"A Filha da Empregada Tocou na Perna do Chefe da Máfia… E Revelou Algo Que Ninguém Viu" Capítulo 2 — Os Onze Minutos Que Sumiram
Bruno encontrou o primeiro problema às oito e quarenta e três da noite.
"Onze minutos."
Dante estava sentado atrás da mesa de seu escritório particular.
Três monitores exibiam gravações da ala de reabilitação.
"Onze minutos de quê?"
"De nada."
Bruno apontou para a tela.
"A câmera do corredor funciona sem interrupção. Ontem, às quatro e dezesseis, a imagem desaparece."
"E volta?"
"Às quatro e vinte e sete."
Dante apoiou as costas na cadeira.
"Falha do sistema?"
"Não."
"Como sabe?"
"As outras câmeras continuaram funcionando."
Dr. Henrique permaneceu perto da janela.
"Quero levar você ao Hospital São Gabriel."
Dante olhou para ele.
"Agora?"
"Sim."
"Por quê?"
Henrique hesitou.
"Se essa órtese ficou pressionando o nervo repetidamente, precisamos saber se houve dano."
Dante fixou os olhos nele.
"Repita."
"Precisamos verificar se..."
"Você disse repetidamente."
Henrique ficou em silêncio.
Bruno também percebebera.
Dante se inclinou para a frente.
"Você acha que fizeram isso mais de uma vez?"
"Eu acho que precisamos considerar essa possibilidade."
"Quantas pessoas têm acesso à minha órtese?"
"Eu. Camila. Dois fisioterapeutas auxiliares. Alguns técnicos."
"E Ricardo?"
"Não existe motivo médico para ele tocar nela."
"Não perguntei se existe motivo."
Henrique desviou o olhar.
"A ala não é restrita para membros da família."
Dante pegou o celular.
Havia três mensagens de Ricardo.
A primeira exigia explicações.
A segunda dizia que alguns membros do conselho estavam indo embora.
A terceira era curta.
Você está parecendo incapaz de controlar a própria casa.
Dante virou o aparelho sobre a mesa.
"Bruno."
"Sim."
"Registros de acesso."
"Já estou puxando."
Uma batida interrompeu a conversa.
Um segurança entrou com um pequeno saco transparente.
"Encontramos atrás de um armário da reabilitação."
Dentro havia uma chave de precisão.
Henrique se aproximou.
"Isso não pertence à minha equipe."
Dante encarou Bruno.
"Impressões digitais."
"Vou mandar analisar."
Outra batida.
Isabela apareceu.
"Desculpe."
"O que houve?"
"Sofia não consegue dormir."
Dante olhou para a porta.
"E?"
"Ela disse que lembrou de outra coisa."
Poucos minutos depois, Sofia entrou usando um pijama emprestado.
O brinquedo de madeira continuava apertado contra o peito.
Ela sentou ao lado da mãe.
Dante permaneceu atrás da mesa.
"Você lembrou do homem?"
Sofia assentiu.
"Ele não estava sozinho."
Bruno se virou.
"Quem estava com ele?"
"Uma moça."
"Como ela era?"
Sofia pensou.
"Sapato branco."
Henrique ficou rígido.
Dante viu.
"O que foi?"
"Calçado hospitalar."
"Quantas pessoas usam?"
"Quase toda a equipe."
Sofia balançou a cabeça.
"O dela fazia barulho."
Isabela acariciou os cabelos da filha.
"Você ouviu eles conversando?"
"Sim."
"O que disseram?"
"A moça falou que não."
Dante franziu a testa.
"Não o quê?"
Sofia não sabia.
"E o homem?"
A menina apertou o brinquedo.
"Ele falou..."
Ela tentou lembrar.
"Só o suficiente."
Dante e Bruno trocaram um olhar.
"Só o suficiente para quê?"
Sofia deu de ombros.
Henrique abriu no tablet as fotografias da equipe de reabilitação.
Uma por uma, mostrou à menina.
Sofia negou as quatro primeiras.
Na quinta, parou.
"Ela."
Camila Nogueira.
Trinta e quatro anos.
Fisioterapeuta responsável por várias sessões de Dante.
Henrique pegou o telefone.
"Vou ligar."
Chamou até cair na caixa postal.
Bruno já estava dando ordens.
"Mandem dois homens ao apartamento dela."
