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"Quando Você Escolheu Ele, Eu Parei de Escolher Você" Capítulo 6 — A verdade que ela comprou

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Capítulo 6 — A verdade que ela comprou

Theo chamou seu projeto para o concurso municipal de arquitetura de Casa de Dentro. Era uma moradia compacta, iluminada por um pátio central e construída com madeira reaproveitada. Cada encaixe vinha de uma solução que Augusto lhe ensinara na oficina.

Quando recebeu a notícia de que ficara entre os finalistas, permaneceu parado diante da tela por quase um minuto.

“Você conseguiu”, Camila disse.

“Ainda não.”

“Você voltou a desenhar. Para alguém que tinha parado seis anos, isso já é muita coisa.”

Theo sorriu de leve. Era a primeira vez que sorria sem se sentir desleal à memória do pai.

Camila então abriu o envelope. O prazer pela vitória desapareceu.

“Artur foi desligado de uma instituição no exterior por fraude acadêmica. A empresa dele não tem equipe técnica, produto registrado nem investidores de verdade.”

Ela colocou sobre a mesa cópias de registros, transferências fragmentadas e e-mails enviados de contas diferentes para simular interesse de fundos.

“Os R$ 600 mil foram repartidos entre contas de terceiros. Parte do crédito garantido pelo apartamento também. Há um ex-sócio disposto a falar, mas ele teme represálias.”

Theo leu tudo sem pressa. Não queria que a raiva tornasse a prova frágil.

“Preserva os originais. Pede perícia nos metadados. E não entrega nada ao hospital antes de saber exatamente o que prova a fraude e o que prova a decisão da Helena.”

Camila o observou. “Você quer protegê-la?”

“Não. Quero ser correto. Artur pode tê-la enganado nos contratos. Isso não muda o que ela escolheu fazer com meu pai.”

No hospital, Helena enfrentava outra espécie de ruína. Famílias cobravam explicações por cirurgias adiadas quando ela saía para atender Artur. A diretoria pedira relatórios sobre o tempo em que Ricardo ficara retido na ala particular. Ela ainda se dizia que conseguiria resolver, devolver dinheiro, pedir perdão do jeito certo.

Artur entrou no escritório sem bater.

“Preciso de mais um milhão.”

Helena ergueu os olhos. “Eu não tenho mais patrimônio.”

“Você tem acesso.”

“Não ao que você está pensando.”

“O hospital tem fundos, pesquisa, orçamento. Você é diretora clínica.”

Ela se levantou. “Você está sugerindo desvio de dinheiro?”

“Estou sugerindo que salve o investimento que fez.”

“Não.”

Artur sorriu, e a leveza que Helena sempre chamara de charme desapareceu.

“Então lê o que assinou.”

Ele abriu uma pasta e apontou o dedo para uma linha no final de um documento. No campo de representante legal da Nogueira Health Solutions estava o nome completo dela.

“Isso era uma garantia”, Helena sussurrou.

“Era o que eu disse. Você não leu porque confiava em mim.”

“Eu não concordei em ser representante.”

“Sua assinatura concordou.”

Ele se inclinou sobre a mesa. “Três dias. Ou você arruma o dinheiro, ou eu digo que a empresa sempre foi sua ideia. Você tem um cargo público, Helena. Imagina como isso vai soar.”

Pela primeira vez, ela não viu nele o homem que precisava ser salvo. Viu o homem que havia contado com a própria cegueira.

Naquela mesma tarde, um ex-sócio encaminhou a Camila cópias digitais dos documentos e uma mensagem antiga de Artur celebrando que Helena “assina sem ler quando se sente culpada”. Camila levou o material a Theo.

Ele organizou as folhas por data: o dinheiro, as garantias, as conversas, os e-mails, a assinatura.

Do lado de fora do estúdio, São Paulo seguia barulhenta e indiferente. Theo pensou no pai, na caixa de alianças inacabada, nos oito dias vazios no cartório. Depois fechou a pasta.

“Eu não vou destruir ninguém”, disse.

Camila esperou.

Theo ergueu os olhos.

“Mas não vou continuar sendo destruído para que ela finja que não escolheu.”

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