"A Filha da Empregada Dormiu no Colo do Chefe da Máfia" Capítulo 7
Antes de sair, Alessandro voltou ao escritório de carvalho com Sofia. Sobre a mesa havia três unidades de armazenamento numeradas e um envelope endereçado a uma procuradora.
Ele mostrou os recibos de envio, a hora de liberação e a pessoa responsável por cada entrega. Sofia anotou tudo no próprio telefone.
— Se não atender à minha ligação, o envio continua — Luca explicou.
— E se tentarem levar Ema? — ela perguntou.
— A prioridade muda para tirá-las da propriedade — Alessandro respondeu. — A equipe do terminal terá de se virar sem mim.
Sofia sustentou seu olhar. Não queria ser uma fraqueza a ser escondida.
Queria participar da decisão e estar ao lado da filha quando viesse o risco. Alessandro ouviu o pedido e reorganizou os turnos com ela presente.
Rosa preparou uma sacola com água, bolachas, os remédios de Ema e uma muda do pijama de estrelas. Bianca deitou sobre a sacola, contrariando a pressa de todo mundo. Ema insistiu em levar o gato, mas Sofia prometeu que Rosa cuidaria dele se precisassem sair.
A menina percebeu a tensão antes de compreender as palavras.
— O homem mau está vindo?
Sofia se ajoelhou diante dela. Disse que pessoas perigosas queriam documentos e que muitos adultos trabalhavam para mantê-la segura.
Não prometeu que tudo seria divertido. Prometeu que Ema não precisaria resolver problema de adulto nenhum.
— E o Alessandro volta para ver a Bela?
— Ele vai fazer o que puder. Nós vamos esperar juntas.
Alessandro se aproximou e ofereceu um aperto de mão solene à menina. Ema puxou seus dedos, obrigando-o a se inclinar para receber um abraço. Sofia viu o esforço com que ele a soltou.
Às onze e meia, os carros saíram pelo portão principal. Sofia acompanhou as lanternas vermelhas até desaparecerem entre as árvores. Os outros veículos de segurança continuaram imóveis, distribuídos de maneira que pareciam parte da paisagem.
Rosa ferveu leite. Helena revisou uma caixa de primeiros socorros.
Luca enviou a Sofia a confirmação de que o primeiro pacote fora protocolado e a segunda cópia chegara à imprensa. A procuradora receberia o arquivo completo assim que uma equipe independente validasse a integridade das imagens.
Sofia conferiu os números de protocolo com o papel que guardara no bolso do casaco.
— Com a prova espalhada, por que Tomás ainda iria ao encontro? — perguntou Sofia.
— Ele não sabe que está espalhada — respondeu Helena.
A resposta deixou Sofia inquieta. Quem dominara uma rede por anos provavelmente contava com maneiras de ouvir o que ninguém lhe contava. Observou a câmera do corredor e perguntou se ainda havia alguma entrada que a nova vigilância não enxergava.
— O túnel sul foi lacrado — disse o chefe de turno. — Os acessos internos também.
— Vocês verificaram cada ponto pessoalmente?
O homem apontou um relatório. Sofia olhou o nome de quem assinara a conferência. Era um supervisor contratado havia pouco tempo; poderia ser confiável, mas ninguém dissera que passara pelo interior de cada porta.
Lembrou-se de um pequeno alçapão atrás da adega, usado anos antes para ventilar a parede úmida. O acesso aparecia numa planta antiga da lavanderia, ausente do desenho digital apresentado pelos guardas. Sofia mostrou onde ficava.
Luca confirmou pelo rádio que um homem seria enviado. Antes que chegasse, um sinal de falha elétrica surgiu no painel.
A iluminação diminuiu e voltou. Um guarda explicou que o gerador assumira a carga.
Rosa pousou a colher lentamente.
— Hoje não há previsão de chuva forte — observou.
Sofia pegou Ema no colo. Pediu ao chefe de turno que chamasse Alessandro enquanto se dirigia à escada de serviço. Nenhum alarme havia soado ainda, mas Bianca corria à frente delas com o pelo eriçado.
