"O Chefe da Máfia Observou Sua Empregada Por 8 Dias… No 9º Dia, Fez Algo Que Ninguém Esperava" Capítulo 3 — O Colar Sobre a Mesa
O sexto dia começou com um grito.
Dante estava em uma reunião no escritório principal da mansão quando o celular vibrou.
Alerta da ala leste.
Ele interrompeu Marcelo Ferraz no meio de uma frase.
"Saia."
Marcelo piscou.
"Mas os números de Santos..."
"Depois."
Os três homens sentados à mesa levantaram-se imediatamente.
Dante desceu para a Central de Segurança.
Quando a imagem da suíte apareceu, Helena estava fora de controle.
Uma jarra de cristal havia se quebrado.
Água e cacos cobriam o chão.
Duas enfermeiras estavam no corredor.
Nenhuma entrava.
Helena segurava um pesado relógio de bronze.
"Não encostem em mim!"
"Senhora Helena, abaixe isso."
"Vocês mataram Augusto!"
Dante congelou.
O pai.
Helena estava presa em uma memória antiga.
"Ele está sangrando!"
Ela arremessou o relógio.
Uma enfermeira gritou.
O objeto bateu contra a parede.
Dante apertou o interfone.
"Bruno, vá para a ala leste."
Antes que Bruno respondesse, alguém apareceu no monitor.
Isabela.
Ela vinha correndo.
"Não entre", ordenou Dante pelo interfone do corredor.
Isabela parou.
Olhou para a câmera.
Por um instante, parecia estar olhando diretamente para ele.
Outro grito veio do quarto.
"Augusto!"
Isabela entrou.
Dante levantou-se.
"Maldição."
O chão estava coberto de vidro.
Isabela avançou devagar.
"Dona Helena."
"Saia!"
"Sou eu."
"Você vai matá-lo!"
"Não."
Helena pegou um porta-retratos.
Isabela manteve as mãos abertas.
"Olhe para mim."
"Saia!"
"Dona Helena."
O porta-retratos voou.
Passou ao lado do rosto de Isabela.
Ela não recuou.
Dante sentiu o coração bater mais forte.
"Saia daí", murmurou.
Isabela deu outro passo.
Um caco atravessou a sola fina do sapato.
Ela estremeceu.
Continuou.
"Hoje está muito barulhento aí dentro, não está?"
Helena respirava com dificuldade.
Isabela se ajoelhou.
O vidro estalou sob seus joelhos.
Dante segurou a borda da mesa.
"Isabela..."
Ela não podia ouvi-lo.
"Olhe para mim, dona Helena."
Helena finalmente olhou.
"Ninguém vai entrar por aquela porta."
A voz de Isabela tremeu.
Ela estava com medo.
Dante percebeu.
Aquilo tornava tudo pior.
Coragem não era ausência de medo.
Era permanecer quando o medo mandava correr.
"A senhora está em casa."
Helena piscou.
"Augusto..."
"Está tudo bem."
"Ele estava sangrando."
"Eu sei."
Helena começou a chorar.
O relógio caiu de sua mão.
Isabela aproximou-se.
Helena agarrou seu uniforme.
Enterrou o rosto contra o ombro dela.
Isabela a abraçou.
Dante soltou lentamente a borda da mesa.
Então viu o sangue.
A mão direita de Isabela estava cortada.
Um filete vermelho descia pelos dedos.
Ela provavelmente apoiara a palma em um fragmento quando se ajoelhara.
Mesmo assim, continuava abraçando Helena.
"Está tudo bem."
Helena soluçou.
"Não vá."
"Não vou."
Dante permaneceu diante da tela até sua mãe adormecer.
Só então Isabela se levantou.
Olhou para a própria mão.
Fez uma careta.
Uma enfermeira entrou.
"Você precisa ir ao pronto-socorro."
"Não precisa."
"Está sangrando."
"Eu percebi."
Isabela entrou no banheiro.
Lavou a mão.
Pegou papel-toalha.
Enrolou-o na palma.
Prendeu com fita.
Dante ficou furioso.
Não sabia exatamente com quem.
Com as enfermeiras.
Com Isabela.
Consigo mesmo.
Ela voltou para o quarto.
Pegou uma vassoura.
Começou a recolher os cacos.
Dante apertou o interfone.
"Pare."
Isabela ergueu a cabeça.
