"A Enfermeira Que Mandou o Chefe da Máfia Sentar… E Descobriu Por Que Ele Nunca Deixava Ninguém Tocá-lo" Capítulo 1 — Sente-se, Dante Montenegro
O tiro atravessou o salão do Museu da Imagem e do Som às nove e vinte e três da noite.
Taças se quebraram. Mulheres de vestidos longos se jogaram atrás das mesas. Homens que minutos antes disputavam obras de arte por centenas de milhares de reais procuraram abrigo no chão.
Isabela Oliveira não se abaixou.
Ela viu primeiro a mulher de vestido verde caída perto da saída. Depois, o segurança com a arma levantada. Só então percebeu o homem enorme parado junto à escadaria, com sangue escurecendo o lado esquerdo da camisa branca.
Dante Montenegro mantinha uma das mãos sobre o ferimento e a outra diante da irmã.
"Tirem Helena daqui."
Ninguém discutiu.
Em São Paulo, havia homens que gritavam para parecer poderosos. Dante falava baixo porque não precisava provar nada. Seu sobrenome abria portas, fechava negócios e fazia inimigos repensarem ameaças.
Isabela passou sob a fita improvisada da segurança com a bolsa de trauma do SAMU.
Um homem de terno preto bloqueou seu caminho.
"Ninguém chega perto dele."
"Então o senhor pode estancar o sangramento sozinho."
"A senhora não sabe com quem está falando."
Isabela olhou para o volume sob o paletó dele.
"Se tirar essa arma perto dos meus pacientes, eu saio. E seu chefe vai descobrir que reputação não fecha artéria."
A mulher de verde, Helena, ergueu o rosto e soltou uma risada nervosa.
Dante encarou Isabela.
Ele era ainda maior de perto. Quase dois metros, ombros largos, cabelo preto molhado pela chuva que entrava pelas portas quebradas e olhos castanhos que pareciam calcular todas as saídas.
"Bruno, deixe-a passar."
O segurança obedeceu.
Isabela parou diante de Dante e abriu a bolsa.
"Sente-se."
O salão pareceu ficar silencioso outra vez.
Dante baixou os olhos para ela.
"Sabe quem eu sou?"
"Neste momento, um homem ferido atrapalhando meu trabalho. Sente-se."
Bruno prendeu a respiração. Helena sorriu apesar do susto.
Dante se sentou no degrau de mármore.
Isabela cortou a camisa ao redor do ferimento. Quando a tesoura tocou o tecido, a mão de Dante fechou-se no pulso dela.
Os seguranças avançaram um passo.
Ela não tentou se soltar.
"Se pretende me impedir, aperte. Se pretende viver, solte."
Dante ficou imóvel.
Havia uma velha reação escondida em seus olhos. Não era raiva. Era algo próximo do pânico, controlado antes de alcançar o rosto.
Os dedos dele se abriram.
"Boa escolha."
Isabela pressionou a gaze contra a lateral de seu abdômen. O projétil atravessara tecido e saíra sem atingir órgãos, mas ele perdera sangue demais.
Um motor rugiu do lado de fora.
Dante tentou levantar.
Isabela colocou a palma no centro do peito dele.
"Fique sentado."
Ele parou.
Não porque ela tivesse força para contê-lo. Parou porque ela o tocara sem hesitar, sem bajulação e sem medo.
"Está tonto?"
"Não."
"Com dor?"
"Já senti pior."
"Então por que está me olhando assim?"
Dante baixou os olhos para a mão dela.
"Ninguém faz isso."
"Isso o quê?"
"Toca em mim como se eu fosse apenas um homem."
Isabela retirou a mão devagar.
"Enquanto estiver sangrando no meu plantão, é exatamente isso que o senhor é."
Na ambulância, Dante tentou usar o celular. Isabela tomou o aparelho antes que ele terminasse a segunda ligação.
"Devolva."
"Sua pressão cai toda vez que começa a dar ordens."
"Tenho pessoas procurando quem atirou na minha irmã."
"E vai continuar tendo se não desmaiar."
O veículo passou por um buraco. Isabela perdeu o equilíbrio e segurou a mão dele.
Dante enrijeceu.
A mão dela parecia pequena dentro da sua. Ainda assim, Isabela não a puxou como se tivesse encostado em algo perigoso.
"Respire."
"Estou respirando."
"Não estava."
Ele desviou o olhar para a janela.
