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"A Empregada de Pulso Quebrado do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — Seu Pai Também Tentou Abrir Aquela Porta

正文开头

O portão enferrujado da propriedade em Atibaia cedeu na terceira tentativa.

Dante entrou primeiro. Bruno o acompanhava com a arma baixa, enquanto Isabela apertava a chave encontrada na máquina de costura da mãe.

Casa 3 não era uma residência. Era um depósito escondido atrás de um casarão abandonado, cercado por eucaliptos e mato alto.

“Minha mãe vinha aqui?”, Isabela perguntou.

“Vamos descobrir”, Dante respondeu.

A chave abriu uma porta lateral. O interior cheirava a madeira úmida.

Havia uma mesa, um gravador antigo e caixas marcadas com datas de dezoito anos antes.

Nenhum sinal de Helena.

Isabela abriu a primeira caixa. Encontrou fotografias do porto de Santos, cópias de manifestos e folhas cobertas pela letra do pai.

“Ele esteve aqui.”

Bruno examinou uma janela quebrada.

“E alguém voltou recentemente. Há pegadas novas.”

Dante encontrou uma fita cassete dentro de um envelope. Na frente, João escrevera: PARA HELENA, SE EU NÃO VOLTAR.

O gravador ainda funcionava com pilhas encontradas numa gaveta.

A voz de João encheu o depósito.

“Helena, se você está ouvindo isto, falhei em voltar para casa. Os

números não mentem. Alguém usa as cargas dos Montenegro para desviar dinheiro e transportar mercadoria que Augusto nunca autorizou.”

Isabela cobriu a boca.

Ela mal lembrava a voz do pai. Agora ele falava a poucos metros dela, separado por dezoito anos.

“As provas estão no livro preto. Não confie nos relatórios assinados por Marcelo Ferraz. Ele sabe mais do que admite.”

Dante interrompeu a gravação.

“Marcelo tinha vinte e cinco anos.”

“Idade suficiente para mentir sobre meu pai”, Isabela respondeu.

Bruno abriu outra caixa. Estava vazia, mas a poeira mostrava o contorno de um objeto retangular.

“O livro ficou aqui antes de ser levado para a mansão.”

Isabela confirmou. A parede falsa poderia ter sido escolhida por João porque ficava perto do antigo escritório de Augusto.

O celular de Bruno vibrou. A equipe técnica recuperara mais quatro segundos das imagens apagadas.

Ele abriu o vídeo.

Isabela aparecia no chão do corredor. Marcelo segurava seus cabelos com uma mão. Com a outra, tentava arrancar o livro debaixo do corpo dela.

O áudio estava falho, mas uma frase permanecia clara:

“Seu pai também tentou abrir aquela porta.”

Dante assistiu duas vezes.

Na terceira, fechou o tablet.

“Agora temos a agressão e a ameaça.”

“Ainda não temos minha mãe.”

Isabela virou-se para ele.

“Se seus homens atacarem Marcelo, Helena morre.”

“Eu não disse que atacaria.”

“Não precisa dizer. Todos sabem quem o senhor é.”

Dante se aproximou, mas manteve distância do braço machucado.

“E quem você acha que eu sou?”

“Um homem que consegue fechar uma mansão inteira com uma mensagem.”

“Naquela noite, fechar os portões manteve Marcelo perto de nós.”

“Também fez com que ele levasse minha mãe.”

A culpa apareceu nos olhos de Dante antes de ele escondê-la.

“Se eu pudesse voltar, teria tirado vocês duas da cidade antes de confrontá-lo.”

“Homens poderosos sempre descobrem a prudência depois que outra pessoa paga o preço.”

正文1

Dante aceitou o golpe em silêncio.

Bruno encontrou um fundo falso sob a mesa. Dentro havia uma fotografia de Augusto, João e um terceiro homem mais velho: Álvaro Ferraz, pai de Marcelo.

No verso, João escrevera:

Álvaro controla as notas. Marcelo controla as câmeras.

O esquema começara numa geração e continuara na seguinte.

Um ruído veio do lado de fora.

Bruno apagou a luz. Dante puxou Isabela para trás de uma parede enquanto dois homens entravam pela porta dos fundos.

“Procurem a fita”, um deles ordenou.

Dante esperou que avançassem. Bruno derrubou o primeiro. O segundo tentou fugir, mas encontrou Dante na saída.

O homem foi imobilizado sem que nenhum tiro fosse disparado.

