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"Quando Você Escolheu Ele, Eu Parei de Escolher Você" Capítulo 8 — Nada volta a ser casa

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Capítulo 8 — Nada volta a ser casa

Artur não conseguiu sair de São Paulo. As contas foram bloqueadas antes da transferência principal, e a busca autorizada encontrou computadores, contratos falsos e listas de supostos investidores que jamais existiram.

Quando ele foi chamado para prestar depoimento, Davi chorou no corredor da delegacia. Helena sentou-se ao lado do menino, mas não prometeu que tudo ficaria bem. Ligou para a avó materna dele, explicou o necessário e ficou até que a mulher chegasse.

“Meu pai vai voltar?”, Davi perguntou.

Helena não usou uma mentira fácil. “Os adultos estão resolvendo coisas que ele fez. Você vai ficar seguro com a sua avó.”

Depois, ficou sozinha no corredor por alguns minutos. Aquela era a primeira vez que não transformava a dor de uma criança numa justificativa para salvar Artur das consequências.

Dias mais tarde, ela procurou Theo no estúdio. Levava um comprovante de transferência e uma pequena caixa com os últimos objetos que ele deixara no apartamento.

“Vendi algumas coisas. É a primeira parte dos seiscentos mil.”

Theo não tocou no papel.

“O processo continua.”

“Eu sei.”

“Dinheiro não compra perdão.”

Helena assentiu sem baixar os olhos. “Não vim comprar nada. Vim devolver o que é seu.”

Ele percebeu que aquela frase, embora tardia, era diferente das desculpas que ela costumava levar. Não pediu que ele diminuísse a dívida para que ela respirasse melhor. Mesmo assim, nada se consertou.

Quando o banco retomou o apartamento dado em garantia, Helena voltou para buscar as últimas caixas. A casa já não tinha os livros de Theo, as plantas da varanda ou o copo de água que ele deixava ao lado da cama antes de cada plantão. Havia apenas marcas claras na parede onde antes ficavam quadros.

Ela abriu a geladeira e não soube onde procurar o remédio para o estômago. Encontrou apenas uma luz branca e uma prateleira vazia. A perda não chegou como uma cena grandiosa. Chegou como rotina: a chave sem ninguém do outro lado, uma panela que ela não sabia usar, a cama grande demais.

Enquanto isso, Theo recebeu a proposta para desenhar um centro cultural de bairro com madeira certificada e oficinas de marcenaria. Passou a manhã revendo plantas com Camila, discutindo rampas, ventilação e a fachada que preservaria a memória das casas antigas da região.

“Você não perguntou o que a Helena vai fazer”, Camila observou.

Theo ergueu os olhos, surpreso.

Era verdade. Ele não perguntara.

Na sexta-feira, Camila recebeu uma nova gravação. A câmera do corredor hospitalar registrara Theo implorando para que Helena não levasse Ricardo para a ala particular.

“Isso muda a apuração”, ela disse.

Theo ouviu a própria voz no áudio e não reconheceu o homem desesperado que falava. Ainda assim, não fechou o arquivo.

“Então vamos entregar.”

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