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"A Filha da Empregada Tocou na Perna do Chefe da Máfia… E Revelou Algo Que Ninguém Viu" Capítulo 5 — Minha Própria Casa

正文开头

Marcelo Ferraz entrou na Mansão Montenegro às nove e doze da manhã.

Não parecia um homem que sabia estar sendo investigado.

Terno azul-escuro.

Gravata impecável.

Celular numa mão.

Uma pasta de couro na outra.

Cumprimentou dois seguranças, atravessou o hall e parou quando viu Bruno esperando perto da escada.

"Algum problema?"

"Depende."

Marcelo arqueou uma sobrancelha.

"Do quê?"

"De onde você estava dois dias antes do acidente de Dante."

O sorriso desapareceu.

"Então chegamos nisso."

Bruno não respondeu.

"Ele está no escritório?"

"Está."

Marcelo seguiu pelo corredor.

Dante estava atrás da mesa quando ele entrou.

A bengala permanecia encostada na parede.

Marcelo notou imediatamente.

"Está andando sem ela?"

"Às vezes."

"Isso é ótimo."

"É?"

Marcelo fechou a porta.

"Claro."

Dante empurrou uma folha sobre a mesa.

O registro da garagem.

Marcelo leu.

"Você retirou meu carro quarenta e oito horas antes do acidente."

"Sim."

"Por quê?"

"Revisão."

"Que eu pedi?"

"Seu painel estava mostrando um alerta."

"Não lembro."

"Porque você não cuidava pessoalmente dessas coisas."

Dante permaneceu em silêncio.

Era verdade.

Marcelo administrava centenas de detalhes operacionais.

Durante dezessete anos, Dante confiara nele.

"Para onde levou?"

"Oficina da empresa."

"Quem trabalhou no carro?"

"Posso conseguir a ordem de serviço."

"Já conseguimos."

Marcelo olhou para Bruno.

"Então sabem que eu não toquei nos freios."

"A ordem de serviço diz que você entregou o veículo."

"Exatamente."

"Também diz que buscou."

"Sim."

Dante se inclinou para a frente.

"Meu freio foi sabotado."

Marcelo parou.

Por um instante, a surpresa pareceu verdadeira.

"Sabotado?"

"Não foi acidente."

Marcelo passou a mão pelo queixo.

"Meu Deus."

"Não use Deus para ganhar tempo."

"Não estou ganhando tempo."

"Então me diga por que seu pai aparece numa fotografia que minha família escondeu durante quase vinte anos."

Marcelo perdeu a cor.

Dante colocou a fotografia sobre a mesa.

Augusto Ferraz estava ao lado de Otávio, Teresa e Ricardo.

Marcelo não tocou nela.

"Quem deu isso a você?"

"Não importa."

"Importa para mim."

"Seu pai tentou tomar o Grupo Montenegro?"

Marcelo riu sem humor.

"Foi isso que Teresa contou?"

"Responda."

"Meu pai morreu acreditando que os Montenegro roubaram a parte dele."

Bruno deu um passo.

Dante ergueu a mão.

"Continue."

"Augusto ajudou a construir as primeiras empresas. Depois, seu pai decidiu que ele era um problema."

"Por quê?"

"Pergunte à sua mãe."

"Estou perguntando a você."

Marcelo encarou Dante.

"Porque as famílias poderosas sempre escrevem a versão da história que as favorece."

"Você trabalhou dezessete anos comigo."

"Trabalhei."

"Por quê?"

"Porque você não é seu pai."

Dante sustentou o olhar.

"Espero que isso seja verdade."

Marcelo virou-se para sair.

Bruno bloqueou a porta.

"Seu cartão."

Marcelo franziu a testa.

"Como?"

"O cartão preto."

"Por quê?"

"Auditoria de segurança."

Marcelo retirou o cartão da carteira.

Colocou na mão de Bruno.

"Façam o que quiserem."

Antes de sair, olhou novamente para Dante.

"Se eu quisesse terminar o que meu pai começou, não teria esperado dezessete anos."

正文1

A porta fechou.

Bruno olhou para Dante.

"Convenceu você?"

"Não."

"Também não me convenceu."

"Mas ele falou uma verdade."

"Qual?"

"Minha mãe ainda não contou tudo."

Na ala de serviço, Isabela tentava convencer Sofia a comer.

