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"O Chefe da Máfia Observou Sua Empregada Por 8 Dias… No 9º Dia, Fez Algo Que Ninguém Esperava" Capítulo 10 — Minha Mãe Lembrou de Tudo

正文开头

Marcelo falou depois de quarenta minutos.

Não por lealdade.

Por medo.

Sentado na sala de reuniões da mansão, com Bruno atrás dele, confessou que copiara o cartão de Isabela dois dias antes.

"Quem usou o uniforme?"

Dante perguntou.

"Uma funcionária terceirizada."

"Nome."

"Patrícia."

"Quem mandou?"

Marcelo olhou para Ricardo.

Ricardo estava do outro lado da mesa.

"Não olhe para ele", disse Dante. "Olhe para mim."

Marcelo engoliu em seco.

"Ricardo."

Ricardo riu.

"Ele está tentando se salvar."

Bruno colocou o celular sobre a mesa.

"Tem transferências."

Ricardo parou de rir.

"Da MTR para uma empresa de Marcelo. Da mesma empresa para Patrícia."

Dante virou-se.

"E a dívida de Isabela?"

Marcelo respondeu antes de Ricardo.

"Foi ideia dele."

Ricardo fechou os olhos.

"Você comprou a dívida para pressioná-la."

"Era uma ferramenta."

A voz de Ricardo ficou fria.

"Ela tinha acesso à tia Helena."

"Você ofereceu um milhão."

"Ela recusou."

"Então invadiu o apartamento dela."

Ricardo não respondeu.

Isabela assistia da porta.

Dante percebeu.

"Você não precisa ficar."

"Preciso."

Ricardo olhou para ela.

"Isso não é sobre você."

Isabela respondeu:

"Meu apartamento, minha dívida e meu cartão dizem o contrário."

Helena estava na suíte, acompanhada pela Dra. Camila.

De repente, o interfone tocou.

"Senhor Montenegro."

Dante atendeu.

Era Camila.

"Sua mãe quer falar com você."

"Agora?"

"Agora."

Dante subiu.

Isabela foi atrás.

Ricardo tentou levantar.

Bruno colocou a mão em seu ombro.

"Você fica."

Na suíte, Helena estava sentada.

Parecia exausta.

Mas seus olhos estavam diferentes.

Presentes.

"Dante."

Ele se aproximou.

"Mãe."

"Ricardo está aqui?"

"Está."

"Então escute antes que eu esqueça."

Dante sentou-se.

Isabela ficou perto da porta.

Helena respirou fundo.

"Seu pai descobriu que Álvaro vendia rotas."

Dante ficou imóvel.

"Pai de Ricardo?"

"Sim."

"Tem certeza?"

Helena sorriu com tristeza.

"Passei vinte e sete anos tentando esquecer."

Ela fechou os olhos.

"Augusto descobriu pagamentos. Álvaro entregava horários de carga em Santos. Seu pai ia confrontá-lo."

"E a emboscada?"

Helena começou a chorar.

"Álvaro avisou os homens."

Dante perdeu a cor.

"Por quê?"

"Dinheiro. Poder. Medo de Augusto expulsá-lo."

"Você tinha provas?"

"Eu escondi."

"JM-17."

Ela assentiu.

"A página que falta?"

Helena olhou para ele.

"Ricardo pegou."

"Quando?"

"Anos depois."

Dante franziu a testa.

"Como sabe?"

"Eu vi."

Helena apertou o lençol.

"Mas ninguém acreditava mais em mim."

A frase atingiu Dante.

Ela continuou:

"Eu já esquecia nomes. Datas. Entrava em quartos e não sabia por quê."

Lágrimas desceram.

"Ricardo percebeu."

Isabela aproximou-se.

Helena segurou sua mão.

"Ele dizia que eu estava confusa."

Dante baixou a cabeça.

Quantas vezes ele próprio dissera exatamente aquilo?

"Por que não me contou?"

"Eu tentei."

"Quando?"

"Você estava sempre ocupado."

A voz dela ficou fraca.

"Depois colocou câmeras."

Dante fechou os olhos.

"Eu queria proteger você."

"Eu sei."

Helena tocou o rosto do filho.

"Mas você olhava para a tela."

Dante não conseguiu responder.

