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"Quando Você Escolheu Ele, Eu Parei de Escolher Você" Capítulo 7 — A assinatura escondida

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Capítulo 7 — A assinatura escondida

Camila não esperou que Theo terminasse o café. Abriu o notebook sobre a bancada do estúdio e puxou a cadeira para perto dele.

“A gente conseguiu os arquivos originais.”

Na tela havia uma sequência de mensagens, PDFs com versões diferentes e um registro de envio. Theo reconheceu a assinatura de Helena no rodapé de uma garantia. Em seguida apareceu a mesma assinatura, recortada e anexada a uma alteração societária que a tornava representante legal da Nogueira Health Solutions.

“O ex-sócio guardou tudo porque Artur o expulsou quando ele fez perguntas”, Camila explicou. “Aqui, ele diz que Helena ‘assina sem ler quando se sente culpada’. E aqui está a mensagem em que Artur pede para apagar o histórico da conversa.”

Theo não tocou no notebook. A prova fazia sentido demais. Artur não tinha se limitado a pedir ajuda; preparara Helena para servir de escudo caso o golpe ruísse.

“Isso não apaga o que ela fez com meu pai”, Theo disse.

“Eu sei.”

“Mas não vou deixar Artur inventar uma história em que ela planejou tudo sozinha.”

Camila assentiu. “Então vamos separar as frentes. A fraude empresarial vai para a polícia e para o juízo cível. A conduta da Helena no hospital terá uma apuração própria. Precisamos preservar a cadeia de custódia de tudo.”

Theo se sentou. Antes, teria querido que alguém tomasse a decisão por ele. Agora pegou uma caneta, anotou cada data e perguntou o que ainda faltava.

Naquela noite, Helena ligou para Artur do carro, estacionado sob a marquise do hospital.

“Eu não vou mexer em um centavo do hospital.”

Ele riu do outro lado. “Você já mexeu no que importava. Você usou o professor Ricardo para mim.”

“Não compare isso.”

“Por que não? Você escolheu. Agora escolhe de novo.”

Helena fechou os olhos. Por anos, a voz dele funcionara como uma alavanca dentro dela. Bastava que parecesse perdido, e ela corria para resolver. Naquela noite, porém, viu a própria obediência como se a enxergasse de fora.

“Faça o que quiser”, respondeu. “Eu não vou cometer outro crime por você.”

Desligou antes de escutar a resposta.

No dia seguinte, entregou à diretoria do hospital uma declaração escrita sobre a retirada de Ricardo da rota da UTI. Não pediu que apagassem sua culpa. Pediu apenas que registrassem exatamente o que acontecera e aceitou o afastamento provisório da direção clínica.

No estacionamento, encontrou Artur com duas malas e Davi no banco de trás, apertando um brinquedo contra o peito.

“Para onde você vai?”

“Passar uns dias fora. O menino precisa respirar.”

“Você está fugindo.”

Artur se aproximou. “Você está me abandonando.”

Helena olhou para Davi. “Não use seu filho para isso.”

Artur bateu a porta do carro e saiu em alta velocidade.

Camila recebeu, naquela mesma tarde, a informação de que ele tentaria sacar valores de contas vinculadas à empresa antes de deixar a cidade. Theo assinou a autorização para o pedido de bloqueio urgente.

“Tem certeza?”, Camila perguntou.

Theo pensou em Augusto esperando por um médico que chegou ao prédio, mas não ao quarto certo.

“Desta vez, ninguém vai ficar sem resposta.”

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