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"Quando Você Escolheu Ele, Eu Parei de Escolher Você" Capítulo 9 — A sala onde ela escolheu

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Capítulo 9 — A sala onde ela escolheu

A comissão do hospital exibiu a gravação sem cortes. Na tela, Theo aparecia no corredor, exausto, segurando o telefone como se pudesse impedir a tragédia com as mãos.

“Por favor, Helena. Meu pai não tem mais tempo.”

Depois veio a resposta dela, nítida e sem hesitação.

“Artur precisa ser visto pelo professor. Espera mais um pouco.”

Helena assistiu de pé. Não pediu que desligassem. Quando o presidente da comissão perguntou se ela reconhecia a decisão, respondeu:

“Reconheço.”

“A senhora compreendia que o paciente Augusto Azevedo aguardava avaliação urgente?”

“Compreendia.”

“E mesmo assim manteve o professor na ala particular?”

Ela respirou fundo. “Mantive.”

O afastamento provisório se transformou em processo ético e administrativo. A defesa dela apresentou os fatos sem tentar culpar Theo, Artur ou a equipe. Era pouco diante da morte de Augusto, mas era a primeira escolha de Helena que não transferia o custo para outra pessoa.

Artur, por sua vez, passou a responder formalmente por fraude. Ex-sócios, antigos investidores e prestadores entregaram conversas e documentos. A história do pai solo desamparado não resistiu às planilhas.

Theo aceitou falar a uma repórter uma única vez. Não queria transformar o pai em espetáculo, mas também não aceitava que a linguagem técnica escondesse a gravidade do que ocorrera.

“Meu pai não era um caso”, ele disse para a câmera. “Era um homem com uma oficina, um filho e uma cirurgia marcada. Ninguém pode usar poder, afeto ou prestígio para decidir quem merece atendimento.”

Quando a entrevista acabou, Camila desligou o gravador e lhe entregou uma garrafa de água.

“Você foi bem.”

“Eu queria que ele estivesse aqui para reclamar da luz do estúdio.”

Camila sorriu com tristeza. “Ele reclamaria.”

Na mesma tarde, ela recebeu uma proposta para uma parceria temporária no Rio de Janeiro. Theo ouviu em silêncio. Antes, teria pedido que ela recusasse, ainda que não percebesse o pedido escondido numa frase carente.

“Você deve ir”, ele disse. “É uma oportunidade sua.”

“Eu volto em dois meses.”

“Eu sei.”

Camila tocou a mão dele. “E você não precisa me esperar parado.”

Theo olhou para a planta do centro cultural espalhada na mesa. “Não vou.”

Naquela noite, chegou a intimação da audiência decisiva. Ele a dobrou com cuidado e colocou numa gaveta, ao lado da chave antiga da oficina de Augusto.

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