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"A Filha da Empregada Dormiu no Colo do Chefe da Máfia" Capítulo 9

正文开头

Sofia manteve Ema atrás de si, dentro da galeria. Tomás não atirou.

Apontou para o telefone na mão dela e pediu que chamasse Alessandro. O homem cuja morte fora registrada anos antes parecia ter escolhido aquela noite para voltar à família como uma dívida.

— Meu marido fotografou o senhor — disse Sofia.

— Seu marido podia ter aceitado dinheiro.

— Escolheu guardar o que viu.

Tomás olhou para a menina. Sofia sentiu Ema mover-se atrás de sua perna e abriu o casaco para escondê-la melhor.

Disse que o arquivo já tinha sido entregue. O tio de Alessandro não acreditou; exigiu a unidade original, convencido de que poderia impedir a divulgação.

— Não há uma única unidade — Sofia respondeu.

Ele sorriu com cansaço, como quem escuta uma criança falar de negócios. Confessou ter mandado interromper Daniel depois que reconheceu o próprio rosto nos registros da obra. Quando Sofia perguntou por Isabela e Mateus, a expressão dele continuou igual: chamou os dois de perdas secundárias da disputa com o sobrinho.

Alessandro ouviu as palavras pela ligação aberta. O som do motor de seu carro aproximou-se antes da voz.

— Solte as duas, Tomás.

O SUV parou a distância. Luca posicionou os outros veículos longe da linha de visão de Ema.

Sofia localizou um abrigo atrás de um muro baixo; precisaria de segundos para correr até lá. Deu à menina uma instrução simples: quando dissesse já, deveria ir até a luz da estufa e não olhar para trás.

Tomás mostrou a arma e avançou dois passos. Alessandro desceu com uma unidade lacrada nas mãos. Sofia sabia que era uma cópia incompleta, mas o tio viu apenas a possibilidade de controlar outra vez o que o mundo saberia.

— Primeiro, deixe a criança ir com a mãe — Alessandro exigiu.

Tomás hesitou. Talvez os agentes que se aproximavam pela trilha estivessem perto demais; talvez calculasse que ainda manteria Alessandro a curta distância.

Fez um gesto com o cano. Sofia pegou Ema e correu até o muro.

Alessandro colocou a unidade no chão. Um estampido cortou a troca.

Sofia se virou e viu o paletó azul descer lentamente sobre a terra molhada. Luca entrou em ação; guardas bloquearam o caminho até o carro.

Tomás tentou fugir, foi atingido na perna e detido quando uma equipe de investigação alcançou a estufa.

Sofia deixou Ema com Helena, que chegara pelo acesso protegido, e correu até Alessandro. Pressionou a mão sobre o ferimento enquanto chamava a ambulância já posicionada nas proximidades. Os olhos dele se abriram por um instante.

— Ema?

— Está com Helena. Está segura.

— Os cavalos — ele murmurou. — Ainda prometi.

Ema apareceu atrás de Luca, chorando e segurando o coelho contra o peito. Disse que Bela continuaria esperando. Alessandro tentou responder, mas fechou os olhos quando os socorristas se aproximaram.

Luca recolheu a unidade do chão. Mostrou a Tomás o selo e depois a abriu: faltava parte do material que ele imaginava conseguir apagar. O arquivo completo já chegara a duas procuradorias, a uma equipe policial e a três redações, cada uma com comprovantes de recebimento.

正文1

Vítor Leal foi detido ao tentar embarcar num avião particular. Marconi compareceu acompanhado por advogado e entregou parte das contas, procurando um acordo.

Franco confirmou a denúncia apagada. Vítorio teve de explicar as plantas e os turnos que copiara.

Uma rede erguida sobre a crença de que cada testemunha estava sozinha começava a ruir porque nenhuma prova dependia mais de uma pessoa.

No hospital, Ema dormiu no colo de Sofia com o coelho entre as duas. A cirurgia se estendeu por horas. Sofia releu o papel que Daniel deixara e percebeu que, pela primeira vez, havia testemunhas para a coragem dele além de sua mulher.

O cirurgião saiu pouco depois das dez da manhã. O projétil causara danos graves, mas Alessandro sobrevivera.

Precisaria de reabilitação longa. Sofia sentou antes de cair, e Helena colocou água em sua mão.

Quando pôde vê-lo, Alessandro estava pálido e irritado com os tubos. Sofia contou que perdera um sapato na adega.

Ele disse que notara. Ela riu até chorar e, quando conseguiu falar, pediu que nunca mais tentasse decidir sozinho quanto valia sua vida.

