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"O Chefe da Máfia Observou Sua Empregada Por 8 Dias… No 9º Dia, Fez Algo Que Ninguém Esperava" Capítulo 5 — Quanto Vale Sua Lealdade?

正文开头

Isabela percebeu que alguma coisa estava errada antes mesmo de Ricardo Montenegro dizer seu nome.

Era sexta-feira, pouco depois das cinco da tarde.

Ela havia terminado de organizar a suíte de Helena e empurrava o carrinho de limpeza pelo corredor quando encontrou Ricardo encostado junto à janela.

Ele sorriu.

"Isabela Oliveira Martins?"

Ela parou.

"Sim."

"Ricardo Montenegro."

"Eu sei quem o senhor é."

"Isso facilita."

Isabela segurou o carrinho.

"Precisa de alguma coisa?"

"Cinco minutos."

"Meu expediente termina em vinte."

"Então ainda tenho tempo."

Ricardo indicou uma pequena sala de visitas.

Isabela não se mexeu.

"Podemos conversar aqui."

O sorriso dele aumentou.

"Você sempre é tão desconfiada?"

"Trabalho na casa dos Montenegro."

Ricardo soltou uma risada.

"Justo."

Ele tirou um envelope do bolso interno do paletó.

"Quero fazer uma proposta."

"Não estou procurando outro emprego."

"Não é emprego."

Ricardo entregou o envelope.

Isabela abriu.

Dentro havia uma folha.

Leu o primeiro número.

Depois leu novamente.

R$ 500.000.

Ela levantou os olhos.

"O que é isso?"

"Uma oportunidade."

"Para quê?"

"Informação."

Isabela devolveu o papel.

"Não tenho informação."

"Tem acesso à minha tia."

O corpo dela ficou rígido.

Ricardo percebeu.

"Não quero documentos. Não quero joias. Não quero que faça nada ilegal."

"Então o que quer?"

"Quero saber o que Helena diz."

"Por quê?"

"Porque ela está doente."

"Isso não responde."

Ricardo sorriu.

"Você é mais inteligente do que parece."

"E o senhor parece exatamente tão perigoso quanto dizem."

O sorriso desapareceu.

Só por um segundo.

"Quinhentos mil reais."

Ricardo colocou o papel sobre o carrinho.

"Você pode pagar tudo."

Isabela ficou imóvel.

"Tudo o quê?"

Ricardo tirou outro documento.

Hospital São Gabriel.

O nome de Larissa estava no topo.

O rosto de Isabela perdeu a cor.

"De onde tirou isso?"

"Cento e oitenta e três mil reais."

"Isso não é da sua conta."

"Juros aumentando todos os meses. Gente ligando para você. Indo à sua casa."

Isabela pegou o documento.

"Quem autorizou o senhor a investigar minha irmã?"

"Ninguém."

"Ela morreu."

"Eu sei."

"Então deixe minha irmã fora disso."

Ricardo inclinou-se.

"É exatamente isso que estou oferecendo."

Isabela rasgou o papel dos quinhentos mil ao meio.

Depois novamente.

Deixou os pedaços sobre o carrinho.

"Não."

Ricardo observou.

"Talvez não tenha entendido."

"Entendi perfeitamente."

"Você limpa banheiros por salário mínimo e trabalha num restaurante aos fins de semana."

"Problema meu."

"Você levaria anos para pagar essa dívida."

"Problema meu."

"Meia dúzia de frases e sua vida muda."

Isabela empurrou o carrinho.

Ricardo segurou.

"Um milhão."

Ela olhou para a mão dele.

"Tire a mão."

"Um milhão de reais, Isabela."

"Não."

"Por quê?"

"Porque dona Helena confia em mim."

Ricardo soltou o carrinho.

"E você acha que confiança paga boleto?"

"Não."

Isabela passou por ele.

"Mas me deixa dormir."

Ricardo ficou sozinho.

A expressão gentil desapareceu.

Pegou o celular.

"Marcelo."

"Ela aceitou?"

"Não."

"Nem quinhentos?"

"Nem um milhão."

Marcelo ficou em silêncio.

正文1

"Então Dante estava certo sobre ela."

Ricardo olhou para o corredor.

"Não."

"Como assim?"

"Isso só significa que dinheiro não é a alavanca."

"E qual é?"

Ricardo sorriu novamente.

"Todo mundo tem uma."

Naquela noite, Dante soube da conversa.

Bruno colocou uma gravação sobre a mesa.

"Ricardo abordou Isabela."

Dante levantou os olhos.

"O quê?"

"Ofereceu dinheiro."

"Quanto?"

"Começou em quinhentos mil."

"Começou?"

