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"A Empregada Que Fez o Chefe da Máfia Sorrir Depois de Dois Anos" Capítulo 1 — A Noite em Que Ele Sorriu

正文开头

A primeira vez que Isabela Oliveira Martins adormeceu ao lado de Dante Montenegro, ainda segurava um pano de limpeza entre os dedos.

Ela estava acordada havia mais de vinte horas.

O joelho esquerdo latejava sob a calça escura do uniforme, as costas ardiam e seus dedos estavam ressecados pelos produtos de limpeza que usara durante o dia inteiro.

Mesmo assim, Isabela continuava trabalhando.

Parar não era uma opção.

Naquela manhã, servira café e pão na chapa em uma pequena lanchonete na Vila Mariana. À tarde, limpara dois escritórios na Avenida Paulista.

À noite, atravessara São Paulo para assumir um turno extra na Mansão Montenegro, no Jardim Europa.

O pagamento era alto demais para recusar.

Para Dante Montenegro, aquele dinheiro provavelmente não pagava uma garrafa do vinho guardado na adega.

Para Isabela, podia significar mais alguns dias de tranquilidade no Residencial Santa Cecília, onde sua mãe vivia desde que um AVC destruíra parte de sua fala e começara a levar também suas memórias.

Por isso, quando Teresa Montenegro a observou mancando pelo corredor naquela primeira noite, Isabela fingiu que não sentia nada.

Teresa não comentou o joelho.

Tinha coisas mais importantes para explicar.

"Não olhe para a cadeira."

Isabela franziu a testa.

"Que cadeira?"

Teresa lançou-lhe um olhar severo.

"A cadeira de rodas do meu filho."

"Eu não pretendia."

"Não tente empurrá-la."

"Não vou."

"Não pergunte se ele precisa de ajuda."

"Está bem."

"E nunca diga que ele vai voltar a andar."

Isabela ficou em silêncio por um instante.

"Mais alguma coisa?"

Teresa aproximou-se.

"Não fale em milagres. Não conte histórias de pessoas que voltaram a andar depois de vinte anos. Não fale em tratamentos experimentais. E, pelo amor de Deus, nunca comece uma frase com 'o senhor já tentou...'"

Isabela piscou.

"Isso aconteceu muitas vezes?"

"Mais do que deveria."

Teresa indicou a escada.

"Ele está no quarto."

Isabela olhou para cima.

"E as funcionárias anteriores?"

Teresa respirou fundo.

"A última durou três dias."

"Por quê?"

"Perguntou se podia rezar pelas pernas dele."

"E ele fez o quê?"

"Demitiu a mulher antes que ela terminasse a oração."

Isabela apertou o cabo do balde.

"Entendi."

"Não. Ainda não entendeu."

Teresa olhou diretamente para ela.

"Dante Montenegro não gosta de piedade."

Isabela subiu.

Só quando chegou ao segundo andar percebeu que dois homens armados estavam posicionados no corredor.

Nenhum deles parecia segurança comum.

Um abriu a porta.

Isabela entrou.

O quarto era maior que o apartamento onde morava.

Janelas enormes mostravam São Paulo iluminada sob uma chuva fina. Havia móveis escuros, obras de arte, uma lareira apagada e uma cama que parecia grande demais para uma pessoa só.

Perto da janela estava Dante Montenegro.

Isabela já tinha ouvido histórias sobre ele.

Todo mundo em São Paulo parecia ter ouvido.

Empresário.

Dono do Grupo Montenegro.

Homem ligado a portos, transportadoras, casas noturnas e negócios sobre os quais pessoas inteligentes não faziam perguntas.

Mas nenhuma história mencionava o silêncio.

正文1

Dante estava imóvel em uma cadeira de rodas preta.

Terno escuro.

Camisa aberta no primeiro botão.

Cabelos negros penteados para trás.

O rosto era duro, bonito e cansado.

Ele não olhou para Isabela.

"Você é a nova?"

"Sou."

"Nome."

"Isabela."

"Quanto tempo pretende durar?"

Ela colocou o balde no chão.

"Até terminar o turno."

Dante levantou os olhos.

Foi a primeira vez que realmente a observou.

"Não foi isso que perguntei."

"Foi a resposta que eu tenho."

Por alguns segundos, nenhum dos dois falou.

Então Dante voltou a olhar para o tablet.

Isabela começou a trabalhar.

Ela trocou roupas de cama.

Limpou os móveis.

Organizou livros.

Poliu uma mesa que provavelmente custava mais do que tudo que havia dentro de seu apartamento.

Quase uma hora depois, ouviu a voz dele.

"Você está mancando."

Isabela continuou limpando.

"Estou?"

"Não me faça repetir."

Ela olhou para o próprio joelho.

"Lesão antiga."

"Como aconteceu?"

"Acidente de carro."

"Quando?"

"Quatro anos atrás."

Dante continuou olhando.

Isabela suspirou.

"Um caminhão acertou meu carro. Rompi um ligamento. Fiz cirurgia. Quando fico muito tempo em pé, meu joelho reclama."

