"A Filha da Empregada Tocou na Perna do Chefe da Máfia… E Revelou Algo Que Ninguém Viu" Capítulo 7 — Você Queria Meu Lugar
Ricardo não negou.
O documento estava sobre a mesa.
Sua assinatura aparecia no final.
Dante ficou em pé diante dele.
Bruno permanecia perto da porta.
Teresa não fora convidada.
"Você queria meu lugar."
Ricardo apoiou as mãos nos braços da cadeira.
"Queria proteger a família."
"Não use família."
"É exatamente sobre a família."
"Você entrou com um pedido judicial sem me contar."
"Porque alguém precisava preservar nossos direitos."
"Se eu fosse declarado incapaz."
"Se você não pudesse continuar."
Dante inclinou-se.
"Você sabia da cláusula."
"Desde antes de você nascer."
"E nunca me contou."
"Seu pai não queria que você soubesse."
"Meu pai está morto."
"E mesmo morto continua criando problemas."
Dante ficou alguns segundos em silêncio.
"Você mexeu na minha órtese?"
"Não."
"Mandou alguém mexer?"
"Não."
"Sabotou meu carro?"
"Não."
"Apagou as câmeras?"
"Não."
"Trancou Camila na garagem?"
Ricardo bateu a mão na cadeira.
"Não!"
Bruno avançou meio passo.
Ricardo respirou fundo.
"Sim, eu queria assumir temporariamente."
Dante não piscou.
"Finalmente."
"Você mal conseguia andar."
"E isso fazia de você a melhor escolha?"
"Fazia de mim a única escolha."
Dante sorriu sem humor.
"Continue."
"Eu pedi informações a Camila."
"Por trás de mim."
"Sim."
"Entrou na ala de reabilitação."
"Sim."
"E?"
"Falei com ela e fui embora."
"Sofia viu você."
"Porque eu estava lá."
"Ela ouviu um homem dizer 'só o suficiente'."
Ricardo ficou quieto.
"Foi você?"
"Não."
Dante observou seu rosto.
"Então quem?"
"Não sei."
Ricardo abriu a pasta que trouxera.
Retirou vários papéis.
"Mas eu sei que alguém quer que você pense que fui eu."
Bruno pegou os documentos.
"O que é isso?"
"Registros de acesso."
Dante franziu a testa.
"De onde?"
"Do Grupo."
"Por que você tem isso?"
"Porque comecei minha própria investigação há um mês."
Silêncio.
"Por quê?"
Ricardo olhou para a perna dele.
"Porque sua piora não fazia sentido."
Dante ficou surpreso.
"Você queria me afastar."
"Queria."
"Mas investigava por que eu estava piorando?"
"Uma coisa não impede a outra."
Ricardo apontou para os registros.
"Meu cartão preto foi usado duas vezes quando eu estava fora de São Paulo."
Bruno começou a conferir.
"Clonagem?"
"Ou alguém criou uma credencial espelho."
"Por que não contou?"
Ricardo riu.
"Porque eu não confio no seu departamento de segurança."
Bruno endureceu.
"Repita."
"Você ouviu."
Dante levantou a mão.
"Chega."
Ricardo continuou:
"Se alguém pode apagar onze minutos das suas câmeras, Bruno, você tem um problema."
Bruno não respondeu.
Era verdade.
Ricardo levantou.
"Eu queria seu cargo, Dante."
A frase ficou pesada.
"Mas queria receber o Grupo inteiro."
Ele aproximou-se.
"Não destruir o homem que carrega meu sobrenome."
Dante encarou o tio.
"Não sei se acredito."
"Não precisa."
Ricardo apontou para os papéis.
"Acredite nos horários."
Depois saiu.
Naquela tarde, Isabela voltou ao quarto de serviço.
A porta estava aberta.
Ela tinha certeza de que a fechara.
Entrou devagar.
As gavetas estavam no chão.
Roupas espalhadas.
O colchão fora levantado.
"Sofia?"
Nenhuma resposta.
Isabela correu para o quarto ao lado.
A menina estava com uma funcionária.
Segura.
Isabela respirou.
Então percebeu.
"O brinquedo."
Sofia olhou para ela.
"O quê?"
"Seu brinquedo de madeira. Onde está?"
A menina apontou para o quarto.
Não estava lá.
Isabela chamou Bruno.
Em menos de três minutos, seguranças ocuparam o corredor.
"Nada mais sumiu?"
"Nada."
"Dinheiro?"
"Está aqui."
"Documentos?"
"Também."
Dante chegou.
"O que levaram?"
Isabela olhou para ele.
"O brinquedo da Sofia."
Dante ficou sério.
A placa de trincos.
O objeto que Sofia usara para explicar como a peça da órtese deveria funcionar.
"Por quê?", perguntou Isabela.
Dante sabia.
"Porque alguém acha que existe alguma coisa nele."
"Mas não existe."
"Ou querem apagar qualquer coisa ligada ao que ela viu."
Sofia apareceu atrás da funcionária.
"Meu brinquedo?"
Isabela a abraçou.
"Vamos comprar outro."
"Eu quero aquele."
Dante se abaixou.
"Eu vou encontrar."
Sofia olhou para ele.
"Promete?"
Dante hesitou.
Homens como ele evitavam promessas.
"Prometo."
Às onze e quinze da noite, uma funcionária gritou no corredor.
Todos correram.
O brinquedo estava sobre a cama de Sofia.
Ninguém sabia como tinha voltado.
Bruno pegou a placa usando luvas.
Havia um pedaço de papel preso embaixo.
Dante abriu.
Cinco palavras.
A menina precisa esquecer o que viu.
Isabela ficou sem cor.
Dante amassou o papel.
"Bruno."
"Sim."
"Quero saber quem entrou neste andar."
"Vou verificar."
"Agora."
Isabela segurou Sofia.
"Chega."
Dante virou-se.
"Eu vou embora com ela."
"Não."
"Não me diga não!"
A voz de Isabela ecoou.
"Primeiro mexeram na sua perna. Depois uma mulher desapareceu. Agora entram no quarto da minha filha."
Dante se aproximou.
"E é exatamente por isso que você não vai atravessar aquele portão sem proteção."
"Eu não quero viver assim!"
"Nem eu."
Isabela parou.
Dante olhou para Sofia.
A menina estava chorando em silêncio.
Algo mudou em seu rosto.
Quando voltou a falar, sua voz estava mais baixa.
"Prepare suas coisas."
Isabela ficou surpresa.
"Você vai deixar a gente sair?"
"Não."
"Então..."
"Vocês não vão mais ficar na ala dos empregados."
Dante olhou para Bruno.
"Leve as duas para o corredor privado."
Bruno assentiu.
Isabela arregalou os olhos.
Aquele corredor ficava junto aos aposentos pessoais de Dante.
"Eu sou empregada."
Dante encarou-a.
"Hoje você é uma testemunha."
Depois olhou para Sofia.
"E ela é o motivo de alguém nesta casa estar com medo."
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