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"A Costureira Que Rasgou o Terno do Chefe da Máfia" Capítulo 5 — A Voz no Forro

正文开头

Helena apertou a fita na mão.

“Você sabia que Sofia esteve aqui.”

Dante fechou a porta do escritório antes de responder.

“Eu a encontrei nesta casa quatro meses atrás.”

Helena avançou e bateu no rosto dele.

O som foi seco. Beatriz levou a mão à boca, mas Dante não reagiu. Apenas virou o rosto de volta, aceitando a marca vermelha.

“Seis meses procurando minha irmã”, disse Helena. “Você a encontrou e me deixou acreditar que estava morta.”

“Ela apareceu ferida, drogada e perseguida. Disse que havia um vazamento dentro da minha segurança.”

“E decidiu que eu era o vazamento?”

“Decidi que qualquer pessoa ligada a ela podia ser usada para encontrá-la.”

Helena ergueu a fita.

“Onde ela está?”

“Não sei.”

“Mentiroso.”

“O esconderijo foi abandonado há três semanas. Quando meus homens chegaram, havia sangue e um inalador quebrado.”

Beatriz apoiou-se na mesa.

“Você escondeu isso de mim também?”

“Sofia pediu.”

Dante abriu um cofre atrás da estante e retirou um envelope. Dentro havia fotografias da jovem entrando na mansão pela garagem, com o rosto machucado, e cópias de páginas cobertas por códigos de costura.

Helena reconheceu a jaqueta da irmã.

“Quem a trouxe?”

“Rafael.”

O chefe da segurança estava no corredor. Dante o chamou pelo rádio, mas não houve resposta.

Helena colocou a fita num gravador antigo que Beatriz guardava na caixa. O áudio começou com o ruído de uma máquina de costura.

A voz de Sofia surgiu baixa, porém clara.

“Se alguém encontrou esta fita, significa que Augusto descobriu o sistema das etiquetas.”

Helena fechou os olhos.

Era a primeira frase inteira da irmã em seis meses.

“Ele usa contratos de uniformes para substituir lacres de cargas. O dinheiro volta por hotéis e transportadoras. Caio Prado descobriu as contas há doze anos. Dante assinou a ordem contra ele, mas tentou mudar o destino quando percebeu que Augusto queria uma execução.”

Dante permaneceu imóvel.

“Eu vi Mauro Reis trocar os motoristas. Caio sobreviveu. Augusto manteve o homem escondido porque precisava saber onde estava o livro original.”

A gravação falhou. Depois, Sofia retomou com dificuldade.

“Dante me tirou da fábrica. Não confio no nome Montenegro, mas confio no que ele fez naquela noite. Se eu desaparecer outra vez, procurem o forro da camisa que Beatriz nunca joga fora.”

Helena olhou para a camisa ensanguentada.

“Ela colocou a fita aqui depois que Dante a salvou.”

“Sim”, respondeu Beatriz. “E eu nem percebi.”

O áudio continuou.

“Há alguém vazando rotas. Não sei se faz por dinheiro ou medo. Augusto prepara uma prova para culpar Dante por minha morte. Não acreditem num vídeo sem procurar o ponto azul no canto.”

A fita terminou.

O celular de Dante recebeu dezenas de notificações ao mesmo tempo.

Uma emissora transmitia um vídeo enviado anonimamente. Nele, Dante aparecia num estacionamento falando com Mauro Reis.

“A garota sabe demais”, dizia a voz de Dante. “Sofia Prado não pode chegar viva à polícia.”

正文1

Em seguida, a gravação mostrava uma mulher caída no chão e um homem colocando o corpo num carro.

Helena se aproximou da tela.

“É ela?”

O rosto não aparecia. A mulher usava a jaqueta de Sofia.

Beatriz cambaleou.

“A voz é sua.”

Dante ampliou o canto do vídeo. Um pequeno ponto azul piscava junto à data.

“Sofia avisou. Foi editado.”

“Mas o público não ouviu a fita”, disse Helena.

A campainha externa tocou. Câmeras mostraram viaturas entrando pelo portão.

A delegada Camila apareceu com mandado de busca e prisão temporária. Atrás dela, repórteres já ocupavam a rua.

“Dante Montenegro, o senhor é investigado pelo desaparecimento de Sofia Prado e por tentativa de homicídio.”

Helena colocou-se diante dele.

“O vídeo foi adulterado.”

