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"A Filha da Empregada Dormiu no Colo do Chefe da Máfia" Capítulo 6

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Alessandro voltou com o rosto exausto e um envelope de depoimentos. Disse a Sofia que Vítorio recebera pagamentos por anos para garantir que nenhuma ordem de Tomás fosse examinada. O mentor conhecia as saídas da mansão e os horários em que Isabela e Mateus viajariam naquele carro.

— Ele sabia? — Sofia perguntou.

— Sabia do plano para me atingir. Alega que não sabia que eles estariam dentro.

Sofia observou os documentos. Não conseguiu imaginar uma ignorância que inocentasse quem entrega o trajeto de uma família a um homem disposto a matar. Alessandro tampouco parecia tentado a fazê-lo.

Tomás, segundo Vítorio, ordenara o atentado por medo de que o sobrinho investigasse irregularidades nas rotas empresariais. Marconi organizara a execução; Bellini revelara a denúncia de Daniel; Leal sustentara financeiramente a rede.

Cada homem ocupara um lugar diferente na cadeia. Sofia precisava conhecer a cadeia inteira para não permitir que algum deles transferisse a culpa ao outro.

Daniel fotografara Tomás na obra ao registrar um manifesto escondido numa remessa de ferragens. A imagem mostrava alguém oficialmente morto, ao lado das cargas ilegais.

Marconi tentara comprar o silêncio do eletricista. Franco avisara que ele não aceitaria.

Poucos dias depois, a linha de segurança falhara.

Sofia chorou junto à janela da biblioteca. Daniel havia ficado mais irritado nas últimas semanas e, em casa, dissera que tudo acabaria bem.

Ela passara anos imaginando se poderia ter percebido o perigo. Agora sabia que ele o percebera e fizera o que julgara necessário para protegê-las.

Alessandro se aproximou sem exigir que ela parasse. Quando Sofia lhe permitiu, abraçou-a.

O tecido de seu paletó cheirava a chuva. Ela não recordava a última vez que conseguira desabar sem olhar o relógio para levantar Ema da cama.

Depois de um tempo, Sofia afastou o rosto. Estavam perto demais. A vontade de beijá-lo lhe pareceu uma traição ao homem cuja carta ainda guardava no bolso.

— Eu ainda amo Daniel.

— Eu sei — disse Alessandro.

— Você ainda ama Isabela.

— Todos os dias.

A honestidade tornou a proximidade menos assustadora. Sofia permaneceu ali, sem atravessar a distância restante.

Luca trouxe uma notícia: alguém tentara acessar a cópia remota já lacrada. A tentativa viera de uma rede associada a Leal.

Logo depois, um pacote apareceu na entrada da propriedade. Técnicos verificaram seu conteúdo antes de permitir que o abrissem.

Havia uma fotografia de Ema no estábulo, captada pela mira de longa distância. No verso, a exigência de entregar o arquivo à meia-noite seguinte. Sofia leu uma vez e teve de apoiar a mão na mesa.

— Ema não vai ficar aqui enquanto decidem uma troca — afirmou.

Alessandro havia considerado o mesmo. A casa estava comprometida; um transporte sem planejamento também estaria.

Helena poderia acompanhar mãe e filha até outro local, mas o vazamento dos trajetos permanecia possível. Os três reuniram um plano que dependia de múltiplas cópias e de autoridades fora da influência de Leal.

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Uma versão incompleta do arquivo seguiria com Alessandro a um terminal de cargas. Uma equipe de investigação acompanharia à distância. O restante iria a veículos de imprensa e a promotores em horários escalonados, de forma que nenhuma captura revertesse a divulgação.

— E se Tomás souber que é uma cópia? — Sofia perguntou.

— Não ficará tempo suficiente com ela para testar — Luca disse.

Ela queria confiar. Por isso pediu que lhe mostrassem também o que fariam caso o encontro ocorresse em outro lugar.

Insistiu em conhecer a saída subterrânea próxima ao jardim de inverno e o código do portão sul. Alessandro percebeu o desconforto dos seguranças, mas respondeu às perguntas.

Naquela noite, quando Ema adormeceu, Sofia encontrou Alessandro na varanda. Perguntou se ele estava com medo.

— De não voltar — ele respondeu.

Ela segurou sua mão. Falou do medo de gostar dele, de abrir espaço para o novo e imaginar que Daniel desapareceria mais um pouco. Alessandro contou que também confundira seguir vivendo com esquecer Isabela e Mateus.

— Vamos falar deles quando quisermos — Sofia disse.

