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"A Empregada Que Provou o Jantar do Chefe da Máfia" Capítulo 2 — A Receita de Celina

正文开头

Dante colocou a fotografia sobre o peito de Marina no instante em que ela abriu os olhos.

“Onde minha mãe está?”

Marina tentou se erguer, mas a tontura a obrigou a voltar ao travesseiro. A luz do amanhecer atravessava as persianas do Hospital Santa Cecília.

“Bom dia para o senhor também.”

“A foto foi tirada há quatro meses.”

Ela olhou para o retrato e perdeu a ironia.

“Eu nunca vi isso.”

“Estava costurado no seu avental.”

Marina examinou a dobra, o verso e a frase. Reconheceu imediatamente a letra inclinada de Rosa.

“Minha mãe colocou sem me contar.”

“Conveniente.”

“Tão conveniente quanto as luvas encontradas no meu quarto.”

Dante puxou uma cadeira.

“Você entrou na minha casa mentindo. Aceitou um emprego abaixo da sua experiência. Vasculhou a cozinha à noite e, seis dias depois, identificou veneno no meu prato.”

“Eu administrava uma pequena confeitaria com Rosa no Brás. Fechamos quando ela desapareceu. Isso não me transforma em assassina.”

“Transforma você em alguém com um plano.”

“Meu plano era encontrar minha mãe.”

Ele abriu o caderno de receitas dentro de uma proteção plástica.

“Explique a Receita de Celina.”

Marina passou os olhos pelos números.

“Não sei.”

“Sua mãe nunca usou isso para cozinhar?”

“Não há quantidades de ingredientes. Há datas disfarçadas.”

Ela apontou para uma sequência: 18 xícaras, 04 minutos, forno a 1999 graus.

“Dezoito de abril de 1999”, disse. “A data do acidente de Celina.”

Dante aproximou o caderno.

“Você sabia quando minha mãe morreu?”

“Todo mundo que viveu perto desta família sabia. O carro caiu da Serra da Cantareira. O corpo ficou irreconhecível.”

“O exame confirmou a identidade.”

“Ou alguém pagou para que confirmasse.”

Os olhos dele endureceram.

“Cuidado.”

“O senhor veio me perguntar a verdade ou exigir que eu repita a mentira que lhe contaram?”

Antes que Dante respondesse, Bruno entrou. Trazia um tablet e uma sacola com roupas comuns para Marina.

“A perícia confirmou digoxina e oleandrina na concha. A substância veio das espirradeiras do jardim leste.”

“Câmeras?”

“Foram desligadas por nove minutos. O acesso usou a senha de Verônica.”

Dante ficou em silêncio.

“Ela afirma que deixou a bolsa na sala de música”, continuou Bruno. “Qualquer convidado poderia ter visto a senha anotada na agenda.”

“Verônica nunca anota senhas.”

Marina observou a troca de olhares.

“Ela sabia que a dose talvez não fosse fatal.”

Dante virou-se para ela.

“Como sabe disso?”

“Ouvi sua conversa no corredor. O quarto não é à prova de som.”

Bruno informou que a imprensa cercava a entrada. Um vídeo do jantar já circulava nas redes sociais. Marina aparecia roubando a colher, provando a sopa e caindo nos braços de Dante.

“Já me chamaram de amante?”, perguntou ela.

“Assassina, oportunista e amante”, respondeu Bruno. “Nessa ordem.”

“Minha mãe vai gostar de saber que fui promovida.”

A brincadeira não escondeu o medo em sua voz.

Dante tomou uma decisão.

“Você volta para a mansão.”

正文1

“Não.”

“Quem armou para você ainda acredita que o caderno está no seu quarto.”

“Esse argumento deveria me convencer?”

“Na mansão, posso protegê-la.”

“Minha mãe desapareceu enquanto trabalhava para os Montenegro.”

“E a única pista sobre ela estava escondida sob o meu teto.”

Marina cruzou os braços.

“Não serei sua prisioneira.”

“Terá um telefone, acesso ao advogado que escolher e liberdade para sair quando a polícia disser que não há risco.”

“Isso tem outro nome para prisão.”

“Tem. Sobrevivência.”

Duas horas depois, Marina atravessou o portão da mansão no banco traseiro do carro blindado. Repórteres gritavam seu nome. Dante permaneceu ao lado dela, sem oferecer explicações.

Verônica os esperava no saguão.

“Você trouxe essa mulher de volta?”

“Ela ficará na ala de hóspedes.”

