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"A Empregada Que Fez o Chefe da Máfia Sorrir Depois de Dois Anos" Capítulo 5 — Meu Próprio Sangue

正文开头

Dante Montenegro passou trinta e oito anos acreditando que era filho único.

Agora, sua mãe estava diante dele dizendo que existia outro homem com o mesmo sangue.

Outro Montenegro.

Outro filho de Marcelo.

E seu nome começava exatamente com as duas letras encontradas no livro escondido.

R.M.

Dante fechou o livro contábil devagar.

"Repita."

Teresa permaneceu imóvel.

"Você ouviu."

"Quero ouvir de novo."

Ela respirou fundo.

"Seu pai teve outro filho."

Dante soltou uma risada curta e sem humor.

"Antes ou depois de casar com você?"

"Antes."

"Nome."

"Rafael."

"Rafael Montenegro."

"Sim."

Dante olhou para Bruno.

O segurança estava tão surpreso quanto ele.

Isabela permanecia perto da estante, sem dizer nada.

"Quantos anos?"

"Hoje, quarenta e quatro."

"Seis anos mais velho que eu."

Teresa assentiu.

"Quem era a mãe?"

"Uma mulher chamada Lúcia Andrade."

"E onde está ela?"

"Morreu há muitos anos."

Dante aproximou a cadeira.

"E Rafael?"

"Não sei."

"Mentira."

"Dante..."

"Você apagou um irmão inteiro da minha vida e espera que eu acredite que não sabe onde ele está?"

Teresa endureceu.

"Eu não apaguei ninguém."

"Então quem apagou?"

"Seu pai."

O silêncio voltou.

Teresa caminhou até a janela.

"Marcelo conheceu Lúcia quando era muito jovem. Rafael nasceu antes de o Grupo Montenegro se tornar o que é hoje."

"Meu pai abandonou os dois?"

"Não imediatamente."

Teresa hesitou.

"Durante alguns anos, ele sustentou o menino."

"Escondido."

"Sim."

"E depois?"

"Rafael cresceu."

Dante esperou.

"E começou a exigir mais."

"Dinheiro?"

"Nome. Poder. Lugar na empresa."

Teresa virou-se.

"Ele queria ser reconhecido como Montenegro."

"Porque era um Montenegro."

Teresa não respondeu.

A mandíbula de Dante endureceu.

"Meu pai recusou."

"Seu pai acreditava que Rafael era perigoso."

"Meu pai chamava qualquer pessoa que o enfrentasse de perigosa."

"Desta vez, ele tinha motivos."

"Quais?"

Teresa olhou para o livro.

"Rafael ameaçou destruir a família."

Bruno cruzou os braços.

"Quando isso aconteceu?"

"Mais de vinte anos atrás."

"E depois?"

"Marcelo pagou para que ele fosse embora."

Dante soltou uma risada amarga.

"Claro."

"Dante..."

"Dinheiro. Sempre dinheiro."

Ele olhou ao redor do escritório.

"Era assim que meu pai resolvia tudo."

Teresa se aproximou.

"Você não conheceu Rafael."

"Nem tive oportunidade."

"Ele odiava você antes mesmo de você entender o que significava ser um Montenegro."

Dante parou.

"Por quê?"

"Porque você tinha tudo que ele queria."

A frase ficou suspensa no ambiente.

Nome.

Casa.

Pai.

Herança.

Lugar à mesa.

Dante olhou novamente para as iniciais.

R.M.

Pela primeira vez, Ricardo deixava de ser a única possibilidade.

Na manhã seguinte, Bruno começou a procurar um homem que oficialmente quase não existia.

Não havia fotografias recentes.

Nenhum endereço conhecido.

Nenhum registro empresarial importante.

Até a certidão antiga usava apenas o sobrenome da mãe.

Rafael Andrade.

O nome Montenegro nunca fora registrado legalmente.

Dante passou o dia no escritório.

Isabela entrou perto das quatro da tarde com café.

Colocou a xícara diante dele.

"Não pedi."

"Eu sei."

"Então por que trouxe?"

正文1

"Porque você não comeu."

"Isso é café."

