localização atual: Novela Mágica Quando Você Escolheu Ele, Eu Parei de Escolher Você Capítulo 4 — O preço de algumas horas
标题上

"Quando Você Escolheu Ele, Eu Parei de Escolher Você" Capítulo 4 — O preço de algumas horas

正文开头

Capítulo 4 — O preço de algumas horas

Uma funcionária do evento chamou uma ambulância. Theo acordou numa maca, com a mão enfaixada e uma enfermeira dizendo que ele tivera exaustão pelo calor agravada pela febre.

“Seu acompanhante já foi avisado?”

Theo olhou para o celular. Havia três chamadas perdidas de Helena, recebidas tarde demais.

“Não preciso de acompanhante.”

Saiu contra orientação, comprou água numa padaria e foi direto à oficina de Augusto. O pai tinha passado a vida naquele sobrado estreito: madeira empilhada, cheiro de verniz e o rádio antigo que nunca sintonizava direito. Theo encostou a mão na bancada marcada por cortes e soube que vender aquele lugar seria como arrancar mais uma parte do pai antes da hora.

Mesmo assim, assinou a proposta de venda rápida no fim do dia.

Com a entrada, pagaria a equipe e a reserva cirúrgica. Um antigo professor de faculdade, sensibilizado pela urgência, encaminhou sua mensagem a Ricardo Salles. À noite, o cirurgião ligou.

“Revisei os exames. Posso estar no hospital às oito da manhã.”

Theo se sentou no chão do corredor da oficina. “Obrigado, professor.”

“Não me agradeça ainda. Vamos trabalhar.”

Pela primeira vez em dias, Theo dormiu duas horas seguidas numa cadeira da UTI.

Às oito e dez, Ricardo chegou ao hospital. Às oito e vinte, Theo percebeu que ele não vinha pelo corredor da UTI. Uma enfermeira, constrangida, contou que Helena o levara até a ala particular para ver Artur.

Theo correu até lá. Encontrou o cirurgião diante de uma sala de exames, enquanto Artur estava sentado numa cadeira, pálido de teatro, com uma mão sobre o peito.

“Meu pai está esperando”, Theo disse.

Ricardo olhou para Helena. “O senhor Augusto é o caso da manhã?”

“Artur sentiu dor. Eu pedi que o professor descartasse algo grave primeiro.”

“Existe cardiologia de plantão”, Theo respondeu. “Há uma equipe inteira para isso.”

Helena elevou a voz. “Você não vai me dizer como conduzir um hospital.”

“Eu estou dizendo para você não tirar o médico que veio salvar o meu pai para tranquilizar um homem consciente.”

Artur fechou os olhos como se o barulho lhe fizesse mal. “Helena, se isso está causando problema, eu vou embora.”

Ela segurou o braço dele. “Você não vai a lugar nenhum.”

Theo sentiu a raiva ficar limpa, fria. “Claro. Meu pai é sempre o lugar de onde alguém pode ir embora.”

Ricardo tentou intervir. “Dra. Helena, eu preciso subir. Posso deixar recomendações para a equipe.”

“Só mais alguns minutos.”

“Minutos são exatamente o que ele não tem”, Theo disse.

Helena chamou os seguranças quando Theo tentou passar. Ele foi contido no corredor enquanto ouvia, longe, o som das portas automáticas e os próprios pedidos perdendo força.

Quando Ricardo finalmente saiu da ala particular, os exames de Artur eram normais. O cirurgião correu para a UTI, mas já havia uma movimentação diferente ali. O plantonista esperava do lado de fora com os ombros curvados.

“Sinto muito. Ele teve uma piora súbita. A equipe tentou reverter.”

Theo não entendeu a frase na primeira vez. Só entendeu quando viu o lençol cobrir o corpo do pai e a caixa de alianças que Augusto tinha levado para casa repousar na poltrona, sem mãos para terminá-la.

Helena chegou atrás dele. O rosto dela estava branco.

“Eu achei que dava para esperar.”

Theo tirou o anel de noivado. Não arremessou. Colocou-o na palma dela e fechou os dedos dela ao redor do metal.

“Meu pai esperou por você. Eu esperei por você. Nunca mais.”

Ela tentou tocar o braço dele. Theo se afastou.

“Não apareça no velório.”

下一张上
下一章下

você pode gostar

Compartilhar Link

Copie o link abaixo para compartilhar com seus amigos:

页面底部