"A Empregada de Pulso Quebrado do Chefe da Máfia" Capítulo 3 — O Livro Atrás da Parede
“Onde está o livro?”
Dante fez a pergunta pela terceira vez.
Isabela permaneceu de pé diante da mesa. A madrugada já havia terminado, mas ninguém na mansão parecia autorizado a sentir cansaço.
“Eu não sei.”
“Você apareceu carregando o livro.”
“Depois eu o deixei cair.”
“Onde?”
“Não lembro.”
Dante fechou a ficha funcional.
“Você se lembra do horário, do corredor e da queda. Só não se lembra de um livro com as iniciais do seu pai.”
Isabela ergueu o queixo.
“Meu pai morreu quando eu tinha onze anos. Qualquer um pode ter essas iniciais.”
“E Marcelo pode ter ido à ala de serviço às seis e quarenta e sete por coincidência.”
Ela não respondeu.
Dante contornou a mesa.
“Eu consigo proteger você se me disser a verdade.”
“Foi isso que homens como o senhor disseram ao meu pai?”
A pergunta o fez parar.
“O que sabe sobre mim?”
“O bastante para saber que proteção sempre tem preço.”
“E mentir para mim também.”
Bruno entrou trazendo um tablet.
“Encontramos o ponto onde ela apareceu pela primeira vez. Há uma parede falsa atrás de um armário de rouparia.”
Os três seguiram para o corredor antigo. Teresa Almeida, a governanta, aguardava junto ao móvel retirado.
Atrás dele havia uma abertura estreita e marcas recentes na madeira.
Isabela sentiu o coração acelerar.
Na manhã anterior, Marcelo mandara que ela limpasse aquele lugar. Ao mover o armário, ela encontrara a tábua solta e o livro escondido.
Antes que pudesse abri-lo, ouvira passos.
Agora, o esconderijo estava vazio.
“Quem conhecia esta passagem?”, Dante perguntou.
Teresa tocou a parede com a ponta dos dedos.
“Seu pai usava esta ala quando recebia documentos do porto. Foi fechada depois da morte dele.”
“Marcelo sabia?”
“Marcelo conhece esta casa desde menino.”
Isabela olhou para a governanta.
“A senhora já viu um livro preto aqui?”
Teresa demorou um pouco demais.
“Não.”
Dante percebeu a hesitação, mas um funcionário apareceu correndo.
“Senhor Dante, a polícia chegou.”
“Quem chamou?”
“Não disseram.”
Dois investigadores aguardavam no hall com um mandado de busca. A denúncia anônima afirmava que uma joia da família havia sido roubada durante o jantar.
Marcelo surgiu no alto da escada.
“Que joia?”
Teresa verificou o cofre da senhora Montenegro e voltou sem cor no rosto.
“O colar de esmeraldas. Sumiu.”
A busca começou pelos quartos e áreas dos funcionários. Isabela acompanhou tudo em silêncio até um policial abrir seu armário.
O colar estava dentro de uma sacola, sob seus sapatos.
Marcelo desceu lentamente.
“Então era isso que ela escondia.”
“Eu nunca vi esse colar”, Isabela disse.
Um investigador retirou as algemas.
“A senhora precisa nos acompanhar.”
Dante entrou entre os dois.
“Ela não sai daqui algemada.”
“Temos uma joia avaliada em mais de dois milhões de reais no armário dela.”
“E uma denúncia feita minutos depois de eu bloquear os portões.”
Marcelo abriu os braços.
“Dante, está na frente de todos. Ela roubou a família.”
Isabela olhou para ele.
“Foi o senhor.”
“Cuidado com a acusação.”
“Foi o senhor que mandou que eu viesse cedo. Foi o senhor que me levou até aquele corredor.”
O hall inteiro ficou imóvel.
Dante virou-se para ela.
“Continue.”
Isabela sentiu o medo apertar sua garganta. Dizer mais colocaria Helena em perigo.
“Eu só encontrei a parede aberta.”
Marcelo sorriu.
“E resolveu roubar o que estava lá dentro.”
“Chega”, Dante disse. “Bruno, chame Rafael Nogueira. Agora.”
“Um advogado não apaga a joia do armário”, Marcelo retrucou.