"Terminou em um milhão."

A mandíbula de Dante travou.

"E ela?"

"Mandou ele tirar a mão do carrinho."

Bruno quase sorriu.

Dante não.

"Quero Ricardo longe dela."

"Quer que eu fale com ele?"

"Não."

Dante levantou-se.

"Eu falo."

Encontrou o primo na sala de bilhar.

Ricardo servia uísque.

"Quer?"

Dante fechou a porta.

"Fique longe de Isabela."

Ricardo ergueu uma sobrancelha.

"Então o nome dela já pode ser dito?"

"Não teste minha paciência."

"Eu só fiz uma proposta."

"Usou a irmã morta dela."

"Informação pública."

Dante aproximou-se.

"Se usar Larissa novamente, teremos um problema."

Ricardo tomou um gole.

"Você investigou a mesma coisa."

Dante parou.

Ricardo sorriu.

"A diferença é que você fez escondido."

"Eu protejo esta casa."

"Claro."

Ricardo colocou o copo sobre a mesa.

"É por isso que passa horas vendo uma empregada pelas câmeras?"

Dante segurou Ricardo pelo colarinho.

O copo caiu.

"Não fale dela."

Ricardo não demonstrou medo.

Pelo contrário.

Pareceu satisfeito.

"Então é verdade."

Dante o soltou.

"Saia."

"Ela sabe?"

"Saia da minha casa."

Ricardo ajeitou o paletó.

"Você está cometendo um erro."

"Qual?"

"Está dando importância a alguém que pode ser usada contra você."

Dante abriu a porta.

"Você tem dez segundos."

Ricardo saiu.

Na manhã seguinte, Helena estava estranhamente quieta.

Isabela percebeu assim que entrou.

"Bom dia."

Nenhuma resposta.

Helena olhava para a janela.

Isabela começou a arrumar a cama.

"Quer café?"

Helena balançou a cabeça.

"Suco?"

Nada.

"Quer reclamar do preço dos ovos?"

Helena finalmente olhou.

"Feche a porta."

Isabela parou.

"O quê?"

"Feche."

A voz estava clara.

Isabela obedeceu.

Helena segurou seu pulso.

Forte.

"Não deixe Ricardo entrar."

Isabela sentiu um arrepio.

"Por quê?"

"Ele procura."

"Procura o quê?"

Helena olhou para a porta.

"Os papéis."

"Que papéis?"

"Augusto descobriu."

Isabela aproximou-se.

"Descobriu o quê?"

Helena começou a respirar mais rápido.

"Dona Helena?"

"Não deixe ele entrar."

"Está tudo bem."

"Prometa."

"Eu prometo."

Helena fechou os olhos.

Quando abriu novamente, a lucidez havia desaparecido.

"Quem é você?"

Isabela sentiu o estômago afundar.

"Isabela."

"Cadê meu marido?"

Ela não respondeu imediatamente.

Naquela tarde, encontrou Dante no corredor.

"Preciso falar com o senhor."

Dante parou.

"O que aconteceu?"

"Sua mãe falou de Ricardo."

A expressão dele mudou.

"O que disse?"

"Que eu não devo deixá-lo entrar."

"Mais?"

"Falou de papéis."

Dante ficou imóvel.

"E do seu pai."

"Exatamente o quê?"

"Disse que Augusto descobriu alguma coisa."

Dante olhou para a suíte.

"Minha mãe mistura lembranças."

"Eu sei."

"Às vezes fala de pessoas mortas como se estivessem vivas."

"Eu sei."

"Então não tire conclusões."

Isabela cruzou os braços.

"Não tirei."

"Ótimo."

"Mas o senhor tirou."

Dante olhou para ela.

"Como?"

"O senhor ficou assustado."

"Eu não fico assustado."

Isabela quase sorriu.

"Claro."

Entrou novamente no quarto.

Dante ficou no corredor.

Por mais que odiasse admitir, aquelas palavras haviam aberto uma porta que ele passara décadas mantendo fechada.

Augusto Montenegro.

Seu pai.

Morto numa emboscada vinte e sete anos antes.

Um crime que Dante acreditava compreender.

Até aquele momento.

Dentro da suíte, Helena levou a mão ao travesseiro.

"Isabela."

"Sim?"

"Venha."

Isabela aproximou-se.

Helena colocou alguma coisa em sua mão.

Uma pequena chave de metal.

Velha.

Escurecida pelo tempo.

Havia duas letras e um número gravados nela.

JM-17.

"Guarde."

"Para quê?"

Helena apertou os dedos dela ao redor da chave.

"Antes que ele encontre."

"Quem?"

Helena olhou para a porta.

E sussurrou:

"Ricardo."

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