No Hospital Santa Cecília, Dante permitiu apenas dois homens no corredor. Isabela entregava o caso à equipe médica quando Bruno se aproximou com um saco plástico de evidências.
"O atirador morreu antes de a polícia chegar", disse ele. "Mas encontramos isto no bolso interno do paletó."
Era uma fotografia antiga.
Uma mulher jovem sorria diante de uma casa de campo em Atibaia. Ao lado dela, estavam Augusto Montenegro, pai de Dante, e um homem magro de óculos.
Isabela perdeu a cor.
"Essa mulher é minha mãe."
Dante tomou a fotografia.
"Lúcia Oliveira?"
"Como sabe o nome dela?"
"Porque meu pai mandou procurar essa mulher durante dez anos."
No verso havia uma frase escrita com tinta azul desbotada.
Isabela reconheceu cada curva da letra.
Era a caligrafia de Lúcia.
Dante leu em voz baixa:
"Quando ele descobrir quem é a filha de Lúcia, não deixe Otávio chegar primeiro."
Isabela sentiu o corredor inclinar.
"Minha mãe morreu há quinze anos."
Bruno olhou o celular que acabara de vibrar.
"Talvez não tenha sido ela quem morreu."
Dante ergueu o rosto.
"Explique."
"O corpo enterrado como Lúcia Oliveira tinha outro tipo sanguíneo."
Isabela olhou para a própria mão, ainda marcada pelos dedos de Dante.
Pela primeira vez naquela noite, foi ela quem precisou se sentar.
Camila Nogueira, médica plantonista e amiga de Isabela desde a faculdade, aproximou-se com o laudo na mão. Confirmou que a divergência não era erro de digitação. A funerária registrara uma coleta, mas o laboratório recebera sangue de outra mulher.
"Quem autorizou a liberação do corpo?", perguntou Isabela.
"Um delegado chamado Álvaro Teles e um advogado do Grupo Montenegro."
Dante reconheceu o primeiro nome. Teles fora afastado anos depois por vender informações de investigações sigilosas. O advogado, porém, ainda trabalhava para Otávio Ferraz.
"Então meu pai sabia", disse Dante.
"Ou alguém usou a empresa dele", respondeu Isabela. "Não transforme suspeita em certeza só porque está com raiva."
Ele sustentou o olhar dela. Ninguém costumava corrigir Dante diante de seus homens. Bruno esperou a explosão que não veio.
"Tem razão."
Helena foi levada para exames. Antes de entrar no elevador, segurou a manga do irmão.
"A bala passou perto de mim porque você me empurrou. Não use isso como desculpa para virar o homem que papai queria."
Dante prometeu apenas que a encontraria no quarto.
Isabela percebeu que ele evitava fazer promessas que talvez não pudesse cumprir.
Enquanto Camila refez o curativo, um investigador recolheu a fotografia. Dante exigiu um recibo formal e fotografou frente e verso. Não confiava na polícia, mas também não podia esconder uma prova de tentativa de homicídio.
"Por que seu pai procurava minha mãe?", perguntou Isabela.
"Não sei. Augusto guardava segredos como outras pessoas guardam dinheiro."
"E o senhor herdou os dois?"
"Herdei as consequências."
Ela observou a mão direita dele. Havia uma cicatriz fina atravessando os nós dos dedos. Ao notar o olhar, Dante fechou o punho.
"Essa não foi da bala."
"Não."
"Também não quer explicar."
"Não."
Isabela assentiu. Respeitar um limite era diferente de fingir que ele não existia.
Bruno recebeu as imagens do museu. O atirador esperara Helena mudar de lugar e ajustara o ângulo. Dante fora atingido porque entrou na linha de tiro.
Havia ainda uma segunda pessoa: uma mulher de uniforme de serviço que colocara a fotografia no paletó do homem depois do disparo.
Isabela ampliou o quadro. No pulso da desconhecida aparecia uma pulseira de contas vermelhas idêntica à que Lúcia usara durante toda a infância da filha.
"Minha mãe fez aquela pulseira."
"Pode ser outra", disse Bruno.
"A conta branca no centro tem uma rachadura. Eu causei aquilo quando deixei cair no tanque."
Dante olhou novamente para a frase no verso da foto.
Alguém não apenas conhecia Lúcia. Alguém estivera perto o suficiente para usar um objeto que pertencera a ela.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4