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"Quando o Vento Volta para Casa" Capítulo 9 — O Homem por Trás das Mensagens

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Capítulo 9 — O Homem por Trás das Mensagens

A visão de Diego voltou em pedaços.

Primeiro ele distinguiu a forma da janela. Depois o contorno de uma cadeira. Quando finalmente viu Elisa sentada ao lado da cama, os cabelos presos e o rosto mais magro, chorou sem tentar disfarçar.

“Você ficou.”

Elisa encostou a testa na dele.

“Eu disse que ficava.”

Ela entregou a caixa de desenhos de Miguel. Diego passou por todos devagar: o menino, a escola, três figuras de mãos dadas diante da serra.

No último, Miguel tinha escrito com letras tortas:

A mamãe está cuidando do Diego. Eu espero vocês.

Diego segurou o papel por muito tempo.

“Ele está aprendendo a escrever.”

“E a ensinar. A professora Joana diz que ele corrige os sinais dela.”

Diego riu. Depois a expressão mudou ao lembrar da mensagem.

“Eu preciso te contar.”

Contou sobre a festa da Vértice Live. Sobre Helena Vasconcelos tentando fazê-lo aceitar um contrato de exclusividade. Sobre a bebida adulterada, a tentativa de intimidá-lo e as fotos tiradas enquanto ele era contido por seguranças.

Ele não descreveu mais do que conseguia. Elisa não pediu detalhes que ele não queria dar.

“Quando Rafael, meu agente, chegou, eu achei que ele tinha me salvado. Helena disse que as cópias seriam apagadas. Rafael ficou com os arquivos para falar com advogados.”

“E depois começou a chantagem.”

Diego assentiu.

“Eu achei que era Helena. Mas, quando fui pressionar a empresa, ela parecia genuinamente confusa sobre as mensagens.”

Elisa abriu o notebook. Durante semanas, enquanto Diego dormia, ela e Camila tinham reunido contratos, e-mails e documentos de fornecedores. O nome de Rafael aparecia em autorizações de publicidade que Diego nunca tinha visto.

“A Vértice criou o ambiente”, Elisa disse. “Mas alguém dentro do seu círculo alimentou a denúncia, aprovou as campanhas irregulares e guardou as imagens.”

“Rafael.”

“Eu não quero acusar sem prova.”

Diego respirou fundo. “Então vamos buscar prova.”

Quando recebeu alta parcial, meses depois, ele não foi direto para Pedra Clara. Pediu a Camila que conseguisse uma reunião com Helena em um escritório de advocacia, com todos os registros preservados.

Helena chegou com duas advogadas e uma expressão que alternava entre desprezo e cálculo.

“Você devia estar se recuperando”, ela disse a Diego.

“Eu estou. Por isso vim.”

Elisa se sentou ao lado dele, não na frente. Era uma diferença pequena, mas Diego percebeu.

Eles apresentaram os contratos com assinaturas de Rafael, as mensagens internas e as datas das campanhas que haviam sido lançadas sem sua aprovação.

Helena negou primeiro. Depois atacou. Por fim, quando viu que os documentos não iam sumir, admitiu que a Vértice tinha manipulado publicidade e patrocinado perfis para empurrar a narrativa de fraude.

“Mas as fotos não estão comigo”, ela disse. “Eu mandei apagar tudo no mesmo dia. Rafael disse que precisava de uma cópia para o jurídico.”

Diego a encarou. “Ele disse que tinha apagado.”

“Então mentiu para você.”

Na saída, Diego parecia mais cansado do que depois de qualquer sessão de tratamento. Elisa não tentou animá-lo.

“Ele foi meu amigo”, ele disse.

“Foi alguém em quem você confiou.”

“Não sei o que é pior.”

Ela segurou sua mão. “A gente descobre sem deixar ele decidir o fim.”

Camila conseguiu marcar uma conversa com Rafael em um restaurante reservado, sob orientação da advogada de Diego. Antes de sair do carro, ele recebeu outra mensagem.

Você vai mesmo voltar para ela? Então prepare-se para ela ver quem você é.

Diego mostrou a tela a Elisa.

As mãos dele tremiam, mas ele não guardou o celular.

“Desta vez”, disse, “eu não vou esconder nada. Mas você precisa ouvir até o fim.”

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