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"A Costureira Que Rasgou o Terno do Chefe da Máfia" Capítulo 4 — O Homem Que Dante Condenou

正文开头

Helena tocou o rosto do pai para ter certeza de que não era fumaça, lembrança ou crueldade.

Caio estava mais magro. A barba grisalha escondia uma cicatriz que descia até o pescoço. Mas os olhos eram os mesmos que a observavam costurar botões quando criança.

“Você morreu.”

“Foi a única forma de manter vocês vivas.”

Helena o abraçou e, no mesmo instante, bateu com os punhos em seu peito.

“Doze anos. Você nos deixou enterrá-lo.”

“Eu vi vocês de longe.”

“Isso deveria me consolar?”

Uma explosão sacudiu a parede.

Caio segurou a mão dela.

“Precisamos sair.”

Ele abriu uma grade no piso. Um túnel de manutenção seguia até o prédio vizinho. Helena entrou, mas parou ao ouvir Dante chamando seu nome do outro lado do fogo.

“Ele vem conosco”, disse ela.

Caio endureceu.

“Dante Montenegro assinou minha morte.”

“E mudou a equipe para salvar você.”

“Foi o que ele contou?”

Helena voltou para a passagem. Caio tentou impedi-la, mas ela gritou por Dante através da fumaça.

Uma silhueta surgiu carregando Rafael, que mancava por causa da viga. Dante empurrou o segurança para o túnel e entrou por último.

Quando viu Caio, ficou imóvel.

“Você está vivo.”

“Apesar de você.”

“Por causa da troca que fiz.”

“Sua troca me entregou a Mauro Reis.”

O túnel começou a encher de fumaça. Não havia tempo para a verdade inteira.

Eles saíram num estacionamento. Viaturas e bombeiros cercavam a fábrica. Caio puxou o capuz sobre a cabeça e tentou desaparecer.

Helena segurou seu braço.

“Você não vai embora de novo.”

“Se Augusto descobrir que me viu, Sofia morre.”

“Sofia está com você?”

“Não. Mas sei por que a levaram.”

Antes que respondesse, um carro avançou contra eles.

Dante empurrou Helena e Caio atrás de uma mureta. Rafael disparou contra os pneus. O veículo bateu num poste, mas o motorista fugiu a pé entre os bombeiros.

Caio aproveitou a confusão e correu.

Helena tentou segui-lo. Dante a conteve.

“Ele sabe sobreviver.”

“Ele sabe abandonar.”

Ela chorava de raiva, não de alívio.

Dante a levou para o Hospital Santa Cecília com Rafael. Nenhum deles tinha ferimentos graves, mas Helena inalara fumaça.

Enquanto recebia oxigênio, a delegada Camila Nogueira entrou no quarto.

“Encontramos três focos de incêndio e acelerante industrial. Isto foi tentativa de destruição de provas.”

“Meu pai estava lá”, disse Helena.

Camila fechou a porta.

“Caio Prado está morto há doze anos.”

“O corpo não era dele.”

Dante entregou o disco retirado da fábrica. A delegada o guardou num envelope.

“Se este vídeo confirmar a data, alguém falsificou laudos, registros dentários e certidão de óbito.”

“O escritório do meu padrinho cuidou de tudo”, disse Dante.

Camila ergueu as sobrancelhas.

“Augusto Montenegro?”

“Ainda não temos prova suficiente para prendê-lo.”

“E você está preocupado com prova desde quando?”

Dante não respondeu à provocação.

Helena retirou a máscara de oxigênio.

“Quero saber o que realmente aconteceu naquela noite.”

正文1

Dante pediu que Camila permanecesse. Não queria contar a história duas vezes.

Aos vinte e cinco anos, ele descobrira transferências que saíam das transportadoras da família e voltavam por empresas têxteis. Caio Prado era contador terceirizado e levara uma pasta com comprovantes.

“Eu pensei que ele participava do desvio”, disse Dante. “Augusto mostrou depósitos na conta dele.”

“Depósitos falsos”, respondeu Helena.

“Eu sei agora.”

Dante admitiu que ordenara a captura de Caio. Quando percebeu que Augusto queria executá-lo, trocou os homens por agentes que deviam levá-lo a um contato na Polícia Federal.

“Mauro Reis substituiu o motorista no último minuto. No dia seguinte, Augusto me mostrou o corpo queimado e disse que Caio tentara fugir.”

“E você acreditou.”

“Eu queria acreditar. A alternativa era admitir que meu padrinho controlava meus homens.”

Helena levantou-se, ainda tonta.

