localização atual: Novela Mágica O Chefe da Máfia Observou Sua Empregada Por 8 Dias… No 9º Dia, Fez Algo Que Ninguém Esperava Capítulo 2 — Ele Mandou Investigar a Empregada
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"O Chefe da Máfia Observou Sua Empregada Por 8 Dias… No 9º Dia, Fez Algo Que Ninguém Esperava" Capítulo 2 — Ele Mandou Investigar a Empregada

正文开头

A pasta chegou às onze e quarenta da manhã.

Bruno Almeida entrou na Central de Segurança sem bater.

Poucas pessoas podiam fazer isso.

Ele colocou uma pasta preta sobre a mesa.

"Isabela Oliveira Martins."

Dante não abriu.

Na tela número quatro, Isabela penteava os cabelos de Helena.

"Fale."

"Vinte e nove anos. Brasileira. Nascida em São Paulo. Mora em Vila Mariana."

"Família?"

"Pais falecidos."

"Irmãos?"

Bruno demorou meio segundo.

Dante percebeu.

"Uma irmã."

"Nome?"

"Larissa Martins."

"Idade?"

"Morreu aos vinte e quatro."

Dante finalmente olhou para Bruno.

"Quando?"

"Onze meses atrás."

Ele abriu a pasta.

Havia fotografias, comprovantes de endereço e registros de emprego.

"Do quê?"

"Leucemia."

Dante virou outra página.

Hospital São Gabriel.

Tratamentos.

Medicamentos.

Internações.

Os valores eram altos.

Muito altos para uma mulher que limpava casas.

"Como ela pagou?"

"Não pagou."

Bruno colocou uma folha diante dele.

"Vendeu o carro. Sacou tudo o que tinha. Pegou empréstimo bancário. Depois cartão. Depois financeiras."

"Mais."

"Quando ninguém emprestava, procurou gente que emprestava sem fazer perguntas."

Dante entendeu.

"Agiotas."

"Sim."

"Quanto?"

"Somando juros, pouco mais de cento e oitenta mil reais."

Dante ficou em silêncio.

Na tela, Helena dizia alguma coisa.

Isabela começou a rir.

"Ela trabalha aqui de segunda a sexta", Bruno continuou. "Sábado e domingo faz turno num restaurante perto da Rua Vergueiro."

"Sete dias por semana?"

"Praticamente."

"Antecedentes?"

"Nada."

"Roubo?"

"Nada."

"Fraude?"

"Nada."

"Contato com alguma família?"

"Não."

"Porto de Santos?"

"Não."

"Polícia?"

"Não."

"Imprensa?"

"Também não."

Bruno apoiou as mãos na mesa.

"Ela é limpa."

Dante fechou a pasta.

"Ninguém é limpo."

"Essa parece ser."

"Ela deve cento e oitenta mil."

"Isso não transforma alguém em criminosa."

"Transforma em alguém desesperado."

Dante voltou-se para os monitores.

Naquela casa havia relógios que custavam o equivalente a dez anos do salário de Isabela.

Havia quadros, joias, dinheiro.

Helena tinha medicamentos controlados.

Isabela entrava e saía daquela suíte todos os dias.

"Uma pessoa desesperada faz coisas imprevisíveis."

Bruno olhou para a tela.

"Quer que eu a transfira?"

"Não."

"Posso colocá-la na lavanderia."

"Não."

"Então o que quer?"

Dante observou Isabela oferecer água à mãe.

"Quero saber o que ela faz quando acredita que ninguém está olhando."

Bruno não respondeu.

Conhecia aquele tom.

Dante estava testando alguém.

E os testes de Dante Montenegro raramente eram gentis.

Naquela tarde, Isabela terminou o expediente às seis e dez.

Saiu pela entrada dos funcionários.

Chovia.

Ela abriu um guarda-chuva quebrado.

Dante mudou a câmera.

Monitor do portão.

Depois, câmera externa.

Isabela caminhou até o ponto de ônibus.

Não havia carro esperando.

Nenhum homem misterioso.

Nenhuma conexão secreta.

Apenas uma mulher cansada sob a chuva.

Dante deveria ter voltado ao trabalho.

Não voltou.

Observou até o ônibus chegar.

No dia seguinte, Isabela apareceu às sete e cinco da manhã.

Às sete e vinte, estava limpando o corredor da ala leste.

Às oito, ouviu Helena gritar.

Largou o pano.

Entrou.

Dante já estava diante da tela.

正文1

"Não!"

Helena empurrava a bandeja.

Isabela segurou o copo antes que caísse.

"Bom dia para a senhora também."

"Não quero!"

"Ótimo."

Isabela colocou a bandeja longe.

Helena pareceu surpresa.

"Ótimo?"

"Hoje eu também não estou com paciência."

Helena estreitou os olhos.

"Você está brava?"

"Meu ônibus quebrou no caminho."

"Compre um carro."

Isabela soltou uma risada curta.

"Excelente ideia. Quer me emprestar dinheiro?"

Helena ficou séria.

"Quanto?"

Isabela riu mais alto.

"Estou brincando."

Dante não.

A frase ficou na cabeça dele.

Dinheiro.

Era sempre dinheiro.