"É o primeiro passo."

Dante olhou para ela.

"Está tentando mandar em mim?"

"Alguém precisa."

"Tenho centenas de funcionários."

"Nenhum deles parece muito bom nisso."

Ele quase sorriu.

Quase.

Isabela percebeu.

"Foi quase."

"O quê?"

"Um sorriso."

"Está imaginando coisas."

"Claro."

Ela começou a sair.

"Isabela."

Parou.

"Você acha que eu deveria ter sabido?"

Ela virou-se.

"Sobre Rafael?"

"Sim."

Isabela pensou antes de responder.

"Acho que alguém deveria ter contado."

"Não foi o que perguntei."

"Então está fazendo a pergunta errada."

Dante franziu a testa.

Ela voltou para perto da mesa.

"Você está perguntando se deveria ter descoberto sozinho uma mentira que sua família passou vinte anos escondendo."

Ele não respondeu.

"Não."

Isabela falou com firmeza.

"Você não deveria ter sabido. Eles deveriam ter contado."

Dante ficou olhando para ela.

Ninguém falava assim com ele.

Talvez fosse exatamente por isso que continuava permitindo que ela ficasse.

Naquela noite, Bruno finalmente encontrou alguma coisa.

Entrou no escritório com uma pasta.

"Tenho um Rafael Andrade."

Dante endireitou o corpo.

"Fale."

"Nascido em São Paulo. Mãe: Lúcia Andrade. Idade compatível."

"É ele?"

"Provavelmente."

"Onde está?"

"Essa é a parte estranha."

Bruno abriu a pasta.

"Depois de 2008, praticamente desapareceu."

"Prisão?"

"Não."

"Exterior?"

"Talvez."

Bruno colocou outro documento diante dele.

"Mas reapareceu há dois anos."

Dante olhou.

"Quando?"

"Três dias depois do seu atentado."

Isabela, que organizava alguns papéis, parou.

"Onde?"

Bruno olhou diretamente para Dante.

"Hospital São Gabriel."

O ar pareceu desaparecer do escritório.

Dante leu o documento.

Visitante: Rafael Andrade.

"Ele foi me visitar?"

"Não."

Bruno apontou outra linha.

"Ele entrou pela ala administrativa."

"Para ver quem?"

"Não sabemos."

Dante apertou o papel.

"Consegue as câmeras?"

"Depois de dois anos? Difícil."

"Eu não perguntei se é difícil."

Bruno assentiu.

"Vou conseguir."

Isabela observou Dante.

Seu rosto havia ficado completamente frio.

"Se Rafael estava no hospital..."

Ela não terminou.

Dante terminou por ela.

"Então ele sabia que eu estava vivo."

O telefone de Bruno tocou.

Ele atendeu.

Ouviu por alguns segundos.

"Entendi."

Desligou.

"Mais uma coisa."

Dante ergueu os olhos.

"Ricardo."

"O que tem ele?"

"Consegui confirmar o hotel do Rio."

Bruno colocou uma imagem impressa sobre a mesa.

"Ele realmente estava lá."

Dante ficou imóvel.

"Na noite do atentado?"

"Às vinte e três e quatorze. Câmera de um restaurante do hotel."

Era Ricardo.

Nitidamente.

A centenas de quilômetros da Rodovia dos Imigrantes.

Isabela olhou para as iniciais no livro.

"Então R.M. pode realmente ser Rafael."

Dante não respondeu.

Pela primeira vez, a suspeita contra Ricardo parecia enfraquecer.

E o irmão que ele nunca conhecera começava a ocupar o lugar do inimigo.

Mas naquela mesma noite, Bruno recebeu as imagens recuperadas do Hospital São Gabriel.

A qualidade era ruim.

O homem que aparecia no corredor usava boné e mantinha o rosto parcialmente escondido.

Mesmo assim, havia algo impossível de ignorar.

Ele carregava uma pasta preta.

Na lateral dela estava gravado o símbolo antigo do Grupo Montenegro.

Dante reconheceu aquela pasta.

Pertencera ao seu pai.

Marcelo.

E ela havia desaparecido exatamente na semana do atentado.

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