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"Os Gêmeos do Chefe da Máfia Chamaram a Empregada de Mãe" Capítulo 2 — Noventa e Nove Vírgula Nove

正文开头

Helena leu a assinatura três vezes.

Na quarta, percebeu o erro.

“Eu nunca uso Rosa no meu nome.”

Dante manteve o documento sobre a mesa.

“Está na sua certidão.”

“Está. Mas desde os quinze anos eu assino Helena Duarte. Minha mãe se chamava Rosa, e eu não gostava de transformar o nome dela num sobrenome.”

Cecília recuperou a compostura.

“Isso prova apenas que ela está mentindo melhor do que imaginávamos.”

Helena virou-se para a mulher.

“A senhora ficou assustada quando ouviu o nome da minha mãe.”

“Fiquei assustada quando uma desconhecida manipulou duas crianças vulneráveis.”

“Chega”, disse Dante.

Uma palavra bastou para calar a sala.

Ele pediu a Rafael que levasse os documentos ao escritório e ordenou que Celina acomodasse os gêmeos na brinquedoteca. Tomás se recusou a soltar a mão de Helena.

“Ela vem”, decidiu Dante.

“Eu não vou a lugar nenhum com o senhor.”

Tomás apertou os dedos dela e voltou a dizer:

“Mamãe.”

Helena sentiu o coração se partir por um vínculo que ainda não compreendia.

“Só até ele se acalmar”, murmurou.

Na brinquedoteca, os meninos sentaram no tapete, um de cada lado dela.

Miguel encostou a cabeça em seu braço. Tomás brincou com a barra do avental.

Dante permaneceu à porta.

“Eles fazem isso com alguém?”

“Não”, respondeu Celina. “Nem com o senhor.”

A crueldade involuntária da frase atravessou o rosto dele.

Helena percebeu que Dante sabia comandar dezenas de homens, mas não sabia onde colocar as mãos diante dos próprios filhos. Havia três anos de fracassos médicos entre ele e aqueles meninos.

“Sente no chão”, disse ela.

“O quê?”

“Eles estão olhando para o senhor como se esperassem que fosse embora.

Sente.”

Celina prendeu a respiração.

Dante tirou o paletó, dobrou-o sobre uma cadeira e se sentou no tapete.

As tatuagens avançavam pelos punhos da camisa. Miguel observou cada movimento.

Helena começou a cantar a mesma cantiga.

Dante não olhou para ela. Olhou para os filhos.

Tomás soltou o avental, atravessou o pequeno espaço e colocou um carrinho sobre a perna do pai.

Dante segurou o brinquedo como se fosse uma arma desconhecida.

“Obrigado.”

Tomás não respondeu, mas permaneceu ali.

Helena viu a garganta de Dante se mover.

Rafael apareceu à porta com um telefone seguro.

“O laboratório consegue fazer o exame ainda hoje. A equipe móvel chega em quarenta minutos.”

Helena se levantou.

“Ninguém vai tirar nada de mim sem minha autorização.”

“É um cotonete”, disse Dante. “E você pode acompanhar todo o processo.”

“Depois do que fizeram comigo, acha que eu confio em gente de jaleco entrando nesta casa?”

Ele ficou de pé.

“Não. Acho que você não deveria confiar.”

A resposta a desarmou.

“Escolha o laboratório”, continuou. “Ligue para quem quiser. Um advogado, a polícia, a imprensa. Mas faça o exame.”

“E se der positivo?”

Dante olhou para Tomás e Miguel.

“Então alguém roubou uma parte de você e vendeu para minha família.”

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“E se der negativo?”

“Você sai por aquela porta com uma indenização pelo que aconteceu hoje.”

“Não quero seu dinheiro.”

“Nesse caso, sai apenas com a verdade.”

Helena pediu o celular. Ligou para uma defensora pública que conhecera durante o inventário do pai e explicou o essencial sem mencionar o nome dos meninos.

A defensora recomendou um laboratório da Vila Mariana e exigiu cadeia de custódia independente. Dante aceitou cada condição.

Enquanto aguardavam, Helena foi levada a uma sala de hóspedes. Celina trouxe roupas secas e café.

“Há quanto tempo a senhora trabalha aqui?” perguntou Helena.

“Vinte e dois anos.”

“Conheceu Lorena?”

“Vi aquela moça entrar nesta casa sorrindo e sair num caixão.”

