"Quando Você Escolheu Ele, Eu Parei de Escolher Você" Capítulo 2 — A noite que ela não viu
Capítulo 2 — A noite que ela não viu
Não havia carro disponível. A bateria do telefone morreu antes de Theo encontrar uma marquise. Quando finalmente conseguiu um táxi, já era madrugada, e o motorista o deixou duas quadras antes de casa por causa de uma rua alagada.
Ele chegou ao apartamento ao amanhecer, molhado até os ossos, com os sapatos cheios de água e uma ardência insistente nos pés.
Helena estava na cozinha, de camiseta larga e cabelo preso. Mexia uma panela como se a noite tivesse sido normal.
“Onde você passou? Você está péssimo.”
Theo tirou o casaco sem responder.
“Eu tentei ligar depois”, ela continuou. “Artur dormiu no carro. Eu precisei levá-lo para casa, e o menino acordou chorando. Não dava para abandonar os dois.”
“Mas dava para me abandonar.”
Antes que ela respondesse, Davi surgiu correndo pelo corredor com uma pequena cadeira de madeira nas mãos. Era uma peça de maquete feita por Augusto; Theo a guardava na estante porque o pai dizia que servia para lembrar que uma casa começa numa escala pequena.
“Olha, pai! Eu achei um banquinho de boneco.”
Artur apareceu atrás do filho usando a camisa branca que Augusto havia costurado para Theo usar no casamento. A gola era de linho, os botões de madrepérola. O tecido tinha passado semanas nas mãos trêmulas de Augusto.
Theo parou no meio da sala.
“Tira essa camisa.”
Artur olhou para si mesmo como se só então tivesse percebido. “Minha roupa sujou ontem. A Helena disse que eu podia pegar uma.”
“Ela disse que você podia pegar a minha roupa de casamento?”
Helena cruzou os braços. “É uma camisa. A sua está no quarto e ele precisava de algo limpo.”
“Essa não é só uma camisa.”
Artur fez uma expressão contrita. “Eu devolvo. Desculpa, Theo. Não sabia.”
Ele puxou a gola com força demais. O linho rasgou com um estalo seco.
Por um momento, ninguém falou.
Theo avançou um passo. Artur recuou, e Helena se colocou entre os dois.
“Foi acidente”, ela disse. “A gente manda restaurar.”
“Meu pai fez isso para mim.”
“Ele pode fazer outra.”
Theo riu sem humor. “Você sabe que ele não consegue trabalhar como antes.”
Helena desviou os olhos. Ela sabia. Sabia da ponte de safena, do tremor na mão direita, das tardes em que Augusto precisava sentar depois de quinze minutos de corte. Ainda assim, parecia mais preocupada com o desconforto de Artur do que com o rasgo que Theo segurava.
A campainha tocou. Augusto entrou com uma caixa retangular embrulhada em papel pardo. Viera perguntar como fora o cartório e entregar a moldura de madeira das alianças.
Viu primeiro o filho encharcado. Depois a camisa em Artur. Depois o rasgo.
“Foi essa que eu fiz para você?”
Theo tentou tomar a caixa de suas mãos. “Pai, deixa isso. Eu explico depois.”
Mas Augusto já tinha levado a mão ao peito. A caixa caiu, espalhando no chão a moldura ainda inacabada. O rosto dele perdeu a cor.
“Pai!”
Theo o amparou antes que batesse a cabeça no piso. Helena ajoelhou ao lado dos dois, profissional por alguns segundos: checou o pulso, pediu que Artur ligasse para a emergência, mandou Davi para o quarto.
No pronto-socorro, o médico plantonista não demorou a ser direto. A crise era grave. Augusto precisava de estabilização imediata e de uma cirurgia complexa assim que estivesse seguro para suportá-la.
“O caso dele talvez se beneficie da avaliação do professor Ricardo Salles”, o médico explicou, reconhecendo Helena. “A senhora foi aluna dele, não foi?”
Theo segurou a mão dela no corredor. “Liga para ele. Por favor.”
Helena baixou os olhos. “Ricardo tem agenda cirúrgica marcada. Não posso usar uma relação pessoal para passar alguém na frente.”
“Ele não está pedindo favor para uma vaga de estacionamento. É meu pai.”
“Existem regras.”
Theo sentiu algo romper dentro de si.
“Para o Artur, você chama de cuidado. Para o meu pai, chama de regra.”
O plantonista chamou Helena para auxiliar na estabilização. Ela colocou o jaleco, e Theo quase acreditou que, ao menos naquela sala, ela escolheria o paciente diante dela.
“Não vai embora”, ele pediu.
“Eu não vou.”
O telefone dela tocou poucos minutos depois.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4