"Então sente."

Ela ergueu os olhos.

"O quê?"

"Sente."

"Eu estou trabalhando."

"E eu estou mandando."

Isabela hesitou.

Dante apontou para o sofá.

Ela finalmente se sentou.

"Obrigada."

"Não fiz por você."

"Claro."

"Ver você andando desse jeito está me irritando."

Isabela quase sorriu.

Cinco minutos depois, levantou novamente.

Dante percebeu.

"Você é péssima em obedecer."

"Sou paga para limpar."

"Você é paga por hora."

"Isso não significa que eu deva roubar uma."

Dante ficou em silêncio.

Pessoas roubavam dele constantemente.

Dinheiro.

Informações.

Mercadorias.

Lealdade.

Às vezes, roubavam simplesmente porque acreditavam que um homem preso a uma cadeira não perceberia.

Aquela mulher, porém, parecia preocupada em roubar cinco minutos de descanso.

Pouco depois da meia-noite, Dante ouviu um som.

Olhou para Isabela.

Ela continuou limpando.

O som veio novamente.

Dante estreitou os olhos.

"Quando você comeu?"

"Eu comi."

"Quando?"

"Ontem."

"Isso não é uma resposta."

"Foi quando eu comi."

Dante pegou o celular.

"Traga comida para o meu quarto."

Isabela virou-se imediatamente.

"Não."

Ele levantou uma sobrancelha.

"Não?"

"Eu não preciso."

"Seu estômago discorda."

"Posso comer quando sair."

"Quando? Amanhã à noite?"

"Senhor Montenegro..."

"Dante."

Ela parou.

Ele pareceu irritado consigo mesmo.

"Não importa."

Poucos minutos depois, um funcionário entrou com sopa, pão, carne grelhada e frutas.

Isabela encarou a bandeja.

"Eu não posso aceitar."

"Pode."

"Isso é demais."

"Se você desmaiar, pode quebrar alguma coisa cara."

Isabela olhou para o chão de mármore.

"O piso?"

Por um instante, o canto da boca de Dante quase se moveu.

Quase.

Isabela comeu.

Depois voltou ao trabalho.

Às duas da manhã, a mansão estava completamente silenciosa.

Foi então que ela percebeu as mãos de Dante.

Ele apertava os braços da cadeira com tanta força que os nós dos dedos estavam brancos.

Seu rosto não demonstrava quase nada.

Mas Isabela conhecia dor.

正文2

Ela não perguntou se ele estava bem.

Não ofereceu ajuda.

Apenas caminhou até o interruptor e diminuiu a intensidade das luzes.

Depois continuou limpando em silêncio.

Dante a observou.

"Por que fez isso?"

"Isso o quê?"

"As luzes."

"Estavam fortes."

"Não estavam."

Isabela voltou a passar o pano.

"Agora estão melhores."

Ele percebeu que ela sabia.

E percebeu também que não falaria sobre aquilo.

Às duas e dezessete, Isabela sentou-se novamente.

Dessa vez, apenas para descansar um minuto.

Às duas e dezoito, seu corpo desistiu.

Sua cabeça caiu lentamente para o lado.

O ombro encostou na perna de Dante.

Depois seu rosto repousou sobre a coxa dele.

Dante congelou.

Durante dois anos, todos que o tocavam faziam isso como se ele pudesse quebrar.

Médicos.

Enfermeiros.

Fisioterapeutas.

Até sua própria família.

Isabela simplesmente havia desabado sobre ele.

Sem medo.

Sem pena.

Sem cuidado especial.

Dante baixou os olhos.

Uma mecha de cabelo castanho cobria parte do rosto dela.

Lentamente, ele levantou a mão.

Afastou aquela mecha.

E sorriu.

Foi quase imperceptível.

Mas Bruno Almeida viu.

O segurança estava parado na porta.

Dante percebeu.

Seu sorriso desapareceu.

"Se contar isso para alguém, mando enterrar você debaixo da piscina."

Bruno olhou pela janela.

"Você não tem piscina."

"Eu construo uma."

Bruno conteve um sorriso.

Então seu rosto ficou sério.

"Temos um problema."

Dante olhou para Isabela.

"Fale."

"Porto de Santos."

Dante ficou imóvel.

"Uma carga desapareceu."

"Quem autorizou?"

"É exatamente esse o problema."

Bruno mostrou o tablet.

"O código veio daqui."

Dante leu.

"Da mansão?"

"Da ala leste."

O olhar dele mudou.

A ala leste guardava documentos que pertenciam ao seu pai.

"Quando?"

Bruno hesitou.

"Onze minutos depois que a nova empregada entrou."

Dante olhou para Isabela.

Toda a suavidade desapareceu.

Então algo brilhou entre os dedos dela.

Uma pequena chave de prata.

Dante parou de respirar por um segundo.

Ele conhecia aquela chave.

A última vez que a vira fora dois anos antes.

Na noite em que uma bala atravessara seu corpo.

Dante levantou os olhos para Bruno.

"Descubra quem colocou essa mulher dentro da minha casa."

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