"A Filha da Empregada Dormiu no Colo do Chefe da Máfia" Capítulo 8
O alarme começou junto com o cheiro de fumaça. Sofia não esperou que alguém identificasse a origem.
Desceu com Ema nos braços e seguiu Rosa até o corredor onde se guardavam toalhas. Bianca passou entre as pernas delas e desapareceu por uma abertura.
Um segurança entrou pelo extremo oposto e apontou o caminho da sala protegida. Antes que terminasse, outro homem surgiu da entrada leste, com o rosto coberto.
O primeiro guarda se moveu para bloqueá-lo. Sofia virou sem esperar o resultado.
Sabia que a porta da sala ficava justamente além daquele confronto.
— Para onde estamos indo? — Ema chorou.
— Pelo caminho que conheço, filha. Segure o coelho.
Rosa abriu o armário de enxoval e empurrou uma estante sobre rodinhas, escondendo a passagem por onde mãe e filha entraram. Ficaria ali para orientar os outros funcionários. Sofia quis pedir que viesse junto, mas a mulher já havia escolhido sua tarefa.
O corredor de serviço tinha luzes de emergência baixas. Sofia aprendera a percorrê-lo com carrinhos cheios de roupa, contando mentalmente as curvas para não raspar os lençóis recém-passados na parede. Agora contava para respirar: uma curva até a copa, duas até o antigo depósito, três até a escada da adega.
A sirene soava distante sob o concreto. Ela tirou os sapatos para não bater os saltos no piso. Ema percebeu que a mãe tremia e enfiou o rosto em seu pescoço.
— Você está com medo?
— Estou. Vou continuar andando mesmo assim.
No celular, havia duas chamadas perdidas de Alessandro. Sofia atendeu a terceira.
Contou-lhe sobre fumaça no corredor leste e sobre a passagem junto à adega. Luca ouviu pelo viva-voz e indicou uma saída próxima ao jardim de inverno, marcada com uma faixa vermelha.
— Não pare para procurar o portão principal — Alessandro pediu. — Estamos voltando.
O vento começou a entrar pela galeria. Talvez a saída estivesse aberta; talvez alguém a tivesse destrancado para surpreendê-las.
Sofia aproximou o telefone do chão, iluminando os ladrilhos. Havia pegadas úmidas que seguiam para a estufa, ainda recentes.
Tomou outra direção. Atrás do depósito de vinho, uma portinhola de manutenção conduzia a um corredor tão estreito que mal permitia virar com Ema no colo.
Ela já a abrira algumas vezes para buscar um balde esquecido por outro funcionário. O trinco resistiu, depois cedeu.
Do outro lado, precisou passar agachada. O coelho ficou preso na grade de ventilação; Ema soltou um grito quando Sofia puxou a pelúcia.
Um retalho de pano permaneceu preso ao metal. Sofia guardou o brinquedo debaixo do braço e pediu silêncio com um beijo na testa.
Os homens entraram na adega logo depois. Um deles reclamou que a porta da estufa estava fechada.
Outro mencionou que a menina deveria ser levada viva. A frase fez Sofia sentir vontade de voltar para onde pudesse ver um segurança conhecido, mas o único caminho livre continuava à frente.
A portinhola terminava numa caixa de drenagem. Havia um degrau alto, escuro de limo.
Sofia sentou Ema nele por um segundo, desceu primeiro e a recebeu em seguida. A menina apertou a orelha do coelho; a costura que Sofia fizera no inverno aguentou.
No telefone, a voz de Alessandro veio entrecortada. Ele disse que estava a poucos minutos da propriedade.
Sofia descreveu a linha vermelha, a porta de ferro e uma seta pintada no chão. Luca reconheceu a saída perto da estufa.
Ela andou até sentir ar fresco. Antes de abrir a chapa metálica, olhou por uma fresta.
Um carro escuro estava estacionado entre as árvores, com os faróis apagados. Um homem junto à porta se afastou da sombra.