“A perícia vai determinar.”

“Temos uma gravação de Sofia acusando Augusto.”

Camila estendeu a mão.

Dante não entregou a fita imediatamente.

“Há vazamento na polícia e na minha equipe. Faça uma cópia aqui.”

“O senhor não estabelece as condições do mandado.”

“Se esta prova desaparecer, Augusto vence.”

Camila encarou Helena, que confirmou com a cabeça. A delegada permitiu que o áudio fosse duplicado diante de duas testemunhas e lacrou o original.

Enquanto policiais revistavam o escritório, Helena encontrou uma pequena costura azul na lateral do envelope de fotografias.

Sofia deixara outro código.

Três pontos curtos, um longo, dois curtos.

O retalho correspondente indicava: telefone público, Santa Cecília, terça-feira.

Era terça-feira.

Helena olhou o relógio. Faltavam vinte minutos para as dez.

Dante percebeu.

“Encontrou alguma coisa?”

Ela hesitou. A raiva exigia que não confiasse nele. A fita dizia que Sofia confiara num ato, não num sobrenome.

“Talvez uma ligação.”

Camila algemou Dante.

Augusto surgiu no portão da mansão diante das câmeras. Declarou estar devastado com as acusações contra o sobrinho e prometeu assumir temporariamente a presidência do grupo para proteger funcionários e investidores.

Em menos de dez minutos, a assessoria do grupo divulgou uma nota afastando Dante de todas as decisões. A assinatura digital pertencia a três conselheiros que Augusto controlava por dívidas antigas.

Beatriz tentou entrar na transmissão por telefone, mas sua senha de presidente da fundação fora cancelada.

“Ele não está reagindo à prisão”, disse ela. “Está executando um plano preparado antes do gala.”

Helena abriu as imagens do evento. Augusto chegara ao corredor segundos depois que ela retirou o transmissor. Não parecia surpreso com o tiro. Parecia irritado com o fracasso.

“Se o atirador tivesse acertado, Augusto assumiria por morte. Como Dante sobreviveu, ele usou Sofia para assumir por escândalo.”

Camila ouviu a conclusão e ordenou a apreensão das gravações externas do gala. A delegada ainda não podia acusar Augusto, mas a coincidência de interesses ganhara forma jurídica: tentativa, benefício e ação imediata.

Dante, algemado, olhou para a mãe.

“Não vá à sede.”

“A fundação também é minha.”

“Por isso ele precisa que você apareça.”

Beatriz compreendeu que o sobrinho amoroso também preparara algo para ela.

“Ele planejou o momento”, disse Dante. “A prisão me afasta antes da votação do conselho.”

“Então dê à polícia acesso a tudo”, respondeu Helena.

“Se Augusto assumir, apagará os livros antes que Camila chegue.”

Dante pediu a Beatriz que abrisse a gaveta inferior. Ela retirou uma chave de segurança com o símbolo do Grupo Montenegro.

“Helena, leve isto ao servidor do Itaim. A chave abre o arquivo bruto das transportadoras.”

Camila tomou o dispositivo.

“Vai comigo como prova.”

“Não”, disse Helena. “Se o mandado foi preparado por Augusto, ele espera que a chave entre na cadeia de custódia.”

A delegada pensou por um instante e registrou apenas uma fotografia. Devolveu a chave a Helena sob termo de responsabilidade.

Dante foi conduzido para fora. Antes de entrar na viatura, segurou o olhar dela.

“Não tente encontrar Sofia sozinha.”

“Você não pode mais me dar ordens.”

“Nunca pude. Mesmo assim, escute desta vez.”

A viatura partiu cercada por câmeras.

Helena saiu pelos fundos com Beatriz. Rafael continuava sem responder. Um carro da fundação estava ausente da garagem, e seu armário fora esvaziado.

Às dez em ponto, o telefone de Helena tocou.

Número público do Hospital Santa Cecília.

Ela atendeu sem respirar.

“Helena?”

A voz estava fraca, mas não era gravação.

“Sofia.”

Beatriz levou as mãos ao rosto.

“Não fale meu nome em voz alta”, pediu Sofia. “Eles estão ouvindo.”

“Onde você está?”

“Dante não mandou me matar. Ele me salvou.”

Um ruído metálico soou do outro lado.

Sofia começou a chorar.

“Mas o homem que me entregou a ele acabou de encontrar meu esconderijo.”

A ligação foi cortada.

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