Isabela desviou os olhos.

Helena continuou:

"Ela sentou comigo."

Apertou a mão de Isabela.

正文1

"Por isso eu lembrei."

Camila observava em silêncio.

Helena começou a cansar.

"Tem mais uma coisa."

Dante inclinou-se.

"Qual?"

"Augusto deixou uma cópia."

"Onde?"

Helena sorriu.

"Na moldura."

Dante olhou ao redor.

"Qual moldura?"

Helena apontou para uma fotografia antiga sobre a cômoda.

Augusto, Helena e Dante criança.

Dante pegou.

Retirou a parte traseira.

Havia um envelope fino escondido entre o papelão e a fotografia.

Dentro estava o documento 37.

Assinado por Álvaro Montenegro.

Rotas.

Pagamentos.

Nomes.

E uma anotação de Augusto:

"Se algo acontecer comigo, a traição veio de dentro."

Dante ficou olhando.

A verdade que procurara durante vinte e sete anos cabia numa folha.

Helena recostou-se.

"Agora acabou."

Dante beijou a testa dela.

"Acabou."

Mas não havia acabado.

As luzes se apagaram.

A mansão mergulhou no escuro.

Bruno gritou pelo rádio.

Nenhuma resposta.

Dante levantou-se.

"Fique com ela."

Saiu.

Isabela segurou Helena.

No corredor, o sistema de emergência deveria ter ligado.

Não ligou.

Então Isabela ouviu passos.

A porta abriu.

Uma sombra entrou.

Ela se colocou diante da cama.

"Quem está aí?"

A luz do celular acendeu.

Bruno.

"Está tudo bem."

Isabela soltou o ar.

"O que aconteceu?"

"Alguém desligou o gerador manualmente."

"Dante?"

"Está bem."

Minutos depois, a energia voltou.

Dante entrou.

"Ricardo tentou sair pela garagem."

"Conseguiu?"

"Não."

Helena olhou para o filho.

Dante respondeu:

"Terminou."

Naquela noite, Ricardo e Marcelo foram retirados da mansão sob escolta.

Dante entregou aos advogados e às autoridades documentação suficiente sobre fraude, invasão, falsificação e movimentações financeiras para iniciar uma guerra jurídica que Ricardo não poderia apagar com um telefonema.

Mas Isabela não sentiu alívio.

Foi para o quarto de funcionários.

Abriu o armário.

Começou a colocar suas coisas numa bolsa.

Dante apareceu.

"Você vai embora?"

"Vou."

"Ricardo não pode mais tocar em você."

"Eu sei."

"Marcelo também não."

"Eu sei."

"Então por quê?"

Isabela fechou a bolsa.

"Porque o inimigo acabou."

"Isso não responde."

"Meu trabalho também."

Dante ficou imóvel.

"Você ainda trabalha aqui."

"Não quero mais."

"Por minha causa?"

Ela olhou para ele.

"Em parte."

Dante recebeu a resposta sem se defender.

Isabela continuou:

"Eu gosto da sua mãe."

"Ela gosta de você."

"Mas eu não consigo ficar se toda vez que olhar para uma câmera lembrar que você estava do outro lado."

Dante baixou os olhos.

"Eu errei."

Isabela ficou em silêncio.

Era a primeira vez que o ouvia dizer aquilo.

"Eu observei você porque não confiava em ninguém."

"Eu sei."

"Depois continuei observando porque..."

Ele parou.

"Porque?"

Dante olhou para ela.

"Porque eu queria ver você."

Isabela não respirou por um instante.

Dante deu um passo.

"Isso não torna certo."

"Não."

"Eu sei."

Ela pegou a bolsa.

"Preciso ir."

Dante poderia mandar fechar o portão.

Poderia colocar seguranças diante da porta.

Poderia resolver quase qualquer problema com uma ordem.

Dessa vez, afastou-se.

"Está bem."

Isabela passou.

Quando chegou à porta, Dante falou:

"Amanhã é o nono dia."

Ela virou-se.

"O quê?"

"Desde que comecei a observar você."

Isabela ficou em silêncio.

Dante continuou:

"Nos primeiros oito, eu decidi tudo sem perguntar."

Ele abriu a porta para ela.

"No nono, você decide."

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