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"A Empregada Que Fez o Chefe da Máfia Sorrir Depois de Dois Anos" Capítulo 4 — O Homem Que Mandou Atirar

正文开头

Bruno Almeida passou três dias reconstruindo uma noite que todos preferiam esquecer.

Relatórios policiais.

Câmeras de pedágio.

Registros telefônicos.

Arquivos do Hospital São Gabriel.

Documentos do Grupo Montenegro.

Tudo que ainda existia sobre a noite em que Dante fora baleado na Rodovia dos Imigrantes.

Na quarta manhã, entrou no escritório da mansão sem bater.

Dante levantou os olhos.

"Encontrou alguma coisa."

"Encontrei coisas demais."

Isabela estava organizando documentos em uma mesa lateral.

Bruno olhou para ela.

Dante percebeu.

"Fale."

"Na noite do atentado, apenas quatro pessoas tinham a rota completa."

"Eu sei."

"Você, seu pai, eu..."

Bruno colocou uma folha diante dele.

"E Ricardo."

Isabela parou de trabalhar.

Dante não demonstrou surpresa.

"Ricardo estava no Rio."

"Era o que pensávamos."

"Está dizendo que não estava?"

"Estou dizendo que não consigo provar que estava."

Dante pegou o relatório.

O celular de Ricardo havia sido registrado no Rio de Janeiro.

O cartão do hotel também.

Mas as imagens de segurança daquela noite haviam desaparecido.

"Isso não é prova."

"Eu sei."

"Então continue."

Bruno apontou para outro documento.

"O motorista recebeu a mudança de rota quarenta minutos antes."

"De quem?"

"Do sistema interno."

"Usuário?"

Bruno hesitou.

"R.M."

Isabela levantou os olhos.

Dante ficou imóvel.

Ricardo Montenegro.

As mesmas iniciais.

Naquela tarde, Dante chamou o primo para jantar.

Ricardo chegou sorrindo.

Abraçou Teresa.

Cumprimentou Bruno.

Quando viu Isabela servindo vinho, observou-a por tempo demais.

"Nova?"

Isabela respondeu:

"Algumas semanas."

Ricardo sorriu.

"Está durando bastante."

Dante observou tudo.

"Isabela é resistente."

"Isso é raro nesta casa."

Teresa percebeu a tensão.

"Dante."

"Estou apenas conversando."

Ricardo sentou-se.

"Quando meu primo diz isso, normalmente alguém termina a noite sem emprego."

Dante não sorriu.

"Ou sem dentes."

Ricardo riu.

O jantar prosseguiu.

Nenhuma acusação.

Nenhuma pergunta direta.

Dante falou de negócios.

Porto de Santos.

Transportadoras.

Investimentos.

Até mencionar casualmente:

"Bruno reabriu a investigação do atentado."

A mão de Ricardo parou por menos de um segundo.

Depois continuou cortando a carne.

"Depois de dois anos?"

"Algum problema?"

"Claro que não."

"Encontramos coisas interessantes."

Ricardo ergueu a taça.

"Espero que encontrem quem fez isso."

Dante encarou o primo.

"Eu também."

Mais tarde, Isabela entrou no antigo escritório de Marcelo.

Desde que encontraram a fotografia, ela não conseguia esquecer aquele lugar.

Sua mãe estivera ali.

Talvez durante anos.

Isabela passou os dedos pelas estantes.

Uma marca chamou sua atenção.

Três riscos pequenos na madeira.

Ela conhecia aquilo.

Sua mãe fazia a mesma marca em caixas importantes.

Três riscos.

Sempre três.

Isabela puxou um livro.

Nada.

Outro.

Nada.

Até encontrar uma pequena cavidade.

"Dante?"

Ele entrou pouco depois.

Isabela apontou.

"Minha mãe marcava coisas assim."

Dante examinou a madeira.

Bruno trouxe ferramentas.

Atrás do painel encontraram uma caixa metálica.

A chave de prata abriu a fechadura.

Dentro havia um livro contábil.

Antigo.

Escrito à mão.

Dante começou a folhear.

Empresas.

Datas.

Valores.

Transferências.

Milhões de reais desaparecendo lentamente do Grupo Montenegro.

Tudo começara quase dez anos antes.

正文1

Bruno aproximou-se.

"Seu pai sabia."

Dante passou as páginas.

"Por isso escondeu."

Na última folha havia uma anotação.

R.M. autorizou novamente.

Dante fechou o livro.

"Ricardo."

Isabela não respondeu.

A porta se abriu.

Teresa estava parada ali.

Ao ver o livro, perdeu a cor.

"Onde encontraram isso?"

Dante olhou para a mãe.

"Você conhece?"

"Jogue fora."

"Não."

"Dante, escute..."

"Quem é R.M.?"

Teresa ficou em silêncio.

"Ricardo?"

Nada.

Dante bateu a mão sobre a mesa.

"Responda."

"Não faça isso."

"Fazer o quê?"

"Desenterrar gente que deveria continuar enterrada."

Antes que Dante pudesse perguntar, Bruno recebeu uma ligação.

Atendeu.

Ouviu.

Seu rosto mudou.

"Tem certeza?"

Silêncio.

"Envie agora."

Ele desligou.

Dante conhecia aquela expressão.

"O quê?"

Bruno colocou o celular sobre a mesa.

"Conseguimos comparar o projétil retirado do seu corpo com os registros antigos do arsenal."

Dante não respirou.

"E?"

"A arma que disparou contra você pertencia à família."

Teresa fechou os olhos.

Isabela sentiu um arrepio.

Bruno continuou:

"Ela fazia parte do arsenal particular dos Montenegro."

Dante virou lentamente a cadeira na direção da mãe.

"Então não foi um inimigo."

Teresa não respondeu.

"Não foi alguém de fora."

Silêncio.

Dante aproximou-se dela.

"Quem tentou me matar?"

Teresa abriu os olhos.

Havia medo neles.

Mas não medo por si mesma.

Medo do que Dante estava prestes a descobrir.

"Você ainda não entendeu."

"Então me explique."

Teresa olhou para o livro.

Depois para as iniciais escritas na última página.

"R.M. não significa necessariamente Ricardo Montenegro."

Dante franziu a testa.

"Do que está falando?"

Os lábios de Teresa tremeram.

"Seu pai teve outro filho."

O silêncio caiu sobre o escritório.

Dante não se moveu.

Isabela sentiu o próprio coração acelerar.

Bruno foi o primeiro a falar.

"Qual era o nome dele?"

Teresa fechou os olhos.

Quando respondeu, sua voz saiu quase como um sussurro.

"Rafael Montenegro."

Dante encarou a mãe.

"Eu não tenho irmão."

Teresa abriu os olhos.

"Tem."

E naquele instante, Dante percebeu que a bala que roubara suas pernas talvez fosse apenas a menor das mentiras que sua família escondera dele.

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