A voz dele ecoou no quarto.
"Saia da suíte."
Ela olhou para a câmera.
"Preciso terminar."
"Isso não foi um pedido."
A expressão dela mudou.
"Quem está falando?"
Dante quase riu.
"Seu patrão."
Isabela olhou para uma das enfermeiras.
"Ele fica olhando pelas câmeras?"
Dante estreitou os olhos.
A enfermeira pareceu querer desaparecer.
"Isabela."
"Estou indo."
Ela deixou a vassoura.
Saiu.
Dante chamou Bruno.
"Leve-a à enfermaria."
"Ela provavelmente vai recusar."
"Então convença."
Bruno quase sorriu.
"Com delicadeza?"
Dante lançou-lhe um olhar.
"Saia."
Uma hora depois, Bruno informou que o corte não exigia pontos.
Dante sentiu um alívio que não deveria sentir.
Naquela noite, não conseguiu trabalhar.
Às onze, voltou às câmeras.
A suíte de Helena estava silenciosa.
Mudou de monitor.
Cozinha.
Vazia.
Corredor.
Vazio.
Área de funcionários.
Isabela ainda estava ali.
Sentada sozinha.
Tentava refazer o curativo com uma gaze barata.
Dante observou.
Ela usava apenas uma mão.
O curativo ficou torto.
Ela soltou um palavrão baixo.
Dante desviou os olhos.
No dia seguinte, tomou uma decisão que considerou absurda.
Ligou para a cozinha.
"Chef."
"Sim, senhor Montenegro."
"Quero uma refeição quente na sala de descanso da ala leste."
"Para quantas pessoas?"
"Uma."
"Alguma preferência?"
"Proteína. Legumes. Arroz. Comida de verdade."
"Para quem?"
Dante ficou em silêncio.
"Isso importa?"
"Não, senhor."
"Meio-dia e seis da tarde."
"Todos os dias?"
"Todos."
Ele desligou.
Às doze e dez, Isabela entrou na sala.
Parou diante do prato.
Olhou em volta.
Dante acompanhava pela câmera.
Ela chamou outra funcionária.
"É seu?"
"Não."
"Da Teresa?"
"Não."
Isabela aproximou-se.
Havia filé, arroz, feijão e legumes.
Ela olhou para a câmera no canto.
Dante se recostou na cadeira.
"Não."
Isabela apontou para a câmera.
"Foi você?"
Dante quase respondeu.
Não respondeu.
Ela ficou alguns segundos olhando.
Depois sentou.
Comeu.
Dante sentiu uma satisfação ridícula.
No sétimo dia, porém, os monitores deixaram de ser suficientes.
Às duas e quinze da tarde, ele subiu até a ala leste.
Parou diante da porta de Helena.
Ouviu Isabela falando.
"O mecânico disse que é o alternador."
Helena murmurou alguma coisa.
"Eu também achei caro."
Dante permaneceu no corredor.
"Se eu soubesse mexer num carro, faria sozinha."
Helena respondeu:
"Você vai explodir."
Isabela riu.
"Obrigada pela confiança."
Dante quase entrou.
Então ouviu Helena.
"Você é uma boa menina."
A voz estava fraca.
Mas clara.
Isabela demorou a responder.
"Minha irmã dizia que eu era teimosa."
"Cadê ela?"
Silêncio.
Dante permaneceu imóvel.
"Ela morreu."
Helena não respondeu.
"Faz quase um ano."
Isabela respirou fundo.
"Eu ainda acordo às vezes pensando que preciso ligar para o hospital."
Dante baixou os olhos.
"Depois lembro que não preciso mais."
A voz dela falhou.
Helena tocou seu braço.
Um gesto pequeno.
Quase consciente.
"Não chore."
Isabela soltou uma risada triste.
"Estou tentando."
Dante afastou-se da porta.
Não entrou.
Naquela noite, chamou Bruno.
"Quero saber quem está cobrando a dívida dela."
Bruno ergueu uma sobrancelha.
"Por quê?"
Dante olhou para ele.
Bruno corrigiu imediatamente:
"Vou descobrir."
Dante voltou ao escritório.
Não sabia o que faria com a informação.
Talvez nada.
Talvez tudo.
Mas, pela primeira vez, o problema de Isabela começava a parecer um problema dele.
E isso era perigoso.
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