localização atual: Novela Mágica A Filha da Empregada Tocou na Perna do Chefe da Máfia… E Revelou Algo Que Ninguém Viu Capítulo 4 — O Homem Que Já Estava Morto
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"A Filha da Empregada Tocou na Perna do Chefe da Máfia… E Revelou Algo Que Ninguém Viu" Capítulo 4 — O Homem Que Já Estava Morto

正文开头

O cofre estava atrás de uma estante no antigo escritório de Otávio Montenegro.

Dante não entrava ali havia anos.

Teresa proibira os empregados de alterar qualquer coisa depois da morte do marido.

Os livros continuavam nas mesmas prateleiras.

A velha mesa permanecia diante da janela.

Até o relógio de bronze ainda estava parado às seis e dezessete.

Bruno colocou três caixas sobre a mesa.

"Isso é tudo?"

"Segundo o inventário."

Dante abriu a primeira.

Documentos.

Fotografias.

Contratos antigos.

Na segunda, objetos pessoais.

Um relógio.

Abotoaduras.

Uma caneta Montblanc.

Nenhum anel.

Dante abriu a terceira caixa.

Vazia.

"Por que existe uma caixa vazia?"

Bruno verificou o inventário.

"Não deveria estar vazia."

Dante pegou o papel.

Havia três itens registrados.

Um anel de família.

Uma chave.

E um envelope lacrado.

Nenhum dos três estava ali.

"Quem fez o inventário?"

Bruno passou o dedo pela assinatura.

"Teresa."

Dante ficou imóvel.

Sua mãe.

Pouco depois das oito da manhã, Teresa Montenegro entrou no escritório.

Mesmo aos sessenta e sete anos, mantinha a elegância de quem passara a vida inteira sendo obedecida.

Olhou para as caixas.

Depois para o filho.

"Você abriu isso."

"Abri."

"Por quê?"

"O anel do meu pai."

Teresa parou.

"O que tem?"

"Uma pessoa foi vista usando um igual."

Ela não demonstrou surpresa suficiente.

Dante percebeu.

"Onde está o anel?"

"Não sei."

"Você assinou o inventário."

"Faz dezessete anos."

"Minha memória continua funcionando."

Teresa endureceu.

"Não fale comigo como fala com seus homens."

"Então não responda como eles respondem quando estão escondendo alguma coisa."

Bruno permaneceu perto da porta.

Teresa olhou para ele.

"Saia."

"Ele fica", disse Dante.

A mãe voltou os olhos para o filho.

"Seu pai morreu. O anel desapareceu. Isso é tudo."

"Não."

Dante colocou o inventário sobre a mesa.

"Também desapareceram uma chave e um envelope."

Teresa ficou muito quieta.

Dante percebeu novamente.

"Que chave?"

"Não lembro."

"Mentira."

"Dante."

"Dezessete anos, mãe."

Ele bateu o dedo no documento.

"Dezessete anos acreditando que eu sabia como meu pai morreu, o que ele deixou e quem estava ao lado dele."

Teresa empalideceu.

"Não mexa nisso."

"Por quê?"

"Porque existem coisas que foram enterradas por uma razão."

Dante sorriu sem alegria.

"Alguém desenterrou."

Naquela mesma manhã, Henrique levou Dante ao Hospital São Gabriel, no Morumbi.

Foram realizados novos exames.

Ressonância.

Avaliação neurológica.

Teste de força.

Duas horas depois, Henrique entrou na sala com outro especialista.

Dante percebeu a tensão.

"Fale."

Henrique colocou os exames na tela.

"A lesão existe. O acidente foi grave."

"Isso eu sei."

"Mas sua recuperação estrutural está melhor do que seus relatórios indicavam."

Dante estreitou os olhos.

"Quanto melhor?"

"Consideravelmente."

O segundo médico apontou para a imagem.

"Não existe explicação clínica para uma piora tão rápida da capacidade de caminhar nas últimas três semanas."

Dante ficou em silêncio.

Henrique continuou.

"A pressão causada pela órtese pode explicar boa parte da dor."

"E o restante?"

"Precisamos analisar tudo que você recebeu durante o tratamento."

正文1

"Medicamentos?"

"Medicamentos, exercícios, ajustes."

Dante se levantou.

Sem bengala.

Deu dois passos.

Henrique observou.

"Não force."

"Passei três semanas achando que estava ficando aleijado."

"Ninguém está dizendo..."

"Eu estou."

Dante olhou para a própria perna.

"Alguém queria que eu acreditasse nisso."

Quando voltou à mansão, Bruno o esperava no escritório.

Havia um envelope sobre a mesa.

"Recebi o laudo preliminar do carro."

Dante parou.

"Que carro?"

"O do acidente."

A investigação original concluíra que Dante perdera o controle na pista molhada da Marginal Pinheiros.

Bruno nunca ficara satisfeito.