— Ema e eu não somos motivo para você se sacrificar — disse. — Queremos você sentado à mesa quando tudo isso acabar.

Ele segurou sua mão. Pela janela do quarto, Ema fez uma careta ao ver que os dois estavam prestes a se beijar.

Luca, ao lado dela, fingiu achar igualmente constrangedor. Alessandro finalmente sorriu.

Enquanto esperava a cirurgia, Sofia recebeu uma mensagem da irmã. A advogada cumprira o combinado e avisara que ela estava no hospital com Ema, ambas seguras.

A irmã queria vir. Sofia respondeu que sim.

Não desejava montar outra família inteira em segredo, cercada de gente que decidia sozinha como protegê-la.

Ema acordou pedindo água. Quis saber se o médico consertaria Alessandro como a mãe consertara o coelho.

Sofia explicou que os médicos trabalhavam para ajudá-lo e que levariam tempo. A menina colocou a pelúcia ao lado do assento, oferecendo-lhe lugar para esperar também.

Luca trouxe os comprovantes de recebimento do arquivo. Sofia leu as datas apesar do cansaço.

O material havia saído antes do encontro no terminal; a cópia nas mãos de Alessandro nunca fora a última. O aviso sobre a criança havia dado a Tomás uma chance de mudar o plano, mas não a de apagar Daniel.

Em outra mesa do corredor, Helena reuniu água, bolachas e os telefones que Sofia precisaria carregar. Rosa ligou para perguntar da gata Bianca.

Estava escondida no armário de enxoval, ilesa. Sofia transmitiu a notícia a Ema, que finalmente aceitou fechar os olhos.

Quando o cirurgião anunciou que Alessandro sobrevivera, Sofia não pensou nas manchetes que viriam. Pensou na mão dele sobre a pequena costa de Ema no dia em que abrira a porta de carvalho.

A lembrança não garantia um futuro simples. Permitia apenas atravessar aquela manhã e estar presente quando ele abrisse os olhos.

Luca também aguardou no hospital. Havia protegido Alessandro durante anos e, pela primeira vez, não podia afastar o perigo com uma mudança de rota.

正文2

Sofia lhe perguntou pelo guarda atingido perto da ala leste. Ele estava vivo e fora levado a outro hospital.

O nome constaria do registro do ataque, não apenas de uma lista anônima de feridos.

Quando a irmã de Sofia chegou, abraçou primeiro Ema e depois Sofia. Trouxe roupas limpas e um lanche embrulhado em papel.

Nenhuma delas falou de Tomás enquanto a menina ouvia. Sofia saiu por cinco minutos até o corredor e contou à irmã o que sabia, incluindo as partes ainda não verificadas.

Poder dividir informação sem entregar o comando de sua vida foi um alívio inesperado.

Ao amanhecer, um investigador pediu a Sofia permissão para fotografar o coelho rasgado. A pelúcia trazia fibras do duto e podia ajudar a reconstruir a fuga.

Ela perguntou se Ema precisaria entregá-lo. Bastaram fotografias e um pequeno fio solto; a menina pôde continuar abraçada ao brinquedo enquanto dormia.

Sofia escreveu a sequência da noite num caderno antes que o cansaço a desfizesse: alarme, escada, adega, faixa vermelha, Tomás, carros. Conferiu a ordem com as mensagens enviadas a Helena. Algumas imagens não se encaixavam direito, e ela deixou espaços em branco em vez de preencher com suposições.

Luca pediu a mesma cautela aos seguranças. A equipe de investigação teria vídeos, registros de abertura e os depoimentos de cada funcionário.

Alessandro podia sobreviver; ainda assim, haveria perguntas sobre as rotas que sua empresa havia controlado e sobre a falha que permitira dois ataques à mansão. Sofia não queria que o ferimento dele servisse para apagar responsabilidades anteriores.

Quando o hospital autorizou a visita, Ema entrou acompanhada de Helena. Levava uma folha dobrada com um desenho da égua Bela e um homem deitado sob um sol muito grande.

Alessandro a estudou como se fosse um mapa importante. Prometeu colocá-la perto da cama para lembrar que o estábulo continuava esperando.

— Você vai usar o sapato quando voltar? — a menina perguntou a Sofia.

— Vou comprar outro par, sim.

— Dois sapatos iguais?

— Essa é a ideia.

Alessandro tentou rir e sentiu a dor do curativo. Ema fez uma cara séria, ordenando que ele não se mexesse.

Sofia segurou a mão dele enquanto Helena levava a criança ao corredor. A recuperação teria limitações, consultas e dias ruins.

Pela primeira vez, eles podiam falar dessas coisas como planos comuns, em vez de promessas impossíveis.

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