“Ela é empregada.”

“Ela é a principal testemunha de uma tentativa de homicídio.”

Verônica olhou para Marina como se quisesse reduzir o uniforme emprestado a cinzas.

“Você não pertence a esta casa.”

“Curioso”, respondeu Marina. “Minha mãe dizia a mesma coisa sobre pessoas que confundiam dinheiro com caráter.”

Dante quase sorriu. Verônica percebeu e ficou ainda mais pálida.

Álvaro surgiu apoiado na bengala.

“Devemos evitar escândalos. Entregue o caderno à polícia e deixe a moça ir.”

“Como sabe do caderno?”, perguntou Dante.

Álvaro parou.

“Verônica comentou.”

“Eu não contei a ela.”

O tio recuperou a serenidade.

“Então Bruno deve ter mencionado. Estamos todos nervosos.”

Bruno não o corrigiu. Apenas registrou a resposta.

Dante levou Marina até o antigo quarto de Celina, fechado desde a infância dele. Lençóis protegiam os móveis. Um perfume de madeira e lavanda permanecia preso ao armário.

“Por que me trouxe aqui?”

“A foto foi tirada diante da Igreja de São Miguel, em Atibaia. Minha mãe financiava o abrigo ligado à igreja.”

Marina passou os dedos por uma penteadeira coberta de pó.

“Rosa também trabalhou nesse abrigo.”

Dante ergueu os olhos.

“Quando?”

“Antes de eu nascer. Ela nunca dizia por quê.”

Ele abriu uma gaveta. Dentro havia cartões de receitas escritos por Celina. A letra era diferente da de Rosa, mas os nomes dos pratos coincidiam com o caderno.

Marina alinhou os cartões sobre a cama.

“Veja as primeiras letras.”

Feijão. Arroz. Rabanada. Omelete. Farofa. Abóbora.

FAROFA.

Ela reorganizou por datas.

“Não são receitas. São instruções.”

Entre dois cartões, Marina encontrou um recibo antigo do Hospital Santa Cecília. A paciente estava identificada apenas como C. M., atendida três dias depois do acidente e transferida para uma instituição religiosa em Atibaia.

O recibo fora pago por Rosa Alves.

Dante leu o documento duas vezes.

“Minha mãe possuía médicos particulares. Por que sua mãe pagaria um atendimento clandestino?”

“Porque talvez os médicos particulares respondessem à pessoa que tentou matá-la.”

No verso, Rosa anotara um telefone. Bruno ligou e ouviu uma gravação informando que o número pertencia ao antigo Abrigo São Miguel, fechado havia oito anos.

“Atibaia deixou de ser coincidência”, disse ele.

As iniciais formaram outra sequência: QUARTO COZINHA.

Dante ficou imóvel.

“Não existe quarto na cozinha.”

“Talvez exista e o senhor nunca tenha visto.”

Desceram pela escada de serviço. Marina conhecia cada bancada porque passara seis noites fingindo não procurar marcas da mãe. Atrás do armário de mantimentos, encontrou uma faixa de rejunte mais clara.

Dante empurrou a madeira. Nada aconteceu.

Marina tirou do bolso uma pequena chave que encontrara presa à lombada do caderno.

“Você escondeu isso de mim”, disse ele.

“Aprendi a não entregar todas as chaves a um Montenegro.”

A fechadura estava sob a última prateleira. Quando Marina girou a chave, o armário inteiro se afastou alguns centímetros.

Atrás dele havia uma porta estreita.

O ar do cômodo escondido cheirava a papel, temperos velhos e umidade. Uma mesa sustentava mapas de estradas. Caixas de transporte exibiam o símbolo do Grupo Montenegro Alimentos.

Na parede, dezenas de fotografias mostravam caminhões, placas e homens descarregando pacotes durante a madrugada.

Dante reconheceu um dos depósitos.

“Brás.”

Marina encontrou um gravador sem bateria e uma xícara marcada por batom antigo. Dentro de um livro de missas havia outra fotografia de Celina e Rosa.

Desta vez, elas estavam acompanhadas por Álvaro.

No verso, Rosa escrevera:

“O homem que prometeu protegê-las foi o primeiro a vendê-las.”

Um ruído veio da cozinha.

Dante apagou a lanterna e puxou Marina para trás da porta. Passos se aproximaram. A bengala tocou o piso duas vezes.

Álvaro parou diante do armário deslocado.

“Sei que vocês estão aí”, disse ele. “E sei que encontraram a sala de Celina.”

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