"A Empregada de Pulso Quebrado do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — Ninguém Sai Desta Casa
“Isso não foi uma queda.”
A frase da doutora Camila Nogueira fez Isabela apertar os dedos da mão direita contra o sofá do escritório.
A médica havia retirado as colheres de pau, cortado a fita e imobilizado o pulso com uma tala apropriada. Mesmo depois do analgésico, a dor ainda pulsava.
Dante permaneceu diante da janela. Bruno estava junto à porta. Isabela não sabia havia quanto tempo os dois observavam cada reação sua.
“Tem certeza?”, Dante perguntou.
Camila apontou para as manchas próximas aos dedos.
“A fratura pode ter acontecido numa queda. Estas marcas, não. Alguém segurou ou pressionou a mão dela depois do impacto.”
Isabela sentiu o ar desaparecer.
“Eu bati no degrau.”
“Com cinco marcas separadas?”, Camila perguntou. “Uma escada não tem dedos.”
Dante se virou.
“Quem encostou em você?”
“Ninguém.”
“Isabela.”
“Eu já respondi.”
O desafio surpreendeu até ela. Dante se aproximou, mas parou antes de invadir seu espaço.
“E eu já disse que você não perderá o emprego.”
“O senhor pode garantir meu emprego. Não pode garantir tudo.”
Os olhos dele se estreitaram.
“O que eu não posso garantir?”
Isabela pensou em Helena sozinha no apartamento da Vila Mariana. Pensou no sapato de Marcelo esmagando sua mão e na ameaça dita sem pressa.
“Nada. Eu me expressei mal.”
Camila fechou a maleta.
“Ela precisa de radiografia e avaliação ortopédica hoje. Vou levá-la ao Hospital São Gabriel.”
“Bruno vai com vocês”, Dante decidiu.
“Não preciso de segurança.”
“Não é um pedido.”
Isabela levantou-se.
“Então isto é uma prisão?”
Dante sustentou o olhar dela.
“Se fosse, você não teria perguntado.”
Antes que saíssem, Bruno recebeu uma mensagem. Leu a tela e ficou imóvel.
“O que foi?”, Dante perguntou.
“Alguém apagou sete minutos das câmeras do corredor de serviço. Das seis e cinquenta às seis e cinquenta e sete.”
Camila olhou para Isabela.
Dante não desviou os olhos dela.
“Quem tinha acesso?”
“Eu, o senhor e Marcelo.”
Do corredor veio o som de passos. Marcelo entrou sem bater.
“Por que os portões estão bloqueados? Meus motoristas não conseguem sair.”
Ele parou ao ver o pulso imobilizado de Isabela.
“A médica confirmou a fratura”, Dante respondeu.
“Lamento muito. Posso autorizar alguns dias de licença.”
“Que generoso”, Camila disse.
Marcelo ignorou a ironia.
“Mas não há razão para manter vinte pessoas presas nesta casa.”
Dante caminhou até ele.
“Sete minutos de gravação desapareceram.”
Marcelo piscou uma vez.
“Problema técnico.”
“Bruno não chamou de problema técnico.”
“Então Bruno precisa cuidar melhor do sistema.”
O segurança deu um passo à frente, mas Dante levantou a mão.
“Revogue o acesso administrativo de Marcelo”, Dante ordenou.
Bruno digitou o comando diante dele. Pela primeira vez desde que entrara para o Grupo Montenegro, Marcelo viu seu nome desaparecer da lista de homens autorizados a abrir qualquer porta daquela propriedade.
“Vai se arrepender desta humilhação.”
“Se eu estiver errado, devolvo suas chaves. Se estiver certo, chaves serão a menor coisa que você perderá.”
“Ninguém sai até eu saber o que aconteceu.”
Marcelo riu sem humor.
“Vai interromper operações de milhões por causa de uma empregada?”
“Não. Vou interromper porque alguém apagou imagens dentro da minha casa.”
Marcelo encarou Isabela.
“Talvez ela mesma tenha feito isso.”
“Ela não tem acesso ao sistema”, Bruno respondeu.
“Talvez tenha ajuda.”
Isabela se levantou.
“O senhor está me acusando de quê?”
“Eu só acho curioso que uma funcionária chegue antes do horário, se machuque numa área restrita e depois minta sobre o que aconteceu.”
“Chega”, Dante disse.
Marcelo se calou.
“Camila, leve-a ao hospital. Bruno, antes de sair, envie uma ordem para todas as equipes. Quero o nome de qualquer pessoa que tente se aproximar dela ou da mãe.”
Isabela ficou pálida.
“Não mencione minha mãe.”
Dante percebeu o medo antes que ela conseguisse escondê-lo.
Marcelo também.
“Sua mãe corre perigo?”, Dante perguntou.
“Não.”
“Então por que ficou assustada?”
“Porque ela não tem nada a ver com esta casa.”
Marcelo abriu um sorriso discreto.
Dante viu.
“Agora tem”, ele respondeu. “Bruno, coloque uma equipe na Vila Mariana.”
“Se homens armados aparecerem no prédio, minha mãe vai entrar em pânico.”
“Ela não verá ninguém.”
“O senhor não pode controlar minha vida.”
“Não estou tentando controlar. Estou impedindo que alguém use sua vida para controlar você.”
A frase atingiu Isabela em cheio.