— Mesmo se as lembranças forem difíceis.

Ela assentiu. O beijo aconteceu devagar, depois que ambos tiveram tempo de escolher ficar.

Quando se afastaram, nenhum dos dois procurou prometer uma vida inteira. Sofia lhe pediu que ligasse ao chegar ao terminal.

No quarto ao lado, Ema murmurou durante o sono e apertou o coelho. Uma sirene distante atravessou a cidade.

Sofia voltou para perto da cama da filha e deixou o celular carregando na tomada, com o número de Luca na tela. Precisava estar pronta para o plano que ninguém desejava usar.

Antes de dormir, Sofia tentou ligar para a irmã, que morava no interior. Contou que passaria alguns dias fora do apartamento e que Ema estava bem, sem mencionar nomes que pudessem colocar outra pessoa em risco.

A irmã perguntou se podia viajar para buscá-las. Sofia agradeceu, mas ainda não sabia qual trajeto seria seguro; combinou uma nova ligação na manhã seguinte.

Em outra circunstância teria escondido tudo para não assustar a família. Agora percebeu que o segredo completo também isolava as pessoas.

Deu à irmã o contato da advogada e autorizou que recebesse uma mensagem se ela ficasse sem telefone. Alessandro ouviu a conversa do outro lado da sala e acrescentou o número de Helena, a pedido de Sofia.

Luca voltou com um registro de imagens da entrada do estábulo. O disparo passara perto demais de Ema.

Sofia não quis rever o vídeo. Pediu que preservassem o arquivo e sua origem, com data, hora e responsável pela coleta.

A advogada confirmou que prepararia uma cópia para o inquérito.

No mesmo relatório havia uma transferência feita para Vítorio por uma firma contratada por Leal. Era menor do que Sofia esperava para uma traição daquela escala. Alessandro observou o valor em silêncio: talvez o mentor se julgasse merecedor da fortuna que ajudara a construir e considerasse o pagamento apenas um sinal de reconhecimento.

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— Você poderá perguntar a ele — Sofia disse.

— Perguntar não vai devolver minha família.

— Eu sei. Também não devolveu Daniel. Ainda assim quero que a resposta entre no processo.

Alessandro abriu uma foto antiga de Isabela e Mateus no celular. Mostrou a Sofia sem explicar como ela deveria reagir.

Sofia viu um bebê curioso e uma mulher com terra nos dedos, segurando uma muda de planta. Falou que gostaria de conhecer o jardim que Isabela cuidava.

Alessandro indicou a janela: ficava atrás da estufa, além das sombras.

Por alguns minutos, a ameaça ficou fora daquele quarto. Sofia não esqueceu a fotografia enviada pelo atirador; soube apenas que Ema merecia uma mãe capaz de respirar antes de tomar a próxima decisão. Pegou a sacola de emergência e conferiu os remédios uma segunda vez.

Na véspera do encontro, Luca explicou como reconheceriam o material que seria entregue ao outro lado. Sofia não precisava conhecer códigos técnicos; precisava saber se um erro na identificação poderia atrasar a divulgação. Ele lhe mostrou que cada arquivo possuía uma soma de verificação impressa, conferida por duas pessoas antes do envio.

Ela perguntou o nome da procuradora e como a haviam escolhido. A profissional já investigava irregularidades alfandegárias, tinha uma equipe própria e receberia documentação por canal oficial. Sofia insistiu que lhe fosse fornecido o contato institucional, para confirmar depois a existência do protocolo sem depender da palavra de Luca.

Alessandro não se ofendeu. Havia anos em que sua autoridade resolvia discussões antes de começarem; com Sofia, a pergunta voltava sempre.

Cada resposta exigia mostrar um procedimento que pudesse sobreviver à sua ausência. Ele percebeu que isso tornava o plano menos frágil.

No quarto, Ema pediu que a mãe ajeitasse outra vez a orelha do coelho. Sofia pegou linha e agulha e reforçou o ponto que se abrira na grade da lavanderia.

O movimento lento das mãos devolveu a ambas um pouco de calma. Ema adormeceu antes de Sofia terminar; quando a mãe apagou a luz, o brinquedo ficou entre o rosto da menina e a porta.

No corredor, Alessandro esperava apenas para informar que o segundo envio saíra. Sofia lhe agradeceu pela atualização.

Ele respondeu que voltaria a fazer o mesmo quando chegasse ao terminal. A confiança começava a ter o tamanho de cada promessa cumprida, não o tamanho de um sobrenome.

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