Quarenta minutos depois, veio a resposta.
O carro de Camila estava na garagem.
A bolsa estava dentro do apartamento.
O celular estava sobre a bancada da cozinha.
Camila não estava lá.
Às dez e dois, Bruno encontrou outra coisa.
"Tenho o acesso."
Dante levantou os olhos.
"Ricardo entrou na ala ontem às quatro e quatorze."
"E saiu?"
"Quatro e trinta e um."
Dante olhou para o horário.
A gravação desaparecia às quatro e dezesseis.
Voltava às quatro e vinte e sete.
Ricardo estava lá durante todo o intervalo.
"Quem consegue apagar essas imagens?"
"Minha equipe."
"Quantos?"
"Quatro supervisores além de mim."
"Investigue os quatro."
Bruno assentiu sem reclamar.
Dante confiava nele por isso.
Às dez e meia, Dante ligou para Ricardo.
"Volte."
"Estou em casa."
"Então saia de casa."
"Para quê?"
"Você queria sua votação."
"Podemos fazer amanhã."
"Não. Hoje."
Ricardo ficou alguns segundos em silêncio.
"Está conseguindo andar melhor?"
Dante percebeu a pergunta.
"Muito melhor."
"Chego em meia hora."
Vinte e oito minutos depois, Ricardo entrou no escritório.
Olhou primeiro para Henrique.
Depois para Bruno.
Por último, para a perna de Dante.
"Transformou uma órtese numa investigação criminal?"
Dante empurrou uma folha sobre a mesa.
"Você esteve na ala ontem."
"Estive."
"Por quê?"
"Fui procurar você."
"Eu não estava lá."
"Descobri isso."
"O que fez durante dezessete minutos?"
Ricardo cruzou as pernas.
"Conversei com Camila."
"Sobre?"
"Sua recuperação."
"Por quê?"
"Porque a votação dependia da sua condição."
Dante se inclinou.
"Você tocou na minha órtese?"
"Não."
"Camila tocou?"
"Ela é fisioterapeuta."
"Onde ela está?"
Ricardo franziu a testa.
"Como eu saberia?"
Nesse instante, Sofia apareceu na porta.
Isabela veio logo atrás.
"Desculpe. Ela ouviu as vozes."
Ricardo virou-se.
Por menos de um segundo, seu rosto mudou.
Sofia imediatamente se escondeu atrás da mãe.
Ricardo apontou.
"É essa a menina?"
Dante não respondeu de imediato.
"Que menina?"
"A menina que encontrou o problema."
Silêncio.
Bruno encarou Ricardo.
Dante não havia contado aquilo.
Ricardo percebeu o erro.
"É óbvio. Quem mais seria?"
"Eu não disse que foi uma criança."
"Você está ficando paranoico."
"Talvez."
Dante se levantou.
Dessa vez, sem aceitar ajuda.
Deu um passo.
Depois outro.
Os olhos de Ricardo desceram automaticamente para sua perna.
Dante viu.
"Você parece decepcionado."
"Não seja ridículo."
O celular de Bruno tocou.
Ele atendeu.
Seu rosto mudou.
"Quando?"
Todos ficaram atentos.
"Onde?"
Bruno desligou.
"Encontraram Camila."
Henrique avançou.
"Ela está viva?"
"Está."
"Estado?"
"Desidratada e assustada. Sem ferimentos graves aparentes."
"Onde estava?"
Bruno olhou diretamente para Ricardo.
"Trancada numa sala de manutenção ao lado da garagem norte."
Ricardo empalideceu.
Dante percebeu.
"Interessante."
"Você acha que fui eu?"
"Ainda não acho nada."
Outro telefonema.
Bruno ouviu por alguns segundos.
"Ela está falando."
"O quê?"
"Que não foi ela quem inverteu a peça."
Ricardo respirou discretamente.
Bruno continuou.
"Ela diz que alguém obrigou ela a fornecer acesso."
Dante se aproximou.
"Quem?"
"Ela não quer dizer pelo telefone."
"Por quê?"
Bruno olhou para todos no escritório.
"Porque a pessoa que fez isso tem acesso a todos os cômodos desta casa."
Dante sentiu o peso da frase.
O inimigo não estava tentando entrar na Mansão Montenegro.
Ele já estava dentro.
E talvez estivesse ali havia anos.
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