Celina se arrependeu assim que falou.

“Foi um acidente?”

“Foi o que disseram.”

“Quem disse?”

A governanta alisou o próprio avental.

“Dona Cecília cuidou de tudo. Hospital, documentos, funeral. O senhor Dante estava fora do país quando o carro caiu da serra.”

Antes que Helena fizesse outra pergunta, Bianca entrou sem bater.

“Celina, deixe-nos.”

“Prefiro que ela fique”, disse Helena.

Bianca sorriu sem calor.

“Você ainda não entendeu onde está.”

“Numa casa onde fecham portas quando uma empregada faz uma pergunta.”

“Está na casa de um homem que perde pessoas. O pai foi assassinado. O irmão desapareceu. A esposa morreu. Se os filhos se apegarem a você e depois você for embora, será mais uma perda.”

“Isso é uma ameaça?”

“É um conselho. O resultado pode dizer qualquer coisa. Você continuará sendo uma mulher que apareceu hoje.”

Helena levantou o queixo.

“E a senhora continuará sendo a noiva que eles não chamaram de mãe.”

Bianca empalideceu.

“Não confunda biologia com lugar.”

“Não confunda lugar com amor.”

Dante surgiu no corredor.

“Bianca.”

Ela se virou.

“Estou tentando proteger os meninos.”

“Então não pressione a única pessoa que conseguiu acalmá-los.”

Bianca saiu sem se despedir.

O laboratório chegou às quatro da tarde. A biomédica mostrou lacres, números e formulários à defensora por videochamada. Helena coletou o próprio material. Dante permitiu que os meninos fossem examinados no colo dele.

Tomás chorou. Helena se aproximou instintivamente, mas parou.

Dante estendeu a mão livre.

“Venha.”

Ela segurou os dedos do menino enquanto a coleta terminava.

À noite, Rafael trouxe a ficha do antigo procedimento de Helena. O Instituto Aurora funcionara em Santos como projeto de saúde feminina financiado pela Fundação Montenegro.

“Eu fui lá”, disse Helena.

A memória voltou em fragmentos: paredes azuis, cheiro de desinfetante, uma médica de olhos claros e a promessa de retirar um cisto perigoso sem custo.

“Meu pai estava fazendo quimioterapia. Eu não tinha plano de saúde.

Disseram que o programa cobriria tudo.”

“Qual era o nome da médica?” perguntou Rafael.

“Camila. Dra. Camila Nogueira.”

Cecília entrou no escritório naquele momento.

“Camila morreu.”

Helena a encarou.

“Como sabe de quem estamos falando?”

Cecília demorou um instante.

“Eu presidia a fundação. Conhecia os médicos.”

Dante fechou a pasta.

“Você disse que não conhecia Rosa Duarte.”

“E não conhecia.”

“Mas conhecia a clínica que operou a filha dela.”

“A fundação financiava vinte e três projetos.”

Rafael recebeu uma mensagem. Leu, ergueu os olhos e pediu que Dante falasse com ele do lado de fora.

“Fale aqui”, ordenou Dante.

“O laudo preliminar chegou.”

Helena segurou a borda da mesa.

Rafael abriu o arquivo.

“Probabilidade de maternidade biológica: noventa e nove vírgula nove por cento para Tomás. Noventa e nove vírgula nove por cento para Miguel.”

O mundo perdeu o som.

Helena pensou nas noites em que acordara chorando sem saber por quê, nos meses de dor depois da suposta cirurgia, no médico que garantira que talvez ela nunca pudesse ter filhos.

Ela olhou para os meninos adormecidos no sofá do escritório.

“Eles são meus.”

Dante respondeu com a voz baixa:

“Biologicamente, sim.”

“Não diga isso como se fosse pouco.”

“Não estou dizendo.”

Miguel se mexeu durante o sono. No pescoço, abaixo da orelha, havia uma pequena marca em forma de meia-lua.

Helena tocou a própria nuca. Tinha a mesma marca.

Celina entrou carregando uma caixa de madeira encontrada no antigo quarto de Lorena. O laudo de DNA acionara uma mensagem automática no arquivo digital da falecida.

Dentro da caixa havia uma chave, um gravador e um envelope destinado a Dante.

Ele abriu o bilhete.

Se algum dia os meninos reconhecerem a mulher de quem vieram, não a afaste. Use a chave. E, antes de confiar em qualquer pessoa desta família, procure Cecília.

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