"O Chefe da Máfia Observou Sua Empregada Por 8 Dias… No 9º Dia, Fez Algo Que Ninguém Esperava" Capítulo 9 — Foi Ricardo
Às sete e vinte da manhã, Isabela foi chamada à Central de Segurança.
Dante estava em pé diante dos monitores.
Bruno permanecia ao lado da mesa.
Marcelo Ferraz estava perto da porta.
Ninguém ofereceu uma cadeira.
Isabela percebeu imediatamente que não se tratava de uma conversa.
"Alguma coisa aconteceu?"
Dante não respondeu.
Apertou uma tecla.
A gravação começou.
Corredor da ala leste.
03:17.
Uma mulher de uniforme preto surgiu na imagem.
Avental branco.
Cabelos presos.
Ela passou o cartão e entrou na suíte de Helena.
Seis minutos depois, saiu carregando uma pasta.
Isabela olhou para Dante.
"Não sou eu."
Marcelo soltou o ar pelo nariz.
Bruno permaneceu imóvel.
Dante pausou a gravação.
"O cartão usado foi o seu."
"Eu estava em casa."
"Tem alguém que confirme?"
Isabela virou o rosto lentamente.
"Você colocou dois homens me seguindo."
Dante olhou para Bruno.
"Ela estava em Vila Mariana?"
Bruno respondeu:
"Meus homens encerraram a vigilância à meia-noite."
Isabela soltou uma risada sem humor.
"Perfeito."
Dante aproximou-se.
"Eu não disse que acredito na gravação."
"Mas me chamou aqui."
"Porque preciso entender."
"Entender o quê? Se eu voltei escondida, entrei no quarto de uma mulher que confia em mim e roubei documentos usando meu próprio cartão?"
Marcelo interveio.
"O registro é objetivo."
Isabela virou-se.
"Eu não falei com você."
Marcelo endureceu.
Dante ergueu a mão.
"Chega."
Isabela olhou para ele.
"Você quer revistar minha casa também?"
"Não."
"Meu armário?"
"Não."
"Minha bolsa?"
"Não."
"Então diga que acredita em mim."
Silêncio.
A expressão de Dante mudou.
Isabela esperou.
"Eu acredito que há coisas erradas nessa gravação."
Ela baixou os olhos.
"Não foi o que pedi."
Dante sabia.
Mas durante toda a vida aprendera a confiar em evidências antes de pessoas.
A hesitação custou caro.
Isabela retirou o avental.
Dobrou-o.
Colocou sobre a mesa.
"O que está fazendo?"
"Facilitando."
"Isabela."
"Não vou trabalhar numa casa onde preciso provar todas as manhãs que não sou ladra."
"Eu não a chamei de ladra."
"Não precisou."
Ela tirou o crachá.
Colocou sobre o avental.
Marcelo falou:
"Talvez seja melhor até esclarecermos."
Dante virou-se para ele.
"Mais uma palavra e você sai antes dela."
Marcelo calou-se.
Isabela caminhou até a porta.
Dante segurou seu braço.
Não com força.
Mesmo assim, ela olhou para a mão.
Ele soltou imediatamente.
"Não vá."
"Por quê?"
"Porque isso é exatamente o que alguém quer."
"Talvez."
"Então fique."
"Para você continuar me observando por câmeras?"
Dante não respondeu.
"Foi assim desde o começo, não foi?"
Ele ficou imóvel.
Isabela entendeu.
"Você me observava."
"Minha mãe estava sob vigilância."
"Não mude a frase."
Dante respirou fundo.
"Sim."
"Por quanto tempo?"
"Oito dias."
A resposta doeu mais do que ela esperava.
"Oito dias."
"Isabela..."
"Você me viu alimentando sua mãe. Viu minha mão sangrar. Ouviu minhas conversas. Investigou minha irmã. Testou se eu roubaria aquele colar."
Dante não negou.
Os olhos dela se encheram.
"E mesmo depois de tudo isso, uma gravação ruim ainda foi suficiente para você hesitar."
Ela abriu a porta.
"Não me siga."
Dante ficou parado.
Dessa vez, obedeceu.
Isabela subiu para buscar a bolsa.
Antes de chegar à escada, ouviu uma voz.
"Isabela."
Helena.
A porta da suíte estava aberta.
Isabela entrou.
A velha estava acordada.
"Vai embora?"
Isabela tentou sorrir.
"Vou descansar um pouco."
"Mentira."
Ela se aproximou.
Helena segurou sua mão.
"Não chore."
"Não estou chorando."
"Está."
Isabela enxugou o rosto.
"Seu filho é impossível."
Helena sorriu de leve.
"Eu sei."
Passos surgiram no corredor.
Ricardo apareceu.
"Que cena bonita."
Isabela ficou rígida.
Helena mudou imediatamente.
Seu rosto perdeu a suavidade.
"Saia."
Ricardo parou.
"Tia."
"Saia."
"Está tudo bem."
Helena começou a tremer.
Isabela colocou-se entre os dois.
"Ela pediu para sair."
Ricardo olhou para Isabela.
"Você ainda dá ordens nesta casa?"
"Saia."
Ele sorriu.
"Talvez Dante finalmente tenha descoberto quem você é."
Helena apontou.
"Foi ele."
Ricardo perdeu o sorriso.
Isabela virou-se.
"O quê?"
Helena olhava diretamente para Ricardo.
A voz saiu clara.
"Foi ele."
Dante apareceu na porta com Bruno.
"Mãe?"
Helena apontou novamente.
"Ele mandou a mulher."
Ricardo ficou pálido.
"Ela está confusa."
"Que mulher?", perguntou Dante.
"A do uniforme."
O quarto ficou em silêncio.
Helena tocou o avental de Isabela.
"Não era ela."
Dante olhou para Ricardo.
"Como minha mãe sabe da gravação?"
Ricardo não respondeu.
Bruno entendeu primeiro.
Ninguém havia contado a Helena que uma mulher de uniforme aparecera nas imagens.
Dante fechou a porta.
"Bruno."
"Sim."
"Ninguém sai da propriedade."
Ricardo riu.
"Vai me prender por causa da fala de uma mulher com Alzheimer?"
Dante se aproximou.
"Não."
Seu olhar estava gelado.
"Vou descobrir por que ela sabe algo que só quatro pessoas nesta casa sabiam."
Marcelo surgiu no corredor.
Ao ver Ricardo dentro da suíte, parou.
Bruno percebeu.
Dante também.
"Marcelo."
"Chefe?"
"Entre."
Marcelo hesitou.
Foi pequeno.
Mas suficiente.
Dante olhou para Bruno.
"Pegue o telefone dele."
Marcelo recuou.
"Isso é ridículo."
Bruno avançou.
Marcelo correu.
Não chegou à escada.
Dois seguranças o derrubaram no corredor.
O celular caiu.
Bruno pegou.
Ricardo permaneceu imóvel.
Dante olhou para o primo.
"Quer me dizer alguma coisa antes de eu abrir esse telefone?"
Ricardo respondeu:
"Você está destruindo sua família por causa de uma empregada."
Dante olhou para Isabela.
Depois para Helena.
"Não."
Voltou-se para Ricardo.
"Estou descobrindo quem tentou destruí-la primeiro."
Bruno desbloqueou o aparelho de Marcelo.
Encontrou uma conversa apagada parcialmente recuperada pelo backup.
Uma mensagem enviada às 02:48.
"Use o cartão dela. Se a câmera pegar o uniforme, melhor."
Abaixo havia apenas uma inicial.
R.
Dante levantou os olhos.
Ricardo já não sorria.
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