Na hora do almoço, Isabela saiu da suíte para atender o celular.

A câmera do corredor captou a conversa.

"Eu já disse que vou pagar."

Silêncio.

"Não tenho esse dinheiro agora."

Outra pausa.

O rosto dela mudou.

"Não vá à minha casa."

Dante inclinou-se para frente.

"Eu vou conseguir."

Isabela desligou.

Ficou parada alguns segundos.

Passou as mãos pelo rosto.

Depois voltou ao quarto de Helena como se nada tivesse acontecido.

Dante pegou o telefone.

"Bruno."

"Estou ouvindo."

"Quem ligou?"

"Vou descobrir."

"Agora."

Vinte minutos depois, Bruno voltou.

"Cobrança."

"Legal?"

Bruno fez uma expressão suficiente para responder.

Dante levantou-se.

"Quanto querem?"

"Vinte mil até sexta."

"E se ela não pagar?"

"Fizeram uma ameaça."

"Qual?"

"Disseram que sabem onde ela mora."

Dante olhou novamente para a tela.

Isabela estava alimentando Helena.

A mão dela tremia discretamente.

Ainda assim, sua voz permanecia calma.

"Mais uma."

"Não."

"Metade."

"Não."

"Então vou comer."

Helena puxou a tigela para si.

"Minha."

Isabela sorriu.

"Sabia."

Dante sentiu uma irritação difícil de explicar.

Ela estava sendo ameaçada.

Tinha acesso a uma casa cheia de riqueza.

Mesmo assim continuava agindo como se nada lhe pertencesse.

No fim da tarde, chamou Bruno novamente.

"Prepare um teste."

Bruno olhou para ele.

"Que tipo?"

"Um que cento e oitenta mil reais de dívida tornem difícil de ignorar."

Na manhã seguinte, Helena recebeu uma caixa do cofre da família.

Dentro havia um colar de esmeraldas que pertencera à avó de Dante.

Valor estimado:

quatrocentos e oitenta mil reais.

Bruno colocou a caixa sobre a cômoda da suíte.

"Tem certeza?"

Dante observava pela câmera.

"Sim."

"E se ela pegar?"

"Então finalmente saberei quem ela é."

"Você sabe que sua mãe pode mexer nisso."

"A enfermeira vai levá-la ao jardim às duas."

"E Isabela?"

"Limpa o quarto às duas e dez."

Bruno olhou para o monitor.

"Você realmente espera que ela roube?"

Dante demorou a responder.

"Eu espero que as pessoas sejam aquilo que sempre foram."

"E o que sempre foram?"

Dante encarou a caixa.

"Decepcionantes."

Às duas em ponto, Helena saiu.

Às duas e onze, Isabela entrou.

Estava sozinha.

Começou pela cama.

Depois limpou a mesa.

Então viu a caixa.

Dante não piscou.

Isabela aproximou-se.

Abriu.

As esmeraldas refletiram a luz.

Ela ficou imóvel.

O celular tocou.

Isabela olhou para a tela.

Atendeu.

"Eu sei."

Silêncio.

"Eu pedi mais alguns dias."

Outro silêncio.

"Não tenho vinte mil reais."

Dante observava.

A mão dela ainda estava sobre a caixa.

"Não ameace minha família. Minha irmã está morta."

Isabela desligou.

Os olhos estavam molhados.

Olhou para o colar.

Quatrocentos e oitenta mil reais.

Dívida: cento e oitenta mil.

Dante sentiu a velha certeza voltar.

Ali estava.

O momento.

Isabela pegou o colar.

Bruno ficou em silêncio ao lado dele.

Dante endureceu o rosto.

"Eu sabia."

Mas Isabela não colocou a joia no bolso.

Fechou a caixa.

Pegou-a com as duas mãos.

Saiu para o corredor.

Encontrou Bruno.

"Senhor Almeida."

Bruno fingiu surpresa.

"Sim?"

"Isso estava no quarto de dona Helena."

Ela entregou a caixa.

"É muito caro para ficar largado."

Bruno recebeu.

"Você abriu?"

"Abri."

"Por quê?"

"Porque achei que pudesse ser remédio."

"Viu o que tinha dentro?"

"Vi."

Bruno sustentou o olhar dela.

"E?"

Isabela franziu a testa.

"E o quê?"

"Nada."

Ela virou-se.

"Tenho um banheiro para limpar."

Bruno voltou à Central de Segurança.

Colocou a caixa diante de Dante.

Nenhum dos dois falou durante alguns segundos.

Finalmente Bruno perguntou:

"Está satisfeito?"

Dante olhou para a câmera.

Isabela esfregava o chão.

"Não."

"Por quê?"

"Porque agora ela faz ainda menos sentido."

Na tela, Helena voltou do jardim.

Quando viu Isabela, sorriu.

Dante percebeu.

Sua mãe sorrira para aquela mulher.

Não para os médicos.

Não para as enfermeiras.

Não para ele.

Para a empregada.

Dante ficou olhando por tempo demais.

E então compreendeu algo que o incomodou mais do que o colar devolvido.

Ele não estava mais esperando Isabela errar.

Estava começando a esperar que ela não errasse.

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