviando doações de crianças com câncer."
Isabela sentiu o peito apertar.
"Minha mãe trabalhou no instituto?"
"Na costura e no arquivo. Seu pai era o contador que encontrou os repasses."
Dante encarou a irmã.
"Por que nunca contou?"
"Papai me obrigou a prometer silêncio. Eu era uma adolescente e você já estava limpando os erros dele."
O rosto de Dante se fechou.
Isabela percebeu que a acusação tocara uma ferida antiga.
"Helena, o que Lúcia disse exatamente?"
"Que Rafael tinha copiado o livro-caixa. Que, se alguma coisa acontecesse, a filha dela saberia onde procurar."
"Eu não sei."
"Talvez ainda não saiba que sabe."
Bruno entrou com uma pasta.
"O prontuário do enterro foi alterado. O laudo original desapareceu, mas o laboratório manteve a tipagem: AB negativo."
Isabela balançou a cabeça.
"Minha mãe era O positivo. Eu doava sangue com ela."
"Alguém enterrou outra mulher com o nome dela", disse Dante.
"Ou alguém quis que eu acreditasse nisso."
As luzes se apagaram.
O alarme de incêndio começou no mesmo instante.
Dante puxou Isabela para trás de si. Bruno fechou a porta e sacou a arma. Helena aproximou-se da parede.
Passos correram pelo corredor.
Uma pancada atingiu a fechadura.
"Não atire", disse Isabela. "Há pacientes nos quartos."
"Se entrarem, eu atiro", respondeu Bruno.
Outra pancada. A porta abriu alguns centímetros.
Dante a fechou com o ombro, apesar do ferimento. O curativo ficou vermelho.
Isabela pressionou a mão sobre a camisa dele.
"Vai rasgar os pontos."
"Fique atrás de mim."
"Não posso tratar você por trás."
As luzes de emergência acenderam. Bruno recebeu uma mensagem e abriu a porta após um código.
Dois seguranças arrastavam um técnico de manutenção.
No bolso dele havia uma seringa vazia e uma etiqueta com o nome de Isabela.
"O que é isso?", perguntou ela.
Bruno mostrou a tela do celular.
"Ele acessou seu prontuário três vezes neste mês. Procurava seu tipo sanguíneo e o resultado de um teste genético feito quando você nasceu."
Dante segurou o homem pela gola.
"Quem mandou você?"
O técnico sorriu com sangue nos dentes.
"O senhor Ferraz disse que a enfermeira não podia descobrir de quem é filha."
Dante o entregou a Bruno antes que a raiva vencesse.
Isabela viu a camisa dele encharcada e o obrigou a voltar para a cadeira.
"Dê sua mão."
"Por quê?"
"Sua respiração está acelerada."
"Não preciso de pena."
"Ainda bem. Não trouxe nenhuma."
Ela abriu a palma e esperou.
Dante hesitou antes de colocar a mão na dela.
"Todos fazem uma conta quando me veem", disse ele. "Medo, interesse ou piedade."
"Eu fiz uma conta."
Ele tentou retirar a mão.
Isabela apertou os dedos.
"Seu pulso está em cento e dez. Essa foi a conta."
Pela primeira vez, Dante sorriu de verdade.
Bruno voltou com o rosto grave.
"Localizamos o teste neonatal. O campo do pai foi rasurado."
"Qual nome estava por baixo?", perguntou Isabela.
"Não dá para ler. Mas o pedido do exame foi pago por Augusto Montenegro."
Dante soltou a mão dela.
Helena cobriu a boca.
E Isabela compreendeu por que alguém atravessara um hospital armado apenas para roubar seu sangue.
O técnico tentou morder uma cápsula escondida entre os dentes. Bruno segurou seu maxilar antes que conseguisse. Camila chamou a polícia e ordenou que nenhum segurança particular tocasse novamente no preso.
"Este é um hospital, não uma sala de interrogatório", disse ela.
Dante aceitou a ordem, embora seus olhos permanecessem no homem. Era outra pequena derrota do velho hábito de resolver tudo sozinho.
Ao religarem as câmeras, descobriram que o invasor tivera ajuda interna. Um crachá de enfermagem fora clonado e a escala de Isabela vazara três semanas antes, justamente quando ela fora escolhida para o leilão.
"O encontro no museu não foi acaso", concluiu Bruno. "Queriam você perto dos Montenegro."
"Mas por quê?", perguntou Isabela. "Se queriam meu sangue, poderiam ter invadido meu apartamento."
Helena apontou para a fotografia.
"Porque alguém também queria que nós a víssemos. Há duas pessoas jogando esta partida. Uma tenta apagar você; a outra tenta conduzi-la até a verdade."
O homem detido recuperou a voz apenas para pedir proteção. Disse que recebera R$ 20 mil para coletar a amostra e apagar o prontuário neonatal. Não vira Otávio, mas reconheceu o assessor que entregara o dinheiro.
Bruno enviou a fotografia do assessor ao delegado responsável pelo atentado. A resposta veio depressa demais: o homem morrera num acidente de moto naquela mesma madrugada.
"Pontas soltas", murmurou Dante.
Isabela percebeu que ele pressionava o ferimento ao respirar. Levou-o de volta ao quarto e fechou a porta diante dos seguranças.
"Tire a camisa."
"Essa noite está melhorando."
"Não confunda atendimento com flerte."
"Não cometo esse erro há anos."
A frase pareceu uma brincadeira, mas não havia humor no rosto dele.
Ao remover a gaze, Isabela viu cicatrizes antigas cruzando as costelas. Algumas eram finas; outras, largas demais para acidentes comuns.
"Quem fez isso?"
"Um homem que já morreu."
"Seu pai?"
Dante virou o rosto. O silêncio respondeu.
Isabela trocou o curativo sem fazer outra pergunta. Quando terminou, ele segurou a ponta de seus dedos, quase sem perceber.
"Aquela mulher no vídeo", disse Dante. "Se for sua mãe, ela está viva e correndo risco."
"E se for uma armadilha?"
"Então entraremos sabendo."
"Entraremos?"
"Você não vai procurar sozinha."
Isabela retirou a mão, mas não por medo.
"Não decida por mim. Pergunte."
Dante respirou fundo.
"Aceita minha proteção até descobrirmos quem alterou o exame?"
Ela reconheceu o esforço escondido na pergunta.
"Aceito cooperação. Proteção pressupõe que só um de nós é capaz."
"Cooperação, então."
Foi o primeiro acordo entre eles que não nasceu de uma ordem.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4