A menina empurrava o arroz de um lado para o outro.

"Você precisa comer."

"Não estou com fome."

"Ontem também não estava."

Sofia levantou os olhos.

"Quando vamos embora?"

Isabela não soube responder.

Queria dizer hoje.

Queria pegar a filha e nunca mais olhar para a Mansão Montenegro.

Mas havia dois homens do lado de fora do quarto.

Não para mantê-las presas.

Para mantê-las vivas.

"Logo."

"Eu gosto daqui."

"Eu sei."

"E do senhor Dante."

Isabela suspirou.

"Você não deveria chamar seu patrão de senhor Dante."

"Ele não é meu patrão."

Isabela quase sorriu.

"Isso é verdade."

Sofia finalmente colocou uma colher na boca.

Isabela saiu para buscar água.

No corredor de serviço, percebeu uma porta de depósito entreaberta.

Estranho.

Ela mesma a havia trancado naquela manhã.

Entrou.

Caixas de produtos estavam fora do lugar.

Um pacote de toalhas caíra no chão.

Isabela se abaixou para recolhê-lo.

Viu algo preto atrás da prateleira.

Uma bolsa pequena.

Não era dela.

Abriu.

Havia luvas.

Uma chave de precisão.

Fitas.

Pequenas ferramentas.

E uma fotografia.

Isabela sentiu o coração acelerar.

Era outra cópia da mesma foto encontrada no antigo escritório.

Otávio.

Teresa.

Ricardo.

Augusto Ferraz.

Virou.

Havia uma frase escrita à mão.

"Quatro começaram. Só um ficará com tudo."

"Você nunca deveria ter encontrado isso."

Isabela congelou.

Teresa Montenegro estava na porta.

A velha senhora não parecia zangada.

Parecia apavorada.

Isabela segurou a bolsa.

"Isso é seu?"

"Não."

"Então de quem é?"

"Coloque onde encontrou."

"Alguém escondeu ferramentas na área dos empregados."

"Isabela."

"Se isso tem alguma coisa a ver com o que fizeram com o senhor Dante..."

"Não diga o nome dele."

Isabela ficou surpresa.

Teresa entrou e fechou a porta.

"Você não entende o que está acontecendo."

"Então me explique."

"Não é problema seu."

"Virou problema meu quando minha filha viu alguma coisa."

Teresa olhou para ela.

"Foi exatamente por isso que vocês deveriam ter ido embora antes."

Isabela sentiu um frio no estômago.

"Antes de quê?"

Teresa percebeu que falara demais.

Isabela levantou a fotografia.

"Quem era Augusto Ferraz?"

"Um homem que deveria ter ficado no passado."

"E por que alguém está escondendo uma foto dele dentro da sua casa?"

Teresa não respondeu.

"Por que seu filho quase morreu?"

Silêncio.

"Por que estão tentando fazer Dante parecer incapaz?"

Teresa fechou os olhos.

Quando os abriu, havia uma dor antiga ali.

"Porque isso nunca foi sobre a perna dele."

Isabela apertou a bolsa.

"Então é sobre o quê?"

Teresa olhou para a fotografia.

"Sobre algo que começou antes de Dante comandar qualquer coisa."

"Que coisa?"

"Uma dívida."

"De dinheiro?"

"Não."

Teresa balançou a cabeça.

"De sangue."

Isabela ficou imóvel.

Teresa tocou o rosto de Augusto na fotografia.

"Esse homem não é o segredo."

"Então qual é?"

Teresa levantou os olhos.

"O verdadeiro segredo é por que Otávio teve tanto medo dele."

Isabela esperou.

A resposta veio quase num sussurro.

"Augusto sabia que parte do império Montenegro nunca pertenceu apenas à nossa família."

"Não estou entendendo."

"Não precisa entender."

"Preciso, sim."

Teresa se aproximou.

"Não. Você precisa pegar sua filha e sobreviver a isso."

Isabela sentiu a respiração falhar.

"Quem tentou matar Dante?"

Teresa demorou a responder.

"Talvez a mesma pessoa que passou todos esses anos esperando para terminar o que Augusto começou."

Do lado de fora, alguém recuou silenciosamente da porta.

Nenhuma das duas mulheres ouviu.

Mas, alguns segundos depois, no fim do corredor, uma porta se fechou.

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