Marcelo deixou o escritório sem pedir autorização. Dante esperou a porta fechar.
“Ele ameaçou sua mãe?”
Isabela não respondeu.
O silêncio respondeu por ela.
No hospital, a radiografia confirmou uma fratura no rádio. O ortopedista recomendou imobilização, medicação e afastamento.
Isabela recebeu o documento como se fosse uma sentença.
“Quanto tempo?”
“Quatro semanas, no mínimo.”
“Eu não posso ficar quatro semanas sem trabalhar.”
Camila segurou o atestado.
“Você não ouviu Dante? Seu salário será pago.”
“Homens como ele mudam de ideia.”
“Dante muda de estratégia. Não muda de palavra.”
No caminho de volta, Bruno recebeu o arquivo restaurado de uma câmera externa. A gravação não mostrava o corredor, mas registrava a porta lateral.
Às 6h47, Marcelo entrava sozinho pela área dos funcionários.
Às 6h52, Isabela aparecia atrás dele.
Às 7h01, ela saía curvada, protegendo o braço. Sob o avental, carregava um objeto retangular.
Bruno ampliou a imagem.
Era um livro preto.
Quando chegaram à mansão, o céu começava a clarear. Dante esperava no escritório com os mesmos homens da reunião ainda retidos na propriedade.
Bruno colocou o vídeo na tela.
Isabela viu a si mesma seguindo Marcelo e soube que já não poderia fingir que estivera sozinha.
Dante pausou a gravação no objeto escondido sob seu avental.
Antes de interrogá-la, ele enviou uma ordem única aos chefes das empresas, hotéis, garagens e equipes de segurança ligadas aos Montenegro. A fotografia funcional de Isabela apareceu em dezenas de celulares antes das oito da manhã.
Ninguém deveria abordá-la. Ninguém deveria mencionar seu endereço.
Qualquer tentativa de contato seria comunicada diretamente a Bruno.
Um gerente perguntou por que todo o império estava sendo mobilizado por uma empregada.
Dante respondeu com seis palavras:
“Porque alguém a feriu na minha casa.”
Na garagem, Marcelo recebeu a mesma ordem. Leu a mensagem, apagou-a e telefonou para um número não salvo.
“Ele encontrou a câmera externa”, disse. “Mudem o plano.”
Do outro lado, uma voz perguntou sobre o livro.
“Ela não entregou. Ainda.”
Marcelo encerrou a chamada ao ver um segurança se aproximar. Quando voltou ao escritório, usava novamente o rosto do executivo preocupado.
Isabela, porém, notou uma mancha de poeira clara no joelho da calça dele. Era da mesma cor do reboco que caíra quando ela abrira a parede falsa.
Ela quase falou.
Então o celular vibrou com uma mensagem da mãe dizendo que um carro desconhecido estava parado diante do prédio.
Isabela apagou a tela antes que Dante visse.
“O que é isso?”
“Eu não sei.”
“Você está segurando.”
“A imagem está ruim.”
Bruno aumentou a nitidez. Na capa do livro surgiram duas letras gastas, gravadas em dourado.
J.M.
Isabela parou de respirar.
Dante percebeu.
“Essas iniciais significam alguma coisa para você?”
Ela recuou um passo.
“Não.”
Mas Dante já estava olhando para a ficha funcional aberta sobre a mesa.
Leu o nome completo dela.
Isabela Oliveira Martins.
Depois tornou a olhar para as letras.
“Seu pai”, ele disse. “Qual era o nome dele?”
Isabela demorou a responder.
“João Martins.”
No outro lado da porta, sem que ninguém percebesse, Marcelo ouviu o nome e fechou a mão sobre a maçaneta.
você pode gostar
-
TerminadoCapítulo 5
Papai bilionário do bebê
Uma noite de amor que jamais seria esquecida. Ela dormiu com um bilionário. Apenas Jessica não sabia disso na época, outra coisa que ela não sabia é que, ao sair daquele apartamento de luxo, ela carregaria o herdeiro de uma empresa multibilionária.Moderno08 9 -
TerminadoCapítulo 4
Paixão e Domínio: Ex-esposa do CEO
Tudo o que pode levar é um escândalo para despedaçar uma história de amor de 15 anos. Conheça os Barnes. Angelina (Angel) e James Buchanan Barnes IV (Bucky). Seu romance antes de conto de fadas foi destruído. Mas quando a verdade vier à tona, eles serão capazes de reparar o estrago ou estará tão danificado que não poderá ser consertado?Moderno08 11 -
TerminadoCapítulo 2
Depois do falecimento do meu marido, eu enfrentei a amante com astúcia
Meu marido Joaquim sofreu um acidente de carro, ficou gravemente ferido e à beira da morte. O médico disse que salvá-lo teria pouco significado, então me preparei psicologicamente. Eu estava bem preparada e fiz um gesto com a mão: "Não vou dar mais problemas ao hospital, desistindo do tratamento." Obtive o atestado de óbito, encerrei a conta, levei-o ao crematório e, após seis horas, ele se tornou um monte de cinzas. Eu bato na urna de cinzas e digo: "Joaquim, oh Joaquim, você realmente era uma boa pessoa!" Joaquim tinha uma fortuna, partiu jovem e não deixou testamento. Recebi dois terços de toda a herança. Existe alguém mais atencioso do que Joaquim?Moderno08 4