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"A Empregada de Pulso Quebrado do Chefe da Máfia" Capítulo 8 — O Monstro Que Ela Decidiu Defender

正文开头

A Polícia Civil chegou antes do conselho.

Dante foi informado de que deveria prestar depoimento sobre cárcere privado, coação e operações ilegais registradas em seu nome.

“É exatamente o que Marcelo queria”, Bruno disse.

“Então não ofereça resistência”, Dante respondeu.

Isabela desceu a escada quando dois agentes se aproximaram dele.

“Digam que eu podia sair.”

Rafael segurou seu braço.

“Agora não. Qualquer declaração precipitada compromete a operação para salvar João.”

Dante entregou o telefone e deixou a mansão sem algemas. As câmeras registraram tudo.

Horas depois, Marcelo assumiu a reunião emergencial no Itaim Bibi.

“Dante colocou todo o grupo em risco por causa de uma empregada”, declarou. “Fechou a casa, ameaçou diretores e mobilizou homens armados para esconder o que ela descobriu.”

Teresa assistia à transmissão com Helena. Isabela permanecia de pé, o falso livro preto junto ao corpo.

“Ele está vencendo”, Helena disse.

“Ainda não.”

Isabela pediu a Rafael que chamasse a imprensa. O advogado se opôs, mas ela insistiu em falar sem Dante presente.

Diante dos portões, dezenas de microfones se ergueram.

“Meu nome é Isabela Oliveira Martins. Eu não fui presa por Dante Montenegro.”

As perguntas explodiram.

Ela levantou a mão imobilizada.

“Este pulso foi quebrado dentro da mansão. Dante interrompeu uma reunião quando percebeu, chamou uma médica e garantiu meu salário. O homem que aparece na televisão fingindo me defender é o homem que me atacou.”

“Está acusando Marcelo Ferraz?”

“Sim. Ele me empurrou, pisou na minha mão e ameaçou minha mãe.”

“Dante mandou você dizer isso?”

“Dante pediu que eu ficasse em silêncio para não correr perigo. Estou aqui porque passei a vida inteira vendo homens ricos decidirem quando uma mulher pobre pode falar. Hoje eu decido.”

A declaração se espalhou pelo país.

Na delegacia, Dante assistiu ao vídeo pelo televisor da sala de espera.

Pela primeira vez, não conseguiu esconder a emoção.

Camila entrou com o livro verdadeiro lacrado.

“A perícia confirmou anotações de Marcelo e registros que antecedem sua presidência. Você será liberado, mas continua investigado.”

“Isabela está segura?”

“Ela acabou de enfrentar quarenta jornalistas. Acho que a pergunta correta é se Marcelo está seguro.”

Dante voltou à mansão depois da meia-noite. Encontrou Isabela sozinha na sala de jantar.

“Você não precisava me defender.”

“Eu não defendi o chefe da máfia. Defendi o homem que acreditou em mim quando todos viram uma ladra.”

“Talvez eles estejam certos sobre mim.”

“Sobre os crimes?”

“Sobre ser um monstro.”

Isabela se aproximou.

“Monstros não entregam as próprias provas à polícia.”

“Também não herdam impérios construídos sobre cadáveres?”

“O senhor não escolheu o que herdou. Vai escolher o que fará agora.”

Dante tocou de leve a lateral da tala, sem pressionar o ferimento.

“Quando vi sua mão naquela noite, percebi que alguém dentro da minha casa acreditava ter poder para quebrar você e obrigá-la a servir o jantar.”

“E isso o ofendeu porque era sua casa?”

“Não. Porque você achou que precisava aceitar.”

正文1

Isabela ergueu o rosto.

O beijo aconteceu devagar, como uma pergunta que nenhum dos dois tinha coragem de dizer. Ela poderia ter recuado.

Não recuou.

O telefone de Dante tocou antes que pudessem falar.

Bruno avisou que o local da troca havia sido enviado. Um estacionamento abandonado perto da Marginal Pinheiros.