O telefone vibrou: Alessandro estava no terminal, sem sinal de Tomás. A equipe procurava qualquer veículo próximo ao local.
Sofia escreveu uma mensagem curta sobre o gerador. Quando levantou os olhos, uma fileira de lâmpadas no corredor leste se apagou de uma vez.
No silêncio seguinte, ouviu o estalo que uma porta de ferro faz quando se fecha sem cuidado.
Sofia voltou para a cozinha quando o primeiro sinal de falha cessou. Rosa havia colocado um copo de leite na bancada e separava mantas para os funcionários que ficariam no térreo. Conversaram sobre cada porta como se estivessem organizando um turno comum: quem tinha chave, quem podia acompanhar Ema e quem era responsável pelo gerador.
— Você contou sobre Daniel no dia da entrevista — Rosa disse, surpreendendo-a. — Guardei o nome porque minha irmã também criou um filho sozinha.
Sofia se lembrava de ter falado pouco naquela manhã. A informação a fez perceber como os funcionários guardavam histórias uns dos outros enquanto a mansão seguia sua rotina pública.
Perguntou por que Rosa não mencionara isso antes. A mulher respondeu que o passado dos colegas lhes pertencia, e cada pessoa o contaria quando quisesse.
Sofia agradeceu. Pensou também que a lembrança de Rosa, mesmo sincera, não serviria como prova da morte de Daniel.
Por isso pedira registros do acidente, fotografias originais e depoimentos independentes. Queria que a verdade suportasse perguntas difíceis quando a notícia chegasse ao público.
Helena aproximou uma cadeira para Ema e lhe trouxe papel para colorir. A menina desenhou um sol grande dentro do estábulo, embora lá dentro sempre fizesse sombra. Sofia imaginou que a filha oferecia a Bela a luz que desejava encontrar na casa.
Luca telefonou do terminal. Ninguém aparecera, e a equipe examinava uma rota secundária.
Sofia informou a falha elétrica. Ele disse que perguntaria ao chefe de turno, mas ela já havia pedido que verificassem a adega.
A chamada caiu depois de um estalo; quando voltou, Sofia ouviu ruído de motor e uma voz distante anunciando que os carros retornariam.
— Não aguardem no portão — Luca orientou. — Procurem o acesso interno designado.
Rosa pegou a sacola de Ema. Sofia vestiu o casaco da menina e pôs o coelho entre seus braços.
A gata Bianca levantou a cabeça junto à porta leste. O pelo de seu dorso se eriçou segundos antes de a luz diminuir pela segunda vez.
Perto da meia-noite, Helena verificou se as portas da ala leste podiam ser abertas manualmente durante uma falha do gerador. Descobriu que uma delas emperrava, embora o painel a marcasse como livre.
Sofia comunicou a Luca, que atualizou o plano de retirada. Sem aquela inspeção, mãe e filha poderiam ter corrido para um corredor sem saída.
Sofia ficou mais um minuto junto à janela, olhando a estufa iluminada. Isabela cultivara flores ali, dissera Alessandro.
Havia vasos reorganizados por funcionários após sua morte, mas algumas roseiras ainda eram as mesmas. A ideia de atravessá-las correndo com Ema nos braços lhe pareceu injusta para as duas famílias que já tinham perdido gente demais.
Ela fechou a cortina, buscou uma lanterna e conferiu a bateria do telefone. Rosa ofereceu outro casaco para a menina, mais fácil de vestir se precisassem sair depressa.
Sofia o dobrou sobre a cadeira, com os sapatos pequenos abaixo. Não sabia se chegariam a usá-los.
Preparar a saída era a única coisa que podia fazer enquanto o céu escurecia sobre o jardim.
Do lado de fora, os carros de Alessandro se afastavam do terminal. Luca confirmou pelo rádio que a equipe policial ainda aguardaria ali; se alguém tivesse vigiado a rota, encontraria pessoas no lugar que esperava.
A manobra comprava minutos para retornar à casa sem anunciar o erro aos invasores. Sofia guardou a informação para decidir por onde sair caso precisasse.
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