Por isso guardara o veículo num galpão da empresa.

Agora mandara um especialista independente desmontar o sistema de freios.

"Encontraram manipulação."

Dante ergueu os olhos.

"Explique."

"Uma linha do sistema foi parcialmente danificada de propósito."

"Parcialmente?"

"Para não falhar imediatamente."

Dante entendeu.

O carro precisava sair normalmente.

A falha aconteceria depois.

"Quando fizeram?"

"Estimativa de até quarenta e oito horas antes do acidente."

Dante sentou.

A órtese não fora o começo.

O plano tinha começado antes de ele quase morrer.

"Quem teve acesso ao carro?"

"Estou verificando."

Nesse momento, Isabela entrou apressada.

"Senhor Dante."

Ele olhou para ela.

"Sofia sumiu."

Dante se levantou tão rápido que Henrique teria protestado se estivesse ali.

"Como assim?"

"Ela estava no quarto. Fui ao banheiro. Quando voltei..."

Bruno já acionava o rádio.

"Fechem todas as saídas."

Isabela estava à beira do pânico.

"Eu disse que queria ir embora."

Dante aproximou-se.

"Vamos encontrá-la."

"Se alguma coisa acontecer..."

"Não vai."

"Como sabe?"

Dante não sabia.

E odiava não saber.

A mansão inteira entrou em alerta.

Seguranças verificaram jardim, garagem, cozinha e quartos.

Sete minutos depois, uma funcionária encontrou Sofia no antigo escritório de Otávio.

A menina estava sentada no chão.

Segurava uma fotografia.

Isabela correu e a abraçou.

"Você nunca mais faça isso!"

Sofia ficou assustada.

"Eu só queria ver."

"Ver o quê?"

Ela entregou a fotografia a Dante.

Era antiga.

Quatro pessoas estavam diante de uma casa de campo.

Otávio.

Teresa.

Ricardo.

E um quarto homem que Dante não reconheceu.

No verso havia uma frase escrita à mão.

Quatro pessoas começaram.

Só uma ficará com tudo.

Dante olhou para a mãe.

Teresa estava parada na porta.

Pela primeira vez, parecia realmente assustada.

"Quem é ele?"

Teresa não respondeu.

"Quem é esse homem?"

"Dante, guarde isso."

"Quem?"

"Não aqui."

Dante se aproximou.

"Minha filha quase foi morta num acidente que agora sabemos ter sido provocado."

Teresa olhou para Sofia.

"Ela não é sua filha."

Dante ficou em silêncio.

Isabela também.

Teresa percebeu o que havia dito.

Mas Dante não desviou.

"Não. Ela não é."

Ele olhou para Sofia.

"Mesmo assim, foi essa menina que percebeu que alguém estava destruindo minha perna enquanto todos os adultos desta casa olhavam para o outro lado."

Teresa baixou os olhos.

Dante mostrou a fotografia.

"Quem é o quarto homem?"

A mãe fechou a porta.

"Se eu contar, nada volta a ser como antes."

"Já não voltou."

Teresa caminhou até a mesa.

Tocou a imagem do desconhecido.

"Seu pai construiu o Grupo Montenegro com três pessoas."

"Você, Ricardo e esse homem."

"Sim."

"Quem é?"

Teresa respirou fundo.

"Augusto Ferraz."

Dante reconheceu o sobrenome imediatamente.

"Ferraz?"

Bruno também percebeu.

Teresa assentiu.

"Pai de Marcelo Ferraz."

O silêncio foi absoluto.

Marcelo era diretor de operações do Grupo Montenegro.

Amigo de Dante havia dezessete anos.

Uma das cinco pessoas com cartão preto de acesso integral à mansão.

"Por que nunca ouvi falar de Augusto?"

"Porque seu pai apagou o nome dele da história da família."

"Por quê?"

Teresa fechou os olhos.

"Porque Augusto tentou tomar tudo."

Dante apertou a fotografia.

"E o que isso tem a ver comigo?"

Teresa levantou o rosto.

"Mais do que você imagina."

Antes que pudesse continuar, Bruno recebeu uma mensagem.

Ele leu.

Depois releu.

"Dante."

"O quê?"

"Chegou a lista de acesso ao seu carro nas quarenta e oito horas anteriores ao acidente."

Dante ficou imóvel.

"Ricardo?"

"Não."

"Quem?"

Bruno virou o celular.

Havia apenas um nome registrado como responsável por retirar o veículo da garagem para uma revisão antes da viagem.

**Marcelo Ferraz.**

Dante olhou novamente para a fotografia.

Primeiro para Augusto.

Depois para o sobrenome na tela.

O homem em quem confiava havia dezessete anos era filho do homem que seu pai tentara apagar da história.

E agora Dante precisava descobrir se Marcelo tinha passado todos aqueles anos ao seu lado como amigo...

...ou esperando o momento certo para terminar o que o pai havia começado.

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