“Marcelo quer Isabela sozinha”, Bruno disse.

“Prepare as equipes”, Dante ordenou.

Pouco depois, um alerta do sistema de segurança apareceu no tablet.

Alguém enviara a Marcelo o trajeto secreto, os veículos e a posição dos policiais.

O acesso partira do aparelho de Bruno.

Dante o chamou ao escritório e colocou a tela diante dele.

“Entregue sua arma.”

Bruno não discutiu. Retirou a pistola e a deixou sobre a mesa.

Isabela entrou no momento em que dois seguranças cercavam o homem.

“O que aconteceu?”

“Ele passou nosso plano a Marcelo”, Dante respondeu.

Bruno olhou para Isabela.

“Se me prender agora, seu pai morre antes do amanhecer.”

“Por quê?”

“Porque Marcelo só me contou onde João está depois que acreditou que eu tinha traído Dante.”

Antes daquela descoberta, a fala de Isabela à imprensa produzira outra consequência. Três funcionárias antigas procuraram Rafael. Uma vira Marcelo retirando caixas do arquivo de Augusto. Outra guardara uma escala alterada na noite em que um contador desaparecera.

As mulheres haviam ficado caladas pelo mesmo motivo que Isabela:

salário, filhos e medo.

“Ele escolhia quem ninguém escutaria”, Isabela disse.

“Até escolher você”, Dante respondeu.

No conselho, dois diretores retiraram apoio a Marcelo. Ele ainda tinha votos para afastar Dante, mas já não controlava a narrativa.

Marcelo reagiu divulgando extratos de empresas ilegais ligados a Dante.

Camila confirmou que parte era autêntica.

“Mesmo que Marcelo tenha armado tudo, você assinou operações sem verificar”, ela disse.

“Se houver uma pena, eu cumpro. Primeiro tiramos João de lá.”

Isabela compreendeu que defendê-lo não significava considerá-lo inocente de tudo. Significava acreditar que ele podia interromper o que antes aceitara.

Após o beijo, Dante prometeu não usar a relação para exigir silêncio.

“Se descobrir algo contra mim, entregue à polícia.”

“Mesmo que destrua seu império?”

“Principalmente se destruir o que precisa ser destruído.”

Camila interrogou as ex-funcionárias naquela mesma madrugada. Uma delas, Rosângela, reconheceu o brasão dos Ferraz no anel de Marcelo e afirmou que o vira pressionar o objeto contra o carrinho de prata anos antes.

“Abriu um compartimento”, contou. “Depois me demitiu porque eu estava no corredor.”

A revelação ligava o anel à segunda gravação mencionada por João.

Enquanto isso, Helena recebeu alta e recusou permanecer na mansão.

Isabela apoiou a decisão. Dante ofereceu um apartamento protegido pela polícia, sem relação com empresas Montenegro.

“Desta vez, estou oferecendo. Não decidindo”, disse.

Helena aceitou.

No conselho, Marcelo perdeu mais um voto quando Rafael apresentou a denúncia das funcionárias. Mesmo assim, adiou a votação até o dia seguinte, alegando que Dante intimidara testemunhas.

Esse atraso era o que ele realmente queria. Precisava de tempo para mover João e destruir a gravação.

Bruno mostrou a Isabela mensagens em que fingia negociar com Marcelo. O plano de infiltração existia desde o desaparecimento de Helena, mas apenas Camila sabia.

“Por que não contou a Dante?”

“Porque Marcelo observa cada reação dele quando seu nome aparece. Para enganá-lo, Dante precisava acreditar que eu podia ter traído.”

Isabela compreendeu, mas não aprovou.

“Depois de salvar meu pai, todos vão parar de decidir o que posso suportar.”

Bruno concordou.

Minutos depois, o falso vazamento partiu de seu telefone e Dante exigiu sua arma. O teatro chegara ao ponto mais perigoso: para manter a confiança de Marcelo, Bruno teria de parecer culpado diante do homem a quem servira por quinze anos.

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