No telefone dele havia mensagens de Marcelo:

PEGUEM A GRAVAÇÃO. NÃO ENCOSTEM NA MULHER.

Isabela leu e soltou uma risada amarga.

“Ele já quebrou minha mão. Agora está preocupado comigo?”

“Está preocupado com o que sua morte provocaria”, Dante respondeu.

A delegada Camila Azevedo enviou uma equipe para prender os invasores.

Um deles aceitou falar em troca de proteção.

“A mulher está no porto”, contou. “Marcelo quer o livro até amanhã.”

“Em qual armazém?”, Isabela perguntou.

“Eu não sei. Mas ouvi dizer que ela não está sozinha.”

Dante tornou a ligar o gravador. Restavam poucos minutos de fita.

A voz de João ficou mais baixa.

“Helena, não deixe nossa filha acreditar que fui ladrão. E, se disserem que encontraram meu corpo, não acredite. O carro foi preparado antes. Se eu conseguir sair de Santos, vou desaparecer até poder voltar com provas.”

Isabela agarrou a mesa.

“Ele sabia que o acidente seria forjado.”

No instante seguinte, o celular de Bruno recebeu uma fotografia enviada de um número desconhecido.

Helena estava amarrada a uma cadeira num armazém. Atrás dela havia um homem magro, de cabelos brancos e uma cicatriz perto da sobrancelha.

Isabela reconheceu a cicatriz da fotografia antiga.

“É meu pai.”

Uma mensagem surgiu abaixo da imagem:

O LIVRO PELOS DOIS. AMANHÃ, AO AMANHECER.

Rafael examinou o aparelho usado para enviar a foto. O horário registrado provava que Helena e João estavam juntos havia pelo menos duas horas. No reflexo de uma janela, Bruno identificou guindastes do cais norte e um caminhão com a marca Horizonte Azul.

Camila ordenou buscas discretas nas empresas ligadas ao nome. Não podiam invadir os galpões sem confirmar o endereço, pois Marcelo poderia executar os reféns ao primeiro sinal de polícia.

Isabela sentou-se no chão do depósito, cercada pelas caixas do pai.

Encontrou desenhos que fizera quando criança e cartas nunca enviadas.

João guardara até uma fita vermelha usada por ela numa apresentação escolar.

“Ele planejava voltar”, disse.

Dante se sentou ao lado dela, sem tocar em seu braço.

“Sim.”

“Então por que ninguém o deixou?”

“Porque homens da minha família acreditavam que esconder uma pessoa era o mesmo que salvá-la.”

Isabela olhou para ele.

“E o senhor acredita?”

“Acreditei por muito tempo. Agora vejo o preço.”

Ela entregou a fita a Camila, não a Dante. Ele aceitou sem protestar.

Aquela pequena escolha mostrou que, pela primeira vez, um Montenegro não exigiria ser dono da prova.

Antes de partirem, Bruno encontrou sangue seco junto à porta dos fundos.

O laboratório confirmou depois que pertencia a João. Ele estivera em Atibaia recentemente, tentando alcançar a gravação antes de ser recapturado.

O pai de Isabela não era apenas um refém.

Ainda estava lutando.

Camila ampliou a fotografia e identificou uma placa de segurança ao fundo. O símbolo pertencia a um terminal desativado do porto, mas havia quatro galpões iguais. Marcelo tivera o cuidado de não revelar qual deles.

O prisioneiro contou que recebera dinheiro por meio da empresa Horizonte Azul. Dante reconheceu o nome: ela vencera três contratos assinados por ele, sempre com parecer favorável de Marcelo.

Nas caixas, Rafael encontrou comprovantes de depósitos feitos a Helena durante seis anos. Aquilo provava que alguém dos Montenegro ajudara João e que Marcelo acompanhara a família por tempo suficiente para saber onde Helena morava.

Isabela ouviu novamente a fita. Perto do fim, havia números abafados.

Bruno limpou o áudio: três, doze, sete.

“Pode ser um endereço interno do cais.”

Dante proibiu que mencionassem a descoberta por telefone. Se Marcelo controlara câmeras durante dezoito anos, poderia controlar comunicações.

Na volta, Isabela perguntou por que Augusto não entregara Álvaro Ferraz à polícia.

“Meu pai acreditava que a lei só funcionava para quem não tinha poder”,

Dante respondeu.

“E foi assim que o problema chegou até nós.”

Ele não ofereceu desculpas. Prometeu apenas escolher diferente.

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