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"Quando o Vento Volta para Casa" Capítulo 7 — Não Decida a Minha Vida Outra Vez

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Capítulo 7 — Não Decida a Minha Vida Outra Vez

“Diego!”

Elisa caiu de joelhos na lama quando o viu.

Ele estava encolhido entre duas pedras, protegido apenas pelo tronco torto de um pinheiro. A chuva tinha colado o cabelo na testa e deixado seus lábios sem cor. Por um instante tão longo que doeu, ela achou que tinha chegado tarde.

Então os cílios dele tremeram.

“Elisa?”

Ela levou as duas mãos ao rosto dele. “Eu estou aqui.”

“É… a câmera?”

“Não.” A voz dela se quebrou. “Sou eu.”

Diego tentou sorrir, mas o corpo inteiro tremia. “Então você viu.”

“Vi tudo.”

O sargento Batista chegou com uma manta térmica e mais dois homens da equipe de resgate. Elisa se afastou apenas o suficiente para que o envolvessem. Diego segurou seu pulso antes que ela pudesse sair.

“Não fica com pena de mim.”

Elisa se inclinou, a chuva escorrendo pelo queixo.

“Eu não estou aqui por pena.”

Ele fechou os olhos, exausto demais para responder.

No hospital regional, a doutora Renata foi direta: a exposição ao frio tinha piorado um estado que já era frágil. Diego precisava ser transferido para São Paulo assim que estivesse estável para viajar.

Elisa ficou ao lado da cama enquanto ele acordava aos poucos, com o rosto voltado para a luz cinza da janela.

“Você leu os relatórios?”, ele perguntou.

“Li.”

“Então sabe que eu não fui embora porque você não bastava.”

“Eu sei.”

“Mas eu fui embora sem te deixar escolher.”

Elisa respirou fundo. Aquela era a parte em que ela costumava fugir, transformar dor em ironia, dizer que já não importava.

Dessa vez, puxou uma cadeira e se sentou.

“Você tirou de mim a chance de dizer que eu ficaria”, falou. “E eu passei seis anos usando isso para não admitir que ainda sentia sua falta.”

Diego virou o rosto para ela. “Você não me deve nada.”

“Eu sei. E você também não me deve uma despedida bonita.”

Ela segurou a mão dele. Não como quem salva alguém. Como quem, finalmente, para de soltar.

Miguel entrou depois, acompanhado por Joana. Levava o caminhão de madeira contra o peito. Ao ver Diego acordado, correu até a cama e colocou o brinquedo sobre o lençol.

Diego fez sinais lentos.

É seu favorito.

Miguel respondeu, com os olhos brilhando:

Protege você.

Diego fechou os dedos ao redor do caminhão. Quando ergueu os olhos, havia lágrimas que ele não tentou esconder.

Naquela tarde, Elisa ligou para Camila.

“Eu aceito conversar sobre

Vozes da Montanha

”, disse. “Mas tem uma condição.”

“Qual?”

“A história não vira campanha sobre a doença de Diego. A obra não é moeda para comprar a simpatia de ninguém.”

Camila respondeu sem hesitar. “Fechado.”

Mais tarde, a doutora Renata explicou o plano para Diego. Haveria uma equipe em São Paulo disposta a reavaliar seu tratamento e uma possibilidade de protocolo experimental, mas nenhuma garantia.

Depois que a médica saiu, Diego permaneceu olhando o teto.

“Tenho medo”, ele admitiu.

Elisa não tentou consertar a frase.

“Eu também.”

Ele virou a cabeça. “Você vai estar lá quando eu acordar?”

Ela apertou a mão dele.

“Desta vez, eu não vou embora sem dizer.”

Na manhã da transferência, Diego pediu água. Elisa foi até a máquina do corredor. Quando voltou, encontrou-o sentado na cama com o celular na mão e o rosto sem sangue.

“O que aconteceu?”

Ele virou a tela depressa demais.

“Nada.”

Ela se aproximou. Havia uma mensagem de número desconhecido e uma imagem borrada que ele tentou esconder com a palma da mão.

Elisa não forçou o celular. Apenas percebeu o terror quieto no olhar dele.

“Diego, o que é isso?”

Ele fechou os olhos.

“Uma coisa que eu preciso resolver sozinho.”

E, antes que ela pudesse impedir, ele acrescentou:

“Não vem atrás de mim quando eu sair daqui.”

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