“Nem prova quem a colocou lá.”
Dante permitiu que a polícia levasse o colar, mas não Isabela. Rafael chegou quarenta minutos depois e apresentou as inconsistências da denúncia.
Sem flagrante presenciado e com dúvidas sobre a cadeia de acesso ao armário, Isabela prestaria depoimento acompanhada do advogado.
Marcelo se aproximou dela quando os outros se afastaram.
“Você deveria ter ido embora enquanto ainda podia.”
Isabela segurou o pulso imobilizado.
“Foi o senhor que fez isso.”
“Prove.”
Dante apareceu antes que Marcelo pudesse sair.
“O que ela precisa provar?”
“Que não é ladra.”
“Engraçado. Pensei que estivesse falando do pulso.”
Por um instante, o rosto de Marcelo se tornou vazio.
Depois ele sorriu.
“Você está deixando uma empregada virar a casa contra mim.”
“Não. Você está fazendo isso sozinho.”
Bruno analisou as câmeras do vestiário. Uma figura de uniforme escuro entrara pela porta lateral às 8h13, mas o boné escondia o rosto.
O crachá usado pertencia a um segurança de folga.
Alguém com acesso interno havia plantado a joia.
Rafael pediu que ninguém tocasse no armário até a perícia recolher impressões. Marcelo protestou, dizendo que a polícia já tinha o necessário, mas Dante ordenou que a área fosse isolada.
No interior da porta, os peritos encontraram uma marca parcial de luva coberta por um pó cinza. Bruno recolheu uma amostra semelhante no corredor da parede falsa.
“Cimento refratário”, explicou. “É usado nos depósitos antigos do porto. Não existe em nenhuma obra desta casa.”
Marcelo ouviu a conclusão da escada.
“Centenas de funcionários passam pelos depósitos”, disse. “Isso não liga ninguém ao colar.”
“Mas liga a pessoa que abriu o armário ao porto”, Rafael respondeu.
Teresa também examinou o livro de registros dos empregados. A assinatura que autorizara Isabela a entrar às seis e meia parecia ser dela, mas a governanta negou ter escrito.
“Eu estava na missa das seis”, afirmou. “Cheguei à mansão depois das sete e meia.”
Isabela reconheceu então a caneta usada no formulário. A tinta azul-esverdeada era a mesma com que Marcelo costumava assinar pagamentos.
Dante comparou os documentos. Marcelo alegou que qualquer pessoa poderia ter usado sua caneta, mas guardou-a depressa no bolso.
Cada resposta criava outra rachadura em sua versão.
Ainda assim, faltava a prova capaz de destruí-lo.
Isabela observou Dante guardar as cópias numa pasta lacrada. Pela primeira vez, percebeu que ele não estava tentando apenas protegê-la.
Estava desmontando, peça por peça, a autoridade do homem que controlara sua vida dentro da mansão.
Isso deveria tranquilizá-la.
Em vez disso, aumentou seu medo. Marcelo Ferraz era mais perigoso quando perdia poder.
Enquanto isso, Teresa voltou sozinha ao corredor antigo. Abriu uma gaveta secreta no armário de roupas e retirou uma fotografia amarelada.
Na imagem, três homens estavam diante de um armazém no porto de Santos.
O primeiro era Augusto Montenegro, pai de Dante.
O segundo era um homem jovem cujo rosto se parecia com o de Isabela.
No verso, uma frase fora escrita à mão:
Augusto, João e Marcelo. Santos, 2008.
Teresa levou a fotografia ao escritório.
Isabela a tomou com a mão direita.
“É meu pai.”
“Tem certeza?”, Dante perguntou.
“Esta cicatriz perto da sobrancelha. Eu lembro.”
Dante apontou para o terceiro homem.
Marcelo tinha vinte e poucos anos, mas não havia dúvida.
“Ele conhecia João”, Teresa disse. “E estava mentindo quando fingiu não reconhecer as iniciais.”
Isabela virou a foto.
Havia outra frase sob a primeira, escrita com tinta diferente:
Se João falar, todos nós cairemos.
Ela levantou os olhos para Dante.
“O que sua família fez com meu pai?”
Dante não respondeu.
Porque, pela primeira vez, também precisava saber.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4