“Sua covardia custou doze anos da nossa vida.”

“Eu sei.”

“Não diga que sabe. Você teve casa, mãe e nome. Sofia e eu tivemos dívidas, vergonha e um túmulo vazio.”

Dante recebeu cada palavra sem se defender.

Camila interrompeu.

“Se Caio está vivo, ele precisa depor. E se Sofia também está viva, precisamos encontrá-la antes de Augusto.”

O nome fez Dante olhar para a porta.

Augusto entrou carregando flores.

“Soube do incêndio.”

Camila ficou entre ele e o leito.

“Esta é uma área restrita.”

“Sou família.”

“Não dela.”

Augusto deixou as flores sobre a mesa.

“Helena, sinto muito pelo que está acontecendo. Dante atrai perigo para qualquer pessoa que se aproxime.”

“Curioso”, respondeu ela. “Sofia escreveu que eu não deveria confiar no padrinho dele.”

O rosto de Augusto não mudou.

“Uma jovem acusada de roubo pode escrever muitas coisas para desviar a culpa.”

“A polícia nunca a acusou formalmente”, disse Camila.

“A auditoria interna encontrou irregularidades.”

Dante aproximou-se do tio.

“Quem apagou os registros usando minha credencial?”

“Você está me interrogando?”

“Ainda não.”

Augusto ajeitou a manga.

“Seu pai ficaria envergonhado de vê-lo ameaçar o homem que o criou por causa de uma costureira.”

“Meu pai está morto. A costureira está viva porque viu o que você não queria que fosse visto.”

Augusto saiu sem tocar novamente na bengala.

Camila enviou uma equipe para segui-lo.

Naquela noite, Dante levou Helena para a mansão. Ela aceitou apenas porque Caio poderia procurá-la no ateliê, e os homens de Augusto também.

No carro, Helena recebeu uma mensagem sem remetente. A fotografia mostrava a sepultura de Caio no Cemitério da Vila Mariana. Sobre a lápide, alguém colocara um carretel verde.

Abaixo, uma frase: Mortos devem permanecer mortos.

Dante pediu o aparelho, mas Helena o segurou contra o peito.

“Toda vez que entrego uma prova a um Montenegro, ela desaparece.”

“Então envie primeiro para Camila.”

Ela fez isso diante dele. Dante pediu que Rafael mandasse uma equipe ao cemitério e preservasse as câmeras das ruas próximas.

“Augusto sabe que Caio apareceu”, disse Helena.

“Ou sempre soube que ele estava vivo.”

“Meu pai disse que Sofia morreria se ele fosse descoberto. Eles estão ligados.”

Dante encarou as luzes passando pela janela.

“Caio não fugiu de você. Fugiu para impedir que usem a vida dele como confirmação de que Sofia é útil.”

Helena odiou que a explicação fizesse sentido. O abandono ainda doía, mas agora tinha a forma de uma proteção cruel, não de indiferença.

Beatriz esperava no escritório com uma caixa de madeira.

“Ouvi o nome de Caio Prado”, disse ela.

Helena parou.

“A senhora sabia que ele estava vivo?”

“Não. Mas sabia que ele não era um traidor.”

Beatriz abriu a caixa.

Dentro havia uma camisa branca manchada de sangue antigo. O tecido estava rasgado perto do coração e remendado com linha verde.

“Esta camisa era de Dante”, explicou. “Ele tinha quinze anos quando homens tentaram levá-lo na estrada de Campinas. Caio estava no carro atrás. Jogou o próprio veículo contra os sequestradores e o tirou de lá.”

Dante olhou para a mãe.

“Você disse que Augusto me salvou.”

“Augusto chegou depois.”

“Por que mentiu?”

“Porque ele ameaçou matar você e as meninas de Caio se eu contasse.”

Helena pegou a camisa. O remendo verde tinha pontos irregulares, feitos com pressa.

Dentro da dobra, havia uma frase bordada.

Caio salvou meu filho.

Beatriz começou a chorar.

“Fui eu que escrevi, para não esquecer de novo quando o medo me obrigasse a mentir.”

Helena examinou o último ponto. Ele não terminava na frase. Seguia até a bainha e formava uma pequena seta.

Ela abriu a costura.

Uma fita de áudio caiu no chão.

Na etiqueta, Sofia escrevera uma data de apenas quatro meses antes.

Helena ergueu os olhos.

“Minha irmã esteve nesta casa depois de desaparecer.”

Dante não pareceu surpreendido.

E aquele silêncio respondeu antes que ele pudesse mentir.

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