Sofia viu primeiro a mão dele, apoiada sobre a arma. Depois o rosto envelhecido da fotografia do arquivo. Os olhos de Tomás Duca eram quase iguais aos de Alessandro.
— Olá, Sofia — disse ele, do lado de fora. — Daniel também achava que conhecia todas as saídas.
O corredor de drenagem fazia um ruído contínuo de água antiga. Sofia verificou duas vezes a posição da saída, comparando as marcações vermelhas com as instruções que Luca dera. As pegadas diante da estufa eram mais profundas do que as dela; pelo menos uma pessoa esperara ali antes do alarme.
Ema começou a tossir, incomodada pelo cheiro de fumaça que chegava pela passagem superior. Sofia cobriu o rosto da filha com a parte limpa do casaco e se ajoelhou para olhar o caminho.
Havia uma fresta lateral, mas terminava numa grade presa com parafusos. O acesso principal, mesmo vigiado, era a única saída que conseguia alcançar com uma criança nos braços.
Ela enviou uma mensagem curta a Helena com a localização aproximada e uma fotografia da faixa vermelha. A entrega demorou; no subsolo, o sinal oscilava. Luca respondeu que se posicionaria do lado oposto à estufa e pediu que ela não abrisse a porta ainda.
Sofia queria obedecer. Ouviu atrás de si a portinhola da adega bater e soube que os homens haviam descoberto a passagem. Calculou o tempo entre os passos: não teria minutos até a equipe chegar.
Ela tirou da sacola a pequena garrafa de água de Ema. Deixou-a perto de uma curva, ao lado do retalho desprendido do coelho.
Se os homens a encontrassem, talvez acreditassem que mãe e filha tivessem seguido pela galeria maior. Sofia pegou Ema novamente e avançou em direção à luz da saída.
— Se eu disser para correr, você corre até a casa de vidro — explicou no ouvido da menina. — Procure a Helena.
— Você vem?
— Vou atrás de você. Primeiro precisamos passar pela porta.
Antes de abrir, Sofia ouviu o telefone tocar na mão. Era Alessandro; o carro dele contornava o portão sul.
Ela atendeu sem falar. Do lado de fora, o homem junto ao SUV deu mais um passo, e a semelhança do rosto com a fotografia se tornou inconfundível.
O próprio Tomás puxou a chapa de metal. Sofia entrou no ar frio sem soltar a filha.
Ao fundo, os perseguidores chegaram tarde à bifurcação; uma porta de ferro fechada separou seus gritos do jardim. Pela primeira vez desde o apagão, ela podia ver o céu.
Também podia ver a arma na mão do homem que Daniel registrara por acidente.
Sofia manteve a voz estável enquanto Tomás falava; atrás dela, Ema só precisava reconhecer a instrução combinada. A menina já havia conseguido seguir Bianca pelo corredor sem se perder, mas desta vez não haveria brincadeira. O jardim de inverno parecia perto demais da arma e longe demais de Helena.
Tomás pediu o nome do arquivo que Daniel criara, procurando verificar se Sofia de fato o abrira. Ela respondeu com o número de uma remessa que vira na tela.
O tio de Alessandro corrigiu um algarismo antes de perceber que acabara de confirmar conhecimento próprio sobre a carga. A ligação permanecia aberta.
Sofia sustentou seu olhar até ouvir motores na alameda.
O telefone estava com pouca bateria. Sofia desligou a tela e manteve a ligação ativa no bolso, perto de Ema, para que Alessandro ouvisse sem que Tomás percebesse o gesto.
A menina segurou sua mão com tanta força que o anel barato no dedo da mãe marcou a pele. Sofia quis dizer que o medo acabaria depressa; preferiu apenas apertar de volta.
Bianca não estava mais ali para indicar o caminho. Sofia tivera de escolher cada porta sozinha desde a adega.
Agora havia gente chegando pela estrada e gente presa atrás no corredor. Ela procurou no chão uma área seca por onde Ema pudesse correr sem escorregar.
Encontrou uma faixa de pedras planas ao lado do canteiro.
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