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"A Empregada Que Fez o Chefe da Máfia Sorrir Depois de Dois Anos" Capítulo 2 — A Chave de Prata

正文开头

Quando Isabela abriu os olhos, Dante Montenegro não estava mais sorrindo.

Na verdade, ela nem sabia que ele havia sorrido.

Sua primeira sensação foi vergonha.

A segunda foi dor.

O joelho parecia ter dobrado de tamanho.

A terceira foi perceber que sua cabeça estava apoiada na perna do homem mais temido daquela casa.

Isabela levantou-se tão depressa que quase caiu.

"Meu Deus."

Dante permaneceu imóvel.

"Terminou de dormir?"

"Eu sinto muito."

"Imagino."

"Eu não queria..."

"Você costuma dormir em cima dos patrões?"

Isabela ficou vermelha.

"Não."

"Que bom."

Ela procurou o pano.

Foi então que percebeu que Dante segurava outra coisa.

Sua chave.

"Isso é meu."

"Eu sei."

"Então devolva."

Dante girou a pequena chave de prata entre os dedos.

"De onde veio?"

"Da minha bolsa."

"Não perguntei onde estava."

Isabela estendeu a mão.

"É da minha mãe."

Dante não devolveu.

"Nome dela."

"Helena Oliveira."

Algo passou pelo olhar dele.

Muito rápido.

"Ela deu isso para você?"

"Sim."

"Quando?"

"Há alguns meses."

"Para quê?"

"Eu não sei."

Dante inclinou a cabeça.

"Você não sabe."

"Minha mãe teve um AVC."

Ele continuou esperando.

"Ela tem problemas de memória."

"Isso não explica a chave."

"Explica por que ela não consegue me dizer para que serve."

Dante colocou a chave sobre a mesa ao lado.

Longe da mão dela.

Isabela sentiu a irritação crescer.

"Senhor Montenegro, devolva."

"Não."

Ela o encarou.

Talvez Teresa tivesse razão.

Talvez ela realmente não entendesse aquele homem.

"É uma lembrança da minha mãe."

"Se for apenas isso, você receberá de volta."

"Se?"

Dante se aproximou com a cadeira.

"Quem contratou você?"

"A agência."

"Quem indicou esta casa?"

"Ninguém."

"Você conhecia meu pai?"

"Não."

"Minha família?"

"Não."

"Já esteve aqui antes?"

"Não."

Isabela soltou uma risada sem humor.

"Se eu soubesse que seria interrogada às três da manhã, teria cobrado mais."

Os olhos dele ficaram frios.

"Você acha engraçado?"

"Não. Acho absurdo."

Bruno entrou.

Dante não desviou o olhar dela.

"Leve-a para casa."

"Eu consigo ir sozinha."

"Não foi uma oferta."

"Então eu recuso."

Bruno olhou de um para o outro.

"Vou fingir que não estou aqui."

Isabela pegou a bolsa.

"Devolva minha chave."

Dante respondeu sem emoção:

"Amanhã."

Ela saiu furiosa.

Quando a porta fechou, Bruno assobiou baixo.

"Corajosa."

"Ou treinada."

"Você acha que ela está envolvida?"

"Eu acho que coincidências demais costumam ter alguém por trás."

Bruno colocou uma pasta sobre a mesa.

"Já comecei a verificar."

Na manhã seguinte, Dante sabia praticamente tudo sobre Isabela.

Trinta e um anos.

Solteira.

Sem antecedentes.

Sem ligações conhecidas com organizações criminosas.

Sem imóveis.

Sem dinheiro.

Muitas dívidas.

Três empregos.

Uma mãe internada no Residencial Santa Cecília.

Uma cirurgia no joelho quatro anos antes.

Nada fazia sentido.

Bruno fechou a pasta.

"Se ela é uma infiltrada, escolheu a cobertura mais miserável da história."

Dante não respondeu.

"A mulher trabalha até cair."

"Isso não prova nada."

"Também não prova que ela roubou um contêiner."

正文1

Dante olhou para a chave.

"Essa chave estava lá."

"Você tem certeza?"

"Absoluta."

Bruno perdeu o humor.

"Na noite do tiro?"

"Meu pai tinha uma igual."

"Para quê?"

"Ele nunca me contou."

Naquela tarde, Isabela voltou.

Dante esperava que ela desistisse do emprego.

Ela entrou no quarto uniformizada.

"Boa tarde."

"Você voltou."

"Preciso do salário."

A resposta foi tão simples que Dante não soube o que dizer.

Isabela apontou para a mesa.

"Minha chave."

"Primeiro, quero conhecer sua mãe."

Ela congelou.

"Não."

"Por quê?"

"Porque ela está doente."

"Justamente."

"Ela não é parte dos seus negócios."

Dante ficou mais próximo.

"Talvez seja."

Isabela respirou fundo.

"Minha mãe mal lembra meu nome em alguns dias."

"Então por que lhe entregou essa chave?"

Isabela permaneceu em silêncio.

Dante percebeu.

"Há alguma coisa que você não contou."

Ela apertou os lábios.

"Minha mãe dizia coisas."

"Que coisas?"

"Coisas sem sentido."

"Por exemplo?"

Isabela hesitou.

Então falou:

"Ela dizia para eu esconder a chave."

Dante não piscou.

"E?"

"Às vezes dizia que alguém viria buscá-la."

"Quem?"

"Ela nunca disse."

Isabela desviou o olhar.

"Havia outra frase."

"Qual?"

A voz dela baixou.

"Não deixe o homem da cadeira encontrar a porta."

O silêncio tomou o quarto.

Dante sentiu algo gelado atravessar o peito.

"Repita."

"Não deixe o homem da cadeira encontrar a porta."

"Quando ela começou a dizer isso?"

"Não sei. Talvez dois anos atrás."

Dante encarou Isabela.

Dois anos.

Na época do atentado.

Antes daquele tiro, ele não era o homem da cadeira.

Naquela noite, Dante levou Isabela até a ala leste.

Era a primeira vez que entrava ali em meses.

Bruno os acompanhou.

O escritório de Marcelo Montenegro permanecia quase intocado.

Dante abriu gavetas.

Armários.

Caixas.

Nada.

Até Isabela notar uma pequena abertura metálica na lateral de um antigo móvel.

"Dante."

Ele olhou.

Ela apontou.

O buraco tinha exatamente o tamanho da chave.

Dante colocou a prata na fechadura.

Girou.

Um clique ecoou.

Uma gaveta secreta abriu.

Dentro havia apenas um envelope.

Dante retirou uma fotografia.

Sua expressão mudou.

Na imagem, Marcelo Montenegro estava muito mais jovem.

Ao lado dele havia uma mulher.

Isabela levou a mão à boca.

"Mãe?"

Era Helena.

Dante virou a fotografia.

No verso, a letra de seu pai formava uma única frase:

"Se alguma coisa acontecer comigo, confie nela."

Isabela ergueu os olhos.

Dante já estava olhando para ela.

Sua mãe não apenas conhecera Marcelo Montenegro.

Marcelo confiara nela.

E alguém havia passado dois anos garantindo que